A ilusão da vitória: O flagelo do pensamento dos políticos

flagelo do pensamento dos políticos
Gamal Abdel Nasser, presidente do Egito, discursa a uma multidão reunida na Praça da República, no Cairo, no dia 22 de fevereiro de 1958, de uma varanda do prédio da União Nacional, após ser eleito o primeiro presidente da República Árabe Unida (Times of Israel/AP).


A ilusão da vitória: O flagelo do pensamento dos políticos


A excessiva autoconfiança de alguns políticos, geralmente formada à sombra de elogios e otimismo infundados das pessoas ao seu redor, muitas vezes os afasta da compreensão da realidade e os leva a adotar estratégias equivocadas.


Gamal Abdel Nasser Hussein foi o segundo presidente do Egito, ocupando o poder por quatorze anos, de 1956 até sua morte em 28 de setembro de 1970. Sem dúvida, Nasser pode ser considerado o líder mais famoso dos países árabes: um amplo território, do Iêmen à Síria e da Palestina ao Egito foram diretamente influenciados por ele. Nasser é a pessoa a quem o Egito deve seu progresso, e seu sepultamento, realizado com a presença de cinco milhões de pessoas, ainda é o funeral mais magnífico da história dos países árabes, mesmo já tendo se passado mais de 50 anos.

No entanto, durante sua vida política, ele uma vez aceitou a responsabilidade por um grande erro, pediu desculpas ao povo e renunciou, mas as pessoas foram às ruas pedindo sua volta e ele acabou aceitando.


Qual foi o problema da derrota do Egito?

Várias guerras foram travadas entre os países árabes e Israel. A primeira ocorreu no dia seguinte ao fim do protetorado britânico sobre a Palestina em 14 de maio de 1948, que levou à derrota dos árabes.

A segunda guerra, após a chegada ao poder de Gamal Abdel Nasser e o anúncio da nacionalização do Canal de Suez e seu fechamento pelo governo egípcio em 1956. O Estado de Israel, afirmando que o direito de passagem inofensiva naquelas águas foi violado, tomou medidas para reabrir o Canal com a cooperação da Grã-Bretanha e da França. A Assembleia Geral das Nações Unidas condenou a invasão do Egito e pediu um cessar-fogo imediato, embora Grã-Bretanha e França tenham vetado, mas o Egito teve finalmente afirmada sua soberania sobre o Canal.

A terceira guerra, conhecida como Guerra dos Seis e até hoje o maior confronto da história entre os árabes e Israel, começou em 5 de junho de 1967, com ataques da Força Aérea israelense. A facção árabe nesta guerra incluiu Egito, Síria e Jordânia com o apoio do Líbano, Iraque, Argélia, Arábia Saudita e Kuwait, e acabou levando à ocupação de Gaza, da Cisjordânia, do Deserto do Sinai e das Colinas de Golã. O importante nessa guerra foi que, apesar de o Egito ter se preparado, foi derrotado em terra e no ar apenas algumas horas após o início dos combates, de modo que muitos analistas a consideram uma derrota espiritual para o mundo árabe em geral e para os egípcios em particular. Esta derrota foi marcante para os egípcios porque a guerra começou pouco tempo depois da vitória e auge dos nacionalistas egípcios e combatentes da liberdade na forma do nacionalismo árabe, e atingiu severamente seu moral.


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Derrota por excesso de autoconfiança

Há um famoso relato sobre a derrota do Egito na Guerra dos Seis Dias, que diz:

Duas pessoas contribuíram para a derrota do Egito. Uma é Mohamed Hassanein Heikal, um conhecido analista político egípcio, e a outra é Ahmed Saeed, o lendário locutor da Rádio Egito. Os artigos de Heikal causaram grande confusão na comunidade árabe porque ele constantemente tentava humilhar Israel e fazer seu poder parecer insignificante durante os anos 1950 e 1960. Além disso, Ahmed Saeed, o famoso locutor, foi apenas uma ferramenta de propaganda para os árabes. Ele disse constantemente, durante a guerra, que dezenas de aviões de combate israelenses foram destruídos como moscas pelas forças egípcias. Ele também relatou falsamente a queda de cidades e vilas israelenses. O povo árabe ficava impressionado e feliz quando ouvia suas palavras. Enquanto isso, os caças israelenses destruíram a Força Aérea Egípcia ainda no início da guerra.

Embora essa interpretação possa não ser muito precisa, mostra que a excessiva autoconfiança de Gamal Abdel Nasser e a certeza da vitória dos egípcios os afastou da realidade. É verdade que os egípcios não iniciaram a guerra, mas se tivessem lidado com a questão de maneira realista, provavelmente a teriam evitado. A excessiva autoconfiança dos políticos, geralmente formada à sombra dos elogios falsos e infundados das pessoas ao seu redor, os afasta da compreensão da realidade e faz com que adotem estratégias equivocadas.

Esse erro não se limita a uma era específica e se repete em diferentes períodos da história. Muitos políticos delirantes, seduzidos pela ideia de uma vitória rápida, entraram em guerras que não só não tiveram vencedor, mas também causaram a destruição da autoridade e do sistema econômico do país que as iniciou.

Guerras que causaram e continuam a causar muitas baixas de inocentes e muitas dificuldades para a comunidade mundial.



Fonte:

Velhogeneral.com.br

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