Revisão Histórico Científica: Sobrevivencialismo, a arte de sobreviver

Sobrevivencialismo a arte de sobreviver


Revisão Histórico Científica: Sobrevivencialismo, a arte de sobreviver


Assim descobriu-se que apenas uma vida
semelhante à vida dos que nos rodeiam,
entrosando-se com ela sem hesitar,
é vida genuína, e que a felicidade
não compartilhada não é felicidade”
“Dr. Jivago”, Boris Pasternak

 

Preliminares

Este ensaio visa provar que incentivar as relações entre sobrevivencialistas Macho e Fêmea é o que fará a espécie humana Humana sobreviver após o grande cataclismo pré “fim-do-mundo”. A importância das preliminares é pressuposto inquestionável para o alcance do fim pretendido, portanto não será bolinada neste artigo cientiphyco.

Para esta pesquisa selecionamos grupos de sobrevivencialistas controle dos subtipos “macho-macho” (identificados pela repetição da expressão “isso-não-é-pra-você-ô-Fêmea”), “macho-alpha” (reconhecidos pelo recorrente “isso-é-muito-difícil-pra-você-minha-Fêmea”), “macho-hegemônico” (conhecidos pelo excesso de uso do “deixa-que-eu-explico-minha-doce-Fêmea”) e “macho-to-nem-ai” (aqueles que usam o termo “só-sei-que-nada-sei-mas-to-enturmado”). Garantimos que nenhum espécime do tipo Macho foi ferido durante os procedimentos avaliativos. Embora inicialmente alguns tenham protestado veementemente ao serem escalados para os sete dias de testagem.

O espécime "sobrevivencialista" do passado e seus itens de sobrevivência e defesa. Concluímos que eles demonstram ter cerca de 99,99% de semelhança com os sobrevivencialistas modernos. Ou não.

O espécime “sobrevivencialista” do passado e seus itens de sobrevivência e defesa. Concluímos que eles demonstram ter cerca de 99,99% de semelhança com os sobrevivencialistas modernos. Ou não.

Este estudo passou a contar com 87% a mais da colaboração, envolvimento e dedicação dos elementos da espécie humana do tipo Macho, reconhecida no mundo do sobrevivencialismo como “sobrevivencialista Macho”, a partir do momento que lhes foi informado que era para o bem da humanidade as sobrevivencialistas Fêmeas também participariam do mesmo experimento.

Os resultados dos testes demonstraram ter sido 100% mais positivos para os da espécie Fêmea, embora se possa dizer que os benefícios seguramente se estendam a toda espécie humana Humana, por motivos óbvios. Estamos em início de nova avaliação para quantificar essas benesses estendidas aos da espécie humana mini-Humana, os sobrevivencialistas mirins do futuro.

Nossas estatísticas aleatórias são 101% seguras e seguiram o método de Murphy [The art of being wrong, 1888].

Palavras chaves: sobreviver, sobrevivência humana, sobrevivencialismo.

 

Pederneira maldita

Desnecessário dizer que o fogo é um item indispensável para a sobrevivência da espécie humana Humana. No entanto, notamos que, para que uma explicação do funcionamento de uma simples pederneira para as sobrevivencialistas Fêmea ocorra, 99% dos sobrevivencialistas Macho parecem exigir como requisito mínimo da aprendiz, um título de doutorado. Confundiu-nos a questão do “grau de dificuldade” já que os resultados obtidos a respeito da “qualidade” do fogo, em ambos os grupos, o de Fêmeas e o de Machos, tenham alcançado notas avaliativas notadamente idênticas, mesmo diante de maior ou menor grau de dificuldade inicial apresentado pelos diferentes indivíduos, tanto de um grupo quanto de outro. [Para que esta pesquisa fosse o mais acessível possível, nenhum título de doutorado foi exigido de nenhum dos participantes].

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A dificuldade em manusear a pederneira foi observada também entre os da espécie humana Macho. Alguns pediram ajuda aos universitários.

A pesquisa GOOGLE [Wikipedia, 2016] demonstra claramente que o fogo não é patenteado e que desde a era da pederneira maldita pedra lascada os segredos de se acender uma fogueira circula livre e safadamente entre a espécie humana Humana. Para a manutenção deste saber milenar, basta que a técnica seja desavergonhadamente compartilhada de forma equânime, sem malabarismos, de forma simples e transparente, assim nenhum espécime se machucará durante o processo.

Diante da experiência do fogo acesso, notamos que vários elementos dos dois grupamentos se misturaram afogueadamente. Embora não tivéssemos observado e quantificado os resultados de todo esse ‘calor’ mais detidamente, percebemos vestígios de vertiginosas e intensas danças de acasalamento ao redor das fogueiras e nas imediações da área de testes. Nenhum dos participantes parece ter se machucado, comparecendo sem nenhuma marca roxa no corpo, aos experimentos do dia seguinte.


B.o.B. ou simplesmente mochila de fuga?

Constatamos que as nomenclaturas específicas do sobrevivencialismo careciam de muitas explicações complexas. Para 33% dos sobrevivencialistas Macho os termos estavam sendo usados como forma de hermetismo, 29% deles usavam como concentração de poder e 26% utilizavam-se dos termos como demonstração de status social entre os seus brodér. Apenas 12% faziam uso de uma ou outra nomenclatura obscura como estratégia para, aos olhos dos não-sobrevivencialistas, “parecer fodaum” (termo aparentemente utilizado de forma errônea, já que o Dicionário Aurélio Eletrônico demonstra claramente que a palavra ‘foda’ vem do latim vulgar *futéredando originando os termos futuo, futum e fudere, e ninguém gosta de futum, né?).

Essa postura sectarista dos sobrevivencialistas Macho dificultou sobremaneira a transferência de saberes, a difusão livre de dados importantíssimos para a sobrevivência e a consequente inclusão social dos diferentes elementos do grupo humano Humano em estudo. De fato, concluiu-se que eles estavam contribuindo para o “fim-do-mundo” dos demais excluídos da “turma”.

Um grupo de controle exclusivamente composto por sobrevivencialistas do tipo Fêmea foi separado por conta da necessidade de avaliação transversal. O grupo continha representantes dos subgrupos fêmeas Fêmea (reconhecidas também pela expressão “isso-é-moleza-para-mim”), fêmeas não Fêmea (não identificamos a sonoridade e expressão deste espécime, ficaremos devendo) e fêmeas nem-aí-para-rótulos (também conhecidas pelo uso do termo “sou-mais-eu”). Foi percebido um aumento exponencial de 1200% na transferência de informações, quantitativa e qualitativamente falando, entre este grupo diverso. Outro efeito positivo foi o súbito aumento da qualidade técnica do grupo de sobrevivencialistas Fêmea, graças à transferência de conhecimentos sem reservas, a facilidade de comunicação e noção de horizontalidade no diálogo, e a visível empatia entre os elementos deste grupo específico durante os testes. Após a junção dos dois grupos novamente, notou-se como efeito colateral não esperado, uma maior aceitação das diferenças entre os elementos dos dois grupos e o crescimento gradativo da motivação e da auto estima dos elementos da espécie Fêmea.

Incrível notar que os da espécie Macho não entendiam o tanto de coisas que as da espécie Fêmea colocavam em suas B.o.B’s. Por sorte elas sempre levavam algo extra que se mostrava extremamente útil nas diversas atividades desenvolvidas ao longo dos dias de testes. Ou sim.

Incrível notar que os da espécie Macho não entendiam o tanto de coisas que as da espécie Fêmea colocavam em suas B.o.B’s. Por sorte elas sempre levavam algo extra que se mostrava extremamente útil nas diversas atividades desenvolvidas ao longo dos dias de testes. Ou sim.

Quantificamos um significativo aumento das reais possibilidades de sobrevivência desta espécie, já que anteriormente o grupo de sobrevivencialistas Fêmea era preterido pelas recorrentes noções de “conhecimento divino”, “somente para iniciados” ou ainda “isso é coisa de Macho”, apresentado pelo grupo de sobrevivencialistas Macho. Houve o surgimento de uma súbita auto realização e um aumento verificado de ocitocina e de serotonina a partir do sucesso atingido pelo grupo de sobrevivencialistas Fêmea. Pode ser que estes efeitos tenham baixado a ‘guarda’ das mesmas em relação aos sobrevivencialistas Macho, elevando a possibilidade de encontros para acasalamento entre os dois grupos.

Embora não haja testemunhos que garantam a validade desta afirmação, esta conclusão só foi possível graças à enorme quantidade de mochilas, digo BoB’s, largadas ao léu, em torno da fogueira comunitária, nos arredores da área dos experimentos. No entanto, nenhum dos participantes desejou fazer menção aos eventos que possam ter ocorrido após os experimentos.

De qualquer forma, todos compareceram sorridentes e motivados aos testes do dia seguinte, não afetando o prosseguimento desta pesquisa.


Armazenamento e preparo de alimentos

Segundo consta em GOOGLE [Wikipedia, 2016], desde o tempo das cavernas, os segredos de coleta, preparo e armazenamento de itens alimentares sempre foram relegados ao tipo humano Humano reconhecido como Fêmea. Incrivelmente dentro do grupo de sobrevivencialistas Macho as técnicas de armazenagem e até de preparo de alimentos parecem ter subitamente adquirido uma utilidade prática e um teor de status supra elevado (mesmo que eles tenham estranhamente esquecido o quanto as mães, avós, irmãs, primas e tias tenham insistido desde a adolescência destes para que pelo menos aprendessem a fritar um ovo). E, para grande espanto do grupamento de sobrevivencialistas fêmeas, tudo o que elas já sabem desde tenra idade, estava sendo reensinado (na base do irritante tátibitáti) pelos sobrevivencialistas Macho, como se fosse algo tipo “tecnologia de última geração”.

Diante de tamanho abismo de percepção os grupos acabaram se afastando um do outro. Reagrupamos os sobrevivencialistas Fêmea aos do tipo Macho, na expectativa de que através de um milagre divino houvesse um maior entendimento entre as partes. Somente a partir do reagrupamento, ocorreu um ganho substancialmente elevado na qualidade dos alimentos preparados pelos sobrevivencialistas Macho.

Flagrante dos elementos da espécie Macho no entorno da fogueira, desesperadamente tentando encontrar as receitas de preparação dos elementos da espécie Fêmea, enquanto estas dormiam, (foto rara obtida através de uma câmera estática afixada num arbusto, para não distraí-los ou assustá-los, tirada no dia posterior ao experimento!)

Flagrante dos elementos da espécie Macho no entorno da fogueira, desesperadamente tentando encontrar as receitas de preparação dos elementos da espécie Fêmea, enquanto estas dormiam, (foto rara obtida através de uma câmera afixada num arbusto, para não distraí-los ou assustá-los, tirada no dia posterior ao experimento!)

As melhorias observadas foram: aumento visível de sabor e aroma das refeições preparadas, além da diminuição gradativa de aparecimento de grudes acinzentados. Durante as atividades realizadas pelo grupo misto, ouvimos surgir também várias emissões sonoras, longas e graves, do tipo “hummmmmmmmmmmm” sem nenhuma tradução específica, aparentemente.

Percebemos igualmente que, justamente ao possibilitarmos a mistura dos dois grupos, e diante de tema tão animal e primitivo como comer, houve um visível aumento do número de intenções-sexuais-em-vias-de-cópula-efetiva entre os elementos. Infelizmente não fomos autorizados a fazer registros desta descoberta incrível e inesperada!


Montar abrigo ou armar a barraca

O surgimento do primeiro abrigo humano remonta, obviamente à pré história. Estudos recentes comprovam que a Primeira Mulher, Luci, encontrou um buraco numa rocha, e disse ao Homem “eu fico aqui e você vai lá para sua mãe” [Desciclopédia, 2016]. Graças à esse espécime humano Fêmea esse período ficou conhecido como Idade das Cavernas. Desde então abrigar-se é uma das necessidades mais básica para a espécie humana Humana, e atualmente é também um dos maiores cuidados para os sobrevivencialistas de todas as espécies.

Diante das enormes possibilidades de abrigos, com grande diversidade de materiais possíveis e inúmeros graus de dificuldade para a construção de um, excluímos aqui os abrigos urbanos de concreto, pelo alto custo e a óbvia falta de autonomia e criatividade do ser que se abriga nele. Desconsideramos também os produzidos com folhas de bananeira, pela óbvia falta de arte. Para efeito de análise deste estudo escolhemos a barraca por ser item razoavelmente acessível (já que não obtivemos verba ou patrocínio para o estudo em questão).

Notou-se uma grade dificuldade entre os espécimes Machos em montar as barracas, provavelmente graças ao excesso de cerveja ou à constante análise dos movimentos dos elementos da espécie Fêmea. Ou nada disso.

Notou-se uma grade dificuldade entre os espécimes Machos em montar as barracas, provavelmente graças ao excesso de cerveja ou à constante análise dos movimentos dos elementos da espécie Fêmea. Ou nada disso.

O item é leve, de fácil montagem, incluindo poucas peças, o que contribui para a rapidez em sua montagem. Os sobrevivencialistas Macho montaram em cerca de 1h e 25min, entre um gole e outro de cerveja. As sobrevivencialistas Fêmea montaram em 23min, enquanto conversavam animadamente sobre os evento pós fogueira do primeiro dia do estudo. Concluímos que a premissa de que as da espécie Fêmea falam demais não procede, já que elas falam, mas fazem. Percebemos que, ao final do teste, as barracas tortas e manjambradas dos sobrevivencialistas Macho foram preteridas e eles (espertamente) passaram a noite bem agasalhados, nas barracas das Fêmeas. Notamos após este teste que o termo “armar a barraca” passou a ter outra conotação entre os elementos sobrevivencialistas Machos. Ainda não chegamos a uma conclusão consistente do porque ou como isso se deu.

 

Conclusões

– Embora as preliminares não tenham sido objeto deste estudo, aparentemente a prática comprovou ser desejável e eficaz em todas as etapas estudadas acima, reiterando que a premissa deste estudo estava corretíssima.

– Embora inicialmente os sobrevivencialistas Macho tenham protestado veementemente ao serem escalados para os sete dias de testagem, ao final desta pesquisa, curiosa e imediatamente se prontificaram como cobaias para a parte II, [a revanche]. Mal sabem eles do que se trata o próximo estudo.

– Melhor ser um sobrevivencialista Macho/Fêmea que vai ter todo um “fim-de-mundo” para compartilhar com outro elemento sobrevivencialista Fêmea/Macho, do que ter só um tipo sobrevivencialista se virando nos 30. Se é que você me entende…

– Rir é o melhor remédio, mesmo que tenha gosto de purgante.

– O aumento da possibilidade de trocas culturais e tecnológicas pode ajudar na sobrevivência. Este dado também foi comprovado por pesquisa análoga publicada na Science, que concluiu que a Igualdade entre os sexos ajudou o homem das cavernas a sobreviver e que o equilíbrio entre os gêneros foi importante para a mudança da nossa organização social, para a formação e o tamanho do nosso cérebro e nossa linguagem, que é exatamente aquilo que nos distingue como seres humanos.

Ao misturar espécimes do tipo Macho e do tipo Fêmea num mesmo ambiente, eles tendem a se multiplicar, comprovando que a premissa básica deste estudo estava correta.

Ao misturar espécimes do tipo Macho e do tipo Fêmea num mesmo ambiente, eles tendem a se multiplicar (mesmo sem preliminares), comprovando que a premissa básica deste estudo estava correta.

– Misturar espécimes dos tipos Macho com os do tipo Fêmea aumenta a motivação e a vontade de viver, levando a um crescente e óbvio potencial de sobrevivência, já que estranhamente eles se multiplicam.

– Ame o próxim@ como se não houvesse amanhã [na verdade não há] e esqueça as absurdas subdivisões Humanas que são constantemente inventadas, elas não EXISTEM!

 


Fonte: 

A Sobrevivencialista

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