O que é Whataboutism ?

O que Whataboutism significa

O que é Whataboutism ?


Recentemente, o termo whataboutism  tem ganhado luz e vem sido analisado por muitos estudiosos da comunicação e da política.  


Se todos são culpados de alguma coisa, ninguém é culpado de nada?


Whataboutism ou whataboutery (como em "what about...?"("técnica do 'Mas e... ?'" em tradução livre) é uma variante da falácia lógica tu quoque que tenta desacreditar a posição de um oponente acusando hipocrisia sem refutar ou refutar diretamente o argumento.


prática de responder a  uma crítica ou pergunta difícil fazendo uma crítica semelhante ou fazendo uma pergunta diferente, mas relacionadageralmente começando com as palavras "What about? - ('Mas e... ?":


A tática por trás do whataboutism existe há muito tempo. Os retóricos geralmente consideram que é uma forma de tu quoque, que significa "você também" em latim e envolve acusar seu acusador de tudo o que você acabou de ser acusado, em vez de refutar a verdade da acusação feita contra você.


O termo originou-se na época da Guerra Fria e essa falácia foi utilizada em diversos momentos e contextos, incluindo, por exemplo: por propaganda e líderes soviéticos, no conflito na Irlanda do Norte, nos conflitos envolvendo a Rússia e a Ucrânia e por Donald Trump.


A falácia consiste de utilizar uma situação ou prática muito próxima ao que se é criticado utilizando-se de estruturas do tipo: "E aquilo...", "E sobre...", "E o(a)..." ou "E o que dizer, então...". Geralmente, a utilização dessa falácia é feito para relativizar moralmente um evento ou situação utilizando-se de outro.


A utilização dessa falácia é usualmente associada a União Soviética e a Rússia. Na época soviética, era utilizada para responder a um criticismo utilizando-se de um evento do mundo ocidental. Na Rússia, essa tática voltou a ser utilizada primeiramente para assuntos relacionados a violações de direitos humanos e a críticas ao governo russo e recebeu novas atenções após o seu uso durante a anexação da Crimeia e a intervenção militar na Ucrânia; a utilização dela é feita, inclusive, pelo presidente russo Vladimir Putin e seu secretário de imprensa Dmitry Peskov.


A utilização russa do whataboutism gerou críticas por parte da mídia ocidental. The Guardian o considera, utilizado na Rússia, como "praticamente uma ideologia nacional". A jornalista Julia Ioffe escreveu que "Qualquer um que tenha estudado a União Soviética" sabe desta técnica, citando umas das réplicas soviéticas, "And you are lynching Negroes", como um dos exemplos clássicos do uso da técnica. Escrevendo para Bloomberg News, Leonid Bershidsky chamou o whataboutism como uma "tradição russa", enquanto The New Yorker descreveu a técnica como "uma estratégia de falsa equivalência moral". Jill Dougherty falou que whataboutism é a maneira dos russos falarem "o sujo falando do mal lavado"


A FALÁCIA PREFERIDA DOS DEFENSORES DE DITADURAS ?

Sempre que você criticar uma ditadura abraçada pela esquerda, o comportamento de seus ideólogos será o mesmo:

– E os EUA?

- ahh, mas a Inglaterra é a nação que mais invadiu outros países na história....

Sim, ESTÁ nos Livros de história! Ao todo, 171 países foram ocupados pelos britânicos; Brasil está na lista.



Hordas de propagandistas comungando do fetiche por velhos sisudos de farda e coturno, repetindo o mesmo mantra.

Imagine o quão inteligentes eles se sentem.

Esse tática se chama Whataboutism, e é importante entendê-la para atacar esse tipo de falácia.



A FALÁCIA DO WHATBOUTISM

Sim, o whataboutism é uma falácia.

Falácia é um raciocínio logicamente incorreto. Vem do latim "fallere", que significa enganar.

Exemplo: atacar o argumentador no lugar do argumento é um tipo de falácia chamada Ad hominem. Whataboutism é um outro tipo.

Whataboutism é uma manobra retórica frequentemente utilizada na política por aqueles que procuram evitar um assunto.

A estratégia consiste em desviar a atenção para outro tema, acusando o argumentador de hipocrisia. O objetivo é minar a legitimidade da própria crítica.

O Whatboutism tem como objetivo:

1. Desviar a atenção do tema;
2. Diminuir a gravidade do tema, sem admiti-lo, com falsas equivalências;
3. Tornar a falsa equivalência o centro do debate.


Dessa forma, Se o país A supostamente faz X, não podemos criticar o país B. Mas podemos criticar o país A.


Não há um monopólio ideológico do Whataboutism. Há exemplos aos montes por aí na discussão brasileira.

“E o PT hein? E o Lula?”, inclusive, virou o meme.

Mas mesmo quem compartilha esse meme muitas vezes apela ao mesmo Whataboutism.

O WHATBOUTISM EM DEFESA DE DITADURAS DE ESQUERDA


Na guerra fria, o Whatboutism se espalhou para a zona de influência soviética.

Um exemplo recorrente está na América Latina. Até hoje, sempre que o governo cubano é criticado, por qualquer motivo, a atenção é desviada para onde? Ele mesmo: o embargo.

Na Venezuela a história é a mesma.

Critique qualquer medida autoritária da ditadura venezuelana e a resposta estará na ponta das línguas de seus apologistas:

– E as sanções dos EUA?

A história é a mesma com os chineses.

Quando o governo americano critica os campos de concentração para uigures em Xinjiang, os chineses respondem falando do quê? Dos “crimes malignos” contra os nativo americanos.


O WHATBOUTISM CONTRA O OCIDENTE

A estratégia não é reduzida aos EUA, mas ao Ocidente.

Para anular qualquer oposição, a imprensa ocidental também é invalidada, junto às instituições internacionais e grupos de direitos humanos.

Ao fim, só há duas fontes críveis: a ditadura e seus propagandistas.

Em 2021, quando o Canadá emitiu um pedido de uma investigação internacional sobre os crimes em Xinjiang, os chineses responderam dizendo estar “profundamente preocupados com as violações dos direitos humanos contra os povos indígenas no Canadá”.

O mesmo aconteceu com a Austrália. Em 2021, quando os australianos criticaram a repressão em Xinjiang, Pequim respondeu acusando o país de promover um “genocídio contra aborígenes”.

Quando questionado pelos europeus por Xinjiang, a resposta chinesa foi:

– A Europa sabe como é um genocídio.

Em qualquer país livre, os jornais, as ruas, a arte e as redes sociais estão repletas de críticas contundentes a partidos e políticos importantes – que podem ser presos, perder eleições ou sofrer impeachment.

Esta é a vida cotidiana destes lugares.

São países que estão sob frequente vigilância da sociedade civil organizada e da comunidade internacional, abertas ao escrutínio.

Não é preciso um asterisco, ou um pedágio intelectual, para criticar Jair Bolsonaro, Joe Biden ou Boris Johnson. A crítica basta por si só.

Para cada crítica a uma ditadura que você lê num jornal de um país livre, há dúzias de conteúdos contundentes contra políticos e partidos do próprio país livre.

Nixon caiu graças ao trabalho da imprensa americana. Trump e Bush são muito mais criticados que Putin e Xi.



Defensores de ditaduras possuem tanta insegurança com suas limitações intelectuais que desaprovam o escrutínio público. É por isso que menosprezam a liberdade – porque encontram na violência o único instrumento possível de dominação, como os estupradores e os marginais urbanos.

Essa é a razão por que um apologista de ditadura precisa recorrer a desvios de atenção como o Whataboutism.

Porque ele sabe que se você entender seus tópicos a fundo, perceberá que sua identidade política é formada apenas por vazios, incongruências, inseguranças e propaganda.

Minha dica é: não se distraia com picareta.

Quem banaliza o debate público, comparando ditaduras com países livres, é serviçal covarde de tirano. Não perca tempo.

Quem não vê diferença entre um modelo e outro sonha com o dia em que a sua voz não será mais ouvida.



Resumidamente: 


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Essencialmente, uma reversão da acusação, argumentando que um oponente é culpado de uma ofensa tão flagrante ou pior



Se você quiser se aprofundar um pouco mais no tema, o whataboutism já foi colocado por John Oliver em 2017 em seu programa (com legendas).



Fonte: 

Ideias Radicais

Merriam

Wiki PT

Wiki EN





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