Tyler Durden é sobrevivencialista? Oito segredos provam que sim!

Tyler Durden é sobrevivencialista? Oito segredos provam que sim!


Tyler Durden é sobrevivencialista? Oito segredos provam que sim!


Imagino que você já leu livro ou já viu o filme “Clube da Luta”, de 1999, escrito por Chuck Palahniuk e dirigido por David Fincher, não? É a estória de dois caras que adoram brigar e que por acaso acabam se interessando pela mesma mina.
Ok, não é exatamente sobre isso, mas se você ainda não  viu/leu, aconselho a fazê-lo antes de ler este artigo.

_ _ _ _ _ _ _ _ _ __ Já fez? Então tá, lá vamos nós…

fight-club

Sabe aquelas longas discussões as respeito do filme/livro ser sobre “o anônimo” sendo confrontado pelo Tyler? Esqueça todo esse papo de esquizofrenia e dualidade. O personagem É o Tyler. Tyler e o cara “que a gente não sabe nomear durante o livro/filme” são faces da mesma pessoa. Um é apenas o contraponto do outro. Mas o Tyler é ‘O’ cara! Ele tem aquelas irritantes sacadas certeiras, aquela postura “tô nem ai” que todo mundo gostaria de ter, é um anticapitalista convicto e ativista das próprias ideias, tem um forte poder de convencimento e um sex appeal invejável. Mesmo com aquele ego inflado e narcísico e diante dessa descrição não tão “elogiável”, nós, ainda assim, o admiramos. Conheço muita gente que sonha ser como ele. Até as mulheres o cobiçam (e não é só por ter sido encarnado pelo Brad Pitt)!

Mas, afinal, quem é Tyler Durden? Um fabricador de sabão muito subversivo? Um garçom com um quê de terrorista? Um projecionista exibicionista que inclui o próprio pênis nas películas de filmes que exibe? Um amante sádico, mas convincente? O guru do pré apocalipse capitalista? Um líder louco de uma milícia desajeitada? O idealista de um mundo perfeito?

O Tyler que você vê no filme é isso tudo. Mas o filme nos revela muito mais sobre Tyler nas entrelinhas. E, o mais legal (e que ninguém havia percebido até agora) é que o sr Durden, além de ser um grandessíssimo fanfarrão, é um SOBREVIVENCIALISTA!
E eis os segredos escondidos no filme que provam isto!


Segredo #1: Como ser um gray man
A primeira regra do Clube da Luta é: você não fala que você pertence ao Clube da Luta.
Isso te soa parecido com algo? Sim! É aquilo que todos os sobrevivencialistas gostam de propagar: manter a discrição, ser low profile, um gray man. Então como ser um sobrevivencialista? Simples, não espalhando por ai que você é um sobrevivencialista. Somente os do seu círculo sabem disso. E já está de bom tamanho.
a primeira regra do clube da luta

Nenhum de nós é uma única máscara. Somos várias. No trabalho uma, em casa outra, com os amigos mostramos uma completamente diferente. E quando nos tornamos sobrevivencialistas descobrimos que é importante “manter as aparências” como faz o Tyler. Se ele saísse por aí, escancarando para geral, o seu “plano de destruição”, ele não conseguiria ser tão efetivo, não é mesmo? Então, shhhhhhhhhhhhhhhhhh… não conte nada para ninguém!


Segredo #2: Conhecimento
Todos os sobrevivencialistas sabem que conhecimento não pesa em nossa BOB Bag/mochila de fuga. Taí um dos grandes segredos de Tyler. Quanto conhecimento de quantas coisas diferentes a gente pode ver o sr Durden desfilando desavergonhadamente em nossa cara? MUITA COISA! O cara é uma sumidade! Ele sabe de tudo um pouco e mais um cadinho ainda. É o sonho de todo sobrevivencialista, se dar bem com a sabedoria que se tem. E ele sabe como se safar nesse mundo, graças a todo conhecimento acumulado. E um bocado de jogo de cintura também, claro..


Segredo #3: Lei da sobrevivência
Quem sobrevive ao incêndio no apê? Tyler, é claro! Quem sobrevive à queimadura na própria mão? O Tyler, obviamente! Quem teve a brilhante ideia de montar um mini exército para combater “os males do mundo”? O sr Durden. Quem sobrevivia à base de um ciclo de sono polifásico? Não seria o… Tyler? E quem fundou o Clube da Luta? Quem mais, não é mesmo?
E quem fazia mimimi de tudo isso?…. Tyler também. Aliás, reclamar um pouco da vida faz parte da percepção de que estamos na M. Nós só percebemos que nem tudo são flores, quando a gente está afundando no mangue…


Segredo #4: resiliência
Tyler está sempre dando a volta por cima. Tyler é o exemplo claro do desapego de si mesmo. Fator que o permite se auto flagelar e abstrair da dor.  Ele faz em si mesmo uma queimadura e atinge a iluminação com isso. Ele apanha muito no filme (e bate muito também), dele mesmo e dos outros comparsas do Clube da Porrada Luta. Chega até mesmo a… [SPOILER DETECTED] se matar! E o mais cômico incrível? Ele SOBREVIVE. Pense: o filme nunca foi sobre “auto destruição” e sim sobre a capacidade de auto aperfeiçoamento a partir do conhecimento de nossos limites. E o nome disso é resiliência! Aprender a ser resiliente, ou seja, recobrar-se facilmente, adaptar-se a uma mudança ou a uma situação ruim, é o que fará com que (apenas) alguns sobrevivencialistas sejam sobreviventes!


Segredo #5: Consciência
Vivemos em estado de ilusão continuada. Nossas vidas são mantidas à base de muita mentira. Mentiras que compramos fácil, às quais nos apegamos mais facilmente ainda e da qual é muito difícil se desenredar, pois não vemos mais o inicio do fio da meada. Existem respostas prontas à todas perguntas que não foram feitas por você, mas que martelam sem parar em sua cabeça. Vivemos um sonho imaginando que estamos lúcidos, que seremos jovens para sempre e bem sucedidos e ricos um dia.
É necessário a qualquer um que se julgue sobrevivencialista, buscar esse despertar de nossas prisões inconscientes, padrões sociais, resistências psicólogas e modinhas comportamentais.

Sabe o Grilo falante, personagem adjuvante do famoso Pinocchio? Pois é. Tyler é aquele que fica dando toques sinceros e diretos, sem papas na língua. Ele ativa a percepção do “anônimo”, ao lhe falar verdades ao pé do ouvido. É ele que arranha a superfície polida da realidade e dá as ferramentas para que o ‘outro Tyler’ perceba a M em que está. E é o “Tyler-grilo”, isto é, a consciência de Tyler mesmo, que faz tudo virar de cabeça para baixo. Afinal, para “achar algo perdido” temos que sacudir todos os cantos, abrir e fechar portas e gavetas, tirar coisas do lugar, arrastar aquilo que está imóvel há muito tempo. E foi essa faxina que fez com que ocorresse a iluminação do personagem e ele se percebesse subitamente “uno” (corpo + consciência). Tyler assim consegue adrenalina suficiente para atirar em si mesmo para se salvaguardar. Dele mesmo. Parece loucura, mas já parou para pensar no quanto você é inimigo de si mesmo?

Tyler e Tyler. A consciência de um ampliando a percepção amortecida dele mesmo até o ponto da iluminação e libertação das presilhas do mundo certinho e enfadonho em que ele mesmo vivia. Louco isso, não?

Tyler e Tyler. A consciência de um ampliando a percepção amortecida dele mesmo até o ponto da iluminação e libertação das presilhas do mundo certinho e enfadonho em que ele mesmo vivia. Louco isso, não?


Segredo #6: Dor? Perda?
A dor liberta a alma. Só depois de perder tudo é que ficamos livres para fazer alguma coisa. Ponto final.
Só os sobrevivencialistas entenderão.


Segredo #7: Clube do Bolinha
Há um transbordar de testosterona em todo o filme. Os personagens deixam escorrer todo esse hormônio em cada gota de sangue extraída dos corpos esfolados e das caras surradas. E isso é muito particular de um universo masculino construído socialmente. E digo mais: não precisa ser assim! Nós, as “marlas” do sobrevivencialismo, assim como a personagem do filme, estamos aqui para contrabalançar toda essa over-masculinidade hiper violenta e sem contraponto. Tudo e todos neste universo precisam encontrar um ponto de equilíbrio e o sobrevivencialismo no Brasil parece estar descambando para apenas para uma das faces possíveis. E só para ilustrar e sublinhar esta questão: nossa realidade mundial atual está indo para o buraco justamente pela falta de equilíbrio… .

...Depois da iluminação, a declaração de amor mais sincera de toda a literatura do séc XXI " ...Você me conheceu num momento muito estranho da minha vida...".

…Depois da iluminação, a declaração de amor mais sincera de toda a literatura do séc XXI ” …Você me conheceu num momento muito estranho da minha vida…”.


Segredo #8:
 Caos
Não temos ideia do que é autonomia. Não decidimos nada sobre nossas vidas. Nossas vidas são puro vazio, seguido de compra, consumo e descarte. Temos profundo medo da dor e tememos nossa companheira diária: a morte. Somos um nada com pretensão de ser tudo: ricos, felizes, sortudos, brilhantes, saudáveis, fortes, bonitos, geniais, desejáveis. Cadáveres adiados que passam perfume todo dia. Micronésimo de nada nessa galáxia insignificante que petulantemente se intitula o “topo da cadeia alimentar”. É a ansiedade sobre a nossa finitude que nos faz mentirmos para nós mesmos. Tudo que foi construído ao nosso redor é para nos fazer esquecer que teremos um fim e isso nos transforma em bovinos, apascentados, vendidos, prostituídos, usados, enganados.

É por isso que Tyler se revela no caos. Ele sabe que essa realidade construída só existe porque a mantemos assim. Ele é tudo que não tivemos coragem de ser. É ele que mostra “Pare de tentar entender!”. Arrisque-se. Enfrente. Sofra. Apanhe. Sinta de verdade. Apanhe de novo. Engula seu sangue. Sinta seus músculos derreterem. Desapegue-se. Saia do “eterno sofá macio” que sua vida se tornou. Adentre o caos. Morra e renasça o “você mesmo” que você ainda nem conhece.

Ser sobrevivencialista é saber que tudo, a qualquer momento será apenas pó. E ainda assim, sentir-se bem com isso e prosseguir confiante!

O Clube da Luta é um universo inóspito, sujo, sangrento, masculinizado, violento. Demonstra quanta inadequação pode subsistir num mundo falseado, apartado do natural, fabricado e dicotomizado por nossos antecessores egoicos com mania de dominação mundial.

Mas espere! Não estamos falando de um mero livro ou filme, mas do mundo em que vivemos! Bem vindo à sua vida fabricada!

Estar deslocado e apartado de si mesmo é muito fácil. Manter-se neste estado é burrice. Mas então… como despertar deste torpor? O que você vai fazer sobre isso?

Eu quero ser Tyler Durden. E você?


Fonte: 

A Sobrevivencialista


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