Colapso da civilização: você está preparado?

Colapso da civilização

Colapso da civilização: você está preparado?


Este é um texto traduzido e não reflete a opinião desta autora. Os trechos entre colchetes [] revelam meus comentários particulares ou as chamadas à  uma reflexão mais profunda.

 

Eu vou sobreviver[1]

Depois do crash financeiro, o colapso da economia global [‘The Crunch’, ocorrido entre 2007-2008], o comércio paralisou, a rede de energia foi desligada e papel moeda tornou-se inútil. Revoltas tomaram conta dos centros urbanos. Saqueadores pilharam. Americanos voltaram a cultivar seu próprio alimento e fazer trocas com os seus vizinhos. Aqueles que não conseguiram estocar feijão e balas rapidamente ficaram famintos e indefesos. A “Grande Extinção” que atingiu a Flórida foi especialmente difícil. Milhões de aposentados morreram de fome ou de doenças crônicas depois que o governo parou de pagar suas pensões e remédios.

Jake e Janelle Altmiller sobreviveram. Eles eram pessoas práticas, que sabiam como limpar um rifle e instalar painéis solares no telhado. Mas mesmo para eles, a vida era estressante. A irmã de Janelle, Rhiannon, estava trabalhando como missionária nas Filipinas, que estava sendo invadida por radicais islâmicos da Indonésia. Nem telefones, nem a internet funcionavam corretamente. Como poderia Janelle descobrir se sua irmã estava viva? E como qualquer um deles poderia sobreviver em um mundo que estava caindo aos pedaços?


No começo, eu estava com medo

Os leitores sempre gostam de tramas pós-apocalípticas, tipo as de Mary Shelley, “O Último Homem“, de 1826, ou como a de Cormac McCarthy, “A Estrada“, de 2006. O que torna “Expatriates: a Novel of the Coming Global Collapse”, [ainda não publicado em língua portuguesa] diferente é que seu autor não está somente contando uma história. James Wesley, Rawles – assim mesmo, com vírgula – acha que a sociedade moderna está realmente propensa a entrar em colapso. Ele quer que os leitores levem a literatura dele a sério, e que estejam preparados.

Ninguém sabe quantos sobrevivencialistas e preparadores existem na América do Norte. O escritor James Rawles afirma que seu blog, o “SurvivalBlog“, que oferece dicas práticas para permanecer vivo após o fim do mundo como nós o conhecemos (TEOTWAWKI), tem 320.000 leitores por semana. O “The American Preppers Network“, um grupo guarda-chuva para aqueles que veem nuvens de tempestade em todos os lugares, afirma que tem 52.000 membros; e ninguém sabe qual é a fração do total que isso representa. O movimento é descentralizado e cheio de pessoas que valorizam a própria privacidade. “Você não quer ser reconhecido como ‘o cara que tem suprimento de alimentos para quatro anos escondido no porão’. Porque um dia você poderia ver isso tudo ser confiscado pelo governo ou roubado pelos vizinhos, esses gafanhotos famintos”, diz o autor: “No caso de um desastre, eu não quero acordar e ver o meu quintal cheio de tendas e yurtas”.

Se o seu vizinho é um preparador, você pode nem saber disso. No entanto, a imagem estereotipada de um sobrevivente como uma pessoa solitária trajando um uniforme de combate acocorado em um bunker remoto, é claramente irreal. Alguns realmente vivem em ambientes rurais, mas a maioria tem empregos [sic[2]], o que significa que muitos vivem em cidades ou áreas urbanas.[será que ele quis dizer que ser roceiro é  igual a ser vagabundo?] Os sobrevivencialistas – um grupo que é ao mesmo tempo caracteristicamente americano  e ainda assim marginalizado e execrado – são muito mais diversificados do que você possa imaginar.


Eu estava petrificad@

Jason Charles, um bombeiro afro-americano que mora em Nova York, lidera um grupo de preparadores que se reúnem nos fins de semana para praticar habilidades de sobrevivência e debater ameaças iminentes: além de ser um grupo variado, sobrevivencialistas são muito mais sociáveis do que eles mesmo pensam que são. Jason começou a ler SurvivalBlog há vários anos e rapidamente percebeu que, por exemplo, James Rawles tem um rancho “esses caras não vivem em Nova York”. Jason no entanto, vive em um apartamento no Harlem. Isso exclui a possibilidade de autossuficiência: onde ele iria plantar milho ou criar porcos?

Poucas semanas antes da primeira vítima do Ebola morrer nos EUA, Jason e duas dúzias de outros reuniram-se em uma igreja para discutir como se preparar para uma epidemia. E ele tem feito a lição de casa: sabe sobre os diferentes estirpes do Ebola, os modos de transmissão e taxas de mortalidade.

Ele tem certeza de que ninguém na sala confia na mídia ou que o governo será de alguma ajuda. Ele adverte as pessoas para se prepararem para o pior. Se o Ebola abater Nova York, “em algum momento você vai querer ‘bug in’ [refugiar-se em seu apartamento] ou ‘bug out’ [ou seja, fugir]. Se milhões de nova-iorquinos estiverem morrendo de Ebola, e você quiser escapar da cidade, é melhor ter um veículo tipo ‘bug-out’ preparado, abastecido e pronto, que possa conduzi-lo a um refúgio pré definido no campo”.

Se você não tem para onde ir, deve ficar em casa. E se assim for, você vai precisar de comida, água, além de fita adesiva, sacos de lixo e areia (para usar como banheiro improvisado). Apague a luz durante a noite, para que você não revele sua posição e distância, caso haja saqueadores rondando. Tenha abundância de entretenimentos – “Eu garanto, é melhor você ter com o que ocupar sua mente”, diz Jason. Se um amigo aparecer, coloque-o em um ‘quarto de quarentena’. (Não vede completamente o compartimento ou ele vai achar difícil respirar).

Aspectos práticos horripilantes são confrontados com franqueza. Se você precisar livrar-se de um cadáver, por exemplo, coloque plástico em cima da cama, enrole o corpo, vede com fita adesiva. E, se você não tem nenhum lugar para enterrá-lo, deixe o ‘pacote’ no meio-fio, com o nome do falecido e data de nascimento escritos no saco. (Não escreva o número da segurança social, para que ninguém roube a identidade do homem morto) [essa dica serve apenas para os EUA].


Mas eu cresci forte

O grupo do bombeiro James fala muito sobre equipamentos: “Dá para comprar um painel solar preso por correias às costas para que você possa carregar o celular ao fugir da cidade? Ou um “waterbob”, um saco de plástico que cabe dentro da banheira e pode armazenar 100 litros de água? O clube conseguiria comprar máscaras de gás a preços mais em conta, se adquirissem em grupo?”. Essas são dúvidas corriqueiras.

Sobrevivencialistas adoram este tipo de debate.[quem não gosta de falar de gadgets, de qq tipo e para qq uso, não é deste planeta kkk] O blog do escritor James Rawles tem intermináveis discussões sobre os méritos de diferentes rádios ou tipos de proteção corporal, ou a melhor maneira de construir uma “safe room”(sala segura) ou defumar um peixe sobre uma fogueira. Há também muitos anúncios como os das lojas online GunMagWarehouse.com (“a maior seleção de itens em estoque em qualquer lugar do país”) e da SafeCastle.com (“Prepare-se seriamente com um abrigo de aço da Safecastle”). Os livros de Rawles tem quase tantos conselhos (e isenções de responsabilidades), quanto os manuais de instrução que publica: “alguns dos dispositivos descritos nesta publicação são possivelmente ilegais em algumas jurisdições.”

Muitas cidades americanas têm leis rígidas de controle de armas, o que é frustrante. E sobrevivencialistas urbanos enfrentam outras dificuldades. “Você tem que se adaptar”, diz o bombeiro Jason Charles. Nos cantos e armários de seu apartamento ele empilhada latas de feijão e salsichas, sacos de açúcar, arroz e macarrão, e uma variedade de equipamentos úteis. Ele tem um tanque de água potável no corredor, um kit de primeiros socorros, um fogão portátil e uma besta, que ele ainda não se deteve a montar. Ele tem mais comida em outra localidade nas proximidades e um bote inflável se precisar escapar pelo o rio, caso as pontes estejam bloqueadas ou em chamas. Seu “Bug-out-Bag” (mochila de fuga) está sempre pronto.

O bombeiro Jason escreveu seu próprio guia: “O essencial para as mochilas de emergência: Tudo Que Você Precisa para fugir”. Mas seus editores queixaram-se de que a mochila era muito pesada. Ele mesmo não achou isso, mas talvez porque ele esteja acima dos padrões: ele é um homem de ferro, enorme. Seu correspondente aqui [e autor desconhecido deste texto] um dia tentou ajudá-lo a levar a mochila dele para o carro. Parecia que havia um piano dentro. Ela estava cheia de sacos de areia molhada, item que o bombeiro gosta de usar para subir e descer escadas.

O sobrevivencialismo tem uma longa história nos EUA. Os primeiros colonos foram sobrevivencialistas, embora ainda não existisse o termo. Eles construíram suas próprias casas, plantaram a própria comida, e encheram seus depósitos com qualquer suprimento que pudessem, sabendo que se não o fizessem, isso poderia ser fatal.[…mas então o sobrevivencialismo tem uma longa história tb no resto do mundo, afinal o colonialismo não aconteceu só nos Estados Unidos…] Os pioneiros que viajaram para o Oeste no século 19 esperavam encontrar dificuldades e perigos. Aqueles que foram bem armados e bem preparados foram os mais propensos a sobreviver.

Os sobrevivencialistas de hoje inspiram-se nos pioneiros. Eles olham para a civilização moderna, mesmo com toda a sua opulência, e veem um castelo de cartas. Muitos têm uma veia puritana: deixar que outras pessoas plantem o alimento que você come ou que derrube árvores para você é, de alguma forma, um pouco covarde, fraco. “Vivemos numa sociedade mimada que não sabe como mudar a chave para os padrões de vida do terceiro mundo”[oi?], lamenta James Rawles, o escritor.

Há um tom religioso para alguns preparadores também. Os americanos são mais religiosos do que as pessoas em outros países ricos [sic]. Cerca de quatro em cada dez esperam Jesus retornar em 2050, e, embora o Livro do Apocalipse seja pouco claro sobre os detalhes, muitos pensam que a Segunda Vinda será precedida por uma “Grande Tribulação” envolvendo terremotos, inundações, fome, o surgimento do Anticristo e a morte da maioria da humanidade.

Tim LaHaye, autor de “Left Behind”, romance cristão em série sobre o ‘fim dos tempos’ já vendeu 65 milhões de cópias. Pregadores na Igreja Batista de Westboro, em Topeka, Kansas, argumentam que Barack Obama é o anticristo, o que implica que o fim deve estar muito próximo, de fato.

Se a civilização entrar em colapso, o escritor James Rawles estará pronto. Ele vive em um local secreto em algum lugar no “American Redoubt” [Reduto Americano], nome cunhado por ele para uma área que inclui Idaho, Montana, Wyoming e partes do estado de Oregon e de Washington. Ele argumenta que esta região pouco povoada e de clima temperado será o refúgio mais seguro quando a ordem vigente se romper. Ele divide seu tempo entre a própria preparação para o apocalipse e aconselhamentos para que outros possam fazer o mesmo. Além de livros de ficção e blog, ele escreve manuais de instruções como o “How to Survive The End Of The World As We Know It” [não publicado no Brasil] e também oferece consultoria individual. Por razões de segurança o escritor recusa-se a ser entrevistado pessoalmente, mas ele é amigável e articulado ao telefone.[e porque não seria, não é mesmo? Sobrevivencialistas não são monstros anti sociais…]

Quais gadgets/itens sobrevivencialistas você considera importante par o "fim-do-mundo". Essa é a configuração apocalíptica do ilustrador Adam Quest.

Quais gadgets/itens sobrevivencialistas você considera importante ter para quando cehgar o “fim-do-mundo”?  Essa é a configuração apocalíptica do ilustrador Adam Quest.

 

E eu aprendi como seguir em frente

As razões que os sobrevivencialistas dão para pensar que a civilização pode estar prestes ao fim, vem mudando ao longo do tempo. O autor James Rawles lembra quase todos eles. Ele cresceu na Califórnia na década de 1960. Seu pai trabalhou para o Laboratório Nacional Lawrence Livermore, uma instalação de pesquisa nuclear. Ele se misturava aos demais filhos dos funcionários, que [obviamente!] fabricavam bombas nucleares. Seus vizinhos, conscientes da ameaça de guerra nuclear, tinham construído muitos abrigos. “Eu suponho que fosse inevitável começar a pensar sobre preparação”, comenta James. Quando era adolescente, ele arrumou seu primeiro “bug-out-bag”. “Eu pensei que eu iria desaparecer na floresta com uma mochila e uma pistola”, diz ele. “Isso não foi muito realista, mas pelo menos eu tinha um plano”.

Quando adulto, James entrou para a Reserva do Exército, onde trabalhou como um oficial de inteligência durante a guerra fria. Peneirando informações, ele chegou a algumas conclusões alarmantes: sociedades pobres são frágeis, mas quando a eletricidade falha, eles continuam como antes, sociedades ricas, por outro lado, não estão preparadas para funcionar sem energia. “Se acabar energia por uma semana, as pessoas atacariam as gargantas umas das outras”, prevê. Sem eletricidade as casas no norte se transformariam em congeladores e as do sul se transformariam em saunas úmidas.

A sociedade americana [e o resto do mundo também!] tem crescido muito dependente, não só da tecnologia, mas também de uma cadeia complexa de abastecimento, que muitas das vezes se estendem “para além das nossas próprias fronteiras”. Para manter os estoques baixos e reduzir os custos, as empresas vêm contando com a entrega imediata. Em caso de ocorrer um desastre que interrompa tudo isso, as pessoas podem rapidamente ver-se sem remédios, comida e tudo aquilo que não tiver sido estocado previamente.

Então, como poderia TEOTWAWKI acontecer? Uma das maiores ameaças, segundo o referido autor, poderia ser uma enorme explosão solar. A última grande, ocorrida em 1859 e conhecida como o “Evento Carrington”, deixou linhas telegráficas fora do ar. Um desastre similar hoje iria “fritar os circuitos” de dispositivos eletrônicos e derrubar a rede elétrica “de ponta a ponta”. Levaria anos para reativar. Talvez matasse 60% da população americana, prevê James Rawles. E isso é apenas uma das possibilidades aterradoras. As outras listadas em “How to Survive The End Of The World As We Know It” incluem: depressão econômica por hiperinflação, depressão deflacionária, terrorismo biológico, guerra nuclear, embargo do petrolífero, terremotos, erupções vulcânicas e até um possível asteroide.

Mesmo esta lista não é exaustiva. Sobrevivencialistas muitas das vezes ouvem as notícias e extrapolam [sic!!]. Quando houve o tiroteio promovido por um adolescente negro em Ferguson, Missouri, o evento provocou revolta e muitos decidiram comprar outra arma, caso houvesse uma possível futura ilegalidade no porte de armas. Quando o furacão Katrina atingiu Nova Orleans e saqueadores correrem livres e selvagens por alguns dias em 2005, muitos concluíram que a civilização ocidental é um verniz que pode de repente dar lugar ao caos.[e não é isso mesmo? Acontece constantemente no mundo todo!]


Você acha que eu ia deitar para morrer?

Sobrevivencialistas variam politicamente, assim como estão dispersos geograficamente, e as suas opiniões colorem suas fantasias apocalípticas [SIC!!!!]. Muitos são conservadores, preocupados com a criminalidade, o terrorismo e hiperinflação e a certeza de que o estado não pode ser invocado para proteger os cidadãos comuns. Mas alguns são ambientalistas, convencidos de que o planeta, diante de tantos abusos, se torne em breve inabitável. O movimento é suficientemente amplo para abranger qualquer pessoa que suspeite que o desastre é iminente, por qualquer motivo. Costumavam ser, na sua maioria, “crentes e conservadores cristãos”, diz Rawles, “Mas agora temos um monte de esquerdistas vestindo birkenstock e mastigando alfafa”. E ele acrescenta: “Quanto mais, melhor”.

O que realmente diferencia os sobrevivencialistas uns dos outros não é o porque eles se preparam, mas quão bem fazem isso. Urbanóides que enchem um armário com rações militares estão em uma extremidade do espectro. O sr. James Rawles está na outra. Ele pensou muito sobre onde construir seu “Plano B“. Ele encontrou um lugar isolado, com um bom suprimento de água fresca, em um estado com leis de armas permissivas. Fica a 25 minutos de uma pequena vila e duas horas para um local bom para fazer compras. O local é cercado por uma floresta: “Você pode selar um cavalo, passear por milhas e não ver ninguém”. Ele cria gado, incluindo yaks tibetanos. Os filhos do autor são educados em casa. Ele também tem painéis solares para quando a energia falhar, e três anos de suprimentos armazenados. “A família média americana tem estoque doméstico para apenas três dias”, diz ele, apenas mascarando seu desprezo.[sic] Ele também está bem armado.

Quando houver um colapso civilizacional, ele prevê, o mundo vai voltar ao escambo. Compre prata, ele aconselha; o ouro é valioso demais para pequenas transações. E comprar lotes de diferentes tipos de munição para negociar, porque o cara de quem você quer comprar gasolina ou aves podem não usar o mesmo calibre de arma que a sua.

Um dos problemas mais comuns que preparadores enfrentam é a resistência da própria família. Muitos “têm um cônjuge que duvida, ou na melhor das hipóteses coloca a preparação apenas como um hobby”, diz Rawles.

Nisso, ele e o bombeiro em Nova York, concordam. Quando o bombeiro Jason iniciou as suas preparações, ele aplicou o dinheiro adquirindo refeições de longa duração e vem “tentando convencer” a esposa de que a ação é acertada. Se der alguma M, no entanto, ela e as crianças concordam que fugiriam com ele. Até o cão levaria a sua própria comida e tigela dobrável, em sua própria mochila de fuga afivelada ao corpo.

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“Até o cão levaria a sua própria comida e tigela dobrável, em sua própria mochila de fuga afivelada ao corpo.”


Oh não, não eu

Alguns americanos acham sobrevivencialistas ‘sinistros’. Depois que Adam Lanza atirou em 26 pessoas em uma escola em Newtown, Connecticut, em 2012, a mídia fez grande alarde sobre o fato de que a mãe de Adam era uma preparadora que estocava armas e munições. No entanto, não há nenhuma evidência de que preparadores em geral, sejam mais perigosos do que qualquer outro cidadão.[isso nem deveria ter sido especulado] Pelo contrário, em caso de desastres naturais, é útil ter vizinhos que sabem como proteger uma casa durante tempestades ou que possuem ataduras de sobra.

Tom Martin do American Preppers Network, um caminhoneiro que fez as entregas das ajudas às vítimas do furacão Ike no Texas, ficou surpreso ao ver pessoas que não eram pobres entrando em fila para pegar água engarrafada. “Por que não estavam preparados? Será que eles perceberam que existiam 30 galões em seu tanque de água quente?”.

A Federal Emergency Management Agency (Agência Federal de Administração de Emergências) exorta a todos os norte americanos a terem um kit de preparação para catástrofes, contendo comida suficiente, água e outros suprimentos para durar 72 horas. Este é um conselho sensato, e preparadores ter aí um bom argumento quando eles zombam daqueles que ignoram essa dica.

Contudo, armazenar suprimentos para muitos anos é caro, e para evitar o desperdício, você vai acabar tendo que comer um monte de ravioli enlatado [acho que @ jornalista nunca ouviu falar em  “diversidade” de comida ou em “rodízio” para as armazenagens] O tempo gasto construindo um bunker à prova de saqueadores ou aprendendo a moer a sua própria farinha é o tempo que você não gastou lendo Shakespeare ou jogando tênis. [jura?] Se você acha que moer farinha é mais legal que jogar tênis, tudo bem.[jura²?] Se praticar técnicas de sobrevivência na mata te dá fortes emoções, vá em frente.[alguém precisa de tua autorização, mané?] Mas se não for este o caso, você precisa pesar os custos de se preparar para uma possibilidade de apocalipse. [jura³?][HáHáHá]

Um asteroide poderia eventualmente cair na Terra e matar todos. E um terrorista pode deixar uma bomba em uma cidade grande. Mas a ideia de que a sociedade moderna está a um passo do colapso, parece-me inverossímil.[e os exemplos anteriores são a descrição do quê? “Equilíbrio, amor e paz na terra”?] O crash financeiro [chamei de “Grande Depressão 2.0”, depois do ocorrido nos idos de 1920] foi catastrófico, mas não levou nem à fome, nem a derramamento de sangue.[opaaaa, espera ai? E o primeiro parágrafo deste texto? Joga fora no lixo?] O Ebola devastou partes do oeste da África, mas os países ricos parecem perfeitamente capaz de contê-la [sic!!!!]. Mesmo um tsunami seguido por um colapso nuclear no Japão, por mais horrível que tenha sido, não causou a restrição na economia global. [em que planeta essa pessoa vive???][Empatia ZERO]

A civilização é robusta porque depende, em primeiro lugar do que está na cabeça das pessoas. É por isso que o Japão e a Alemanha foram capazes de reconstruírem-se tão rapidamente após a segunda guerra mundial, apesar de suas cidades terem sido reduzidas a cinzas. É por isso que Nova Iorque recuperou-se rapidamente após os ataques de 11 de setembro de 2001. É por isso que Nova Orleans é hoje perfeitamente segura (e bastante maravilhosa) para visitar.

Ainda assim, se os otimistas (como seu correspondente aqui) estiverem errados, os sobrevivencialistas rirão por último. Mas “rir” talvez não seja a palavra certa. “Em uma sociedade pós-colapso”, diz James Rawles, “eu não saberei o que estará acontecendo além do meu rancho”. O medo, a incerteza e a dúvida serão esmagadores.



Artigo original em inglês: “I will survive. When civilization collapses, will you be ready? publicado no The Economist Journal, Nova York, 20/12/2014


[1] Os subtítulos são uma brincadeira com a música de Gloria Gaynor, “I will survive”. Mas o tom de zombaria, que se torna escracho disfarçado de preconceito, só se torna efetivamente claro a partir de certo ponto do texto. Não se pode esperar muito da mídia. Infelizmente não é sabido o nome do autor.

[2] Sic é um advérbio latino que significa literalmente ‘assim’. É usado internacionalmente para indicar ao leitor que aquilo que ele acabou de ler, por errado ou estranho que pareça, foi dito “assim mesmo” pelo autor do texto original. Adicionado de uma exclamação, o termo enfatiza o posicionamento de quem fez uso do sic -[sic!]): isto é, demarca o MEU ultra estranhamento com relação a posições preconceituosas, mal embasados com relação a dados concretos ou utilizados de forma errônea sobre certos assuntos. Embora não tenha sido usado aqui, também é possível fazer uso somente exclamação ou interrogação entre parênteses – (!), (?).




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