O INSTINTO DA SOBREVIVÊNCIA


 

O INSTINTO DA SOBREVIVÊNCIA



Considerações iniciais

Não é novidade ouvirmos que vivemos em uma sociedade extremamente violenta e, infelizmente, cruel. Brigas de trânsito, desentendimento entre colegas e qualquer desavença de ideias entre pessoas já podem se tornar o motivo para um caloroso “bate boca” e quem sabe se desenvolver para um final catastrófico.

Ocorre que a natureza humana é algo bastante complexo, que permanece sendo influenciada diuturnamente por diversos elementos que farão o ser humano tomar determinadas medidas que às vezes são desproporcionais à ocasião. Por outro lado, essa desproporcionalidade também poderá ser a causa que o manterá vivo.

Em apertada síntese, isso quer dizer que homem pode e deve se defender para sobreviver, pois para viver deve “valer tudo”. Porém como todo homem encontra-se dentro de uma sociedade civilizada, as medidas de autodefesa devem sempre serem tomadas com moderação e sem emoções pessoais como a vingança, por exemplo. Para isso o homem precisa, além de controlar seus instintos, cumprir o arcabouço de regras da sociedade a que pertence. E isso não é uma tarefa fácil.



A Natureza humana

O princípio da natureza humana reside na sobrevivência e os seres humanos estabelecem domínios a fim de a garantir: a família, a nação, a raça e a espécie.

A necessidade de se defender e de caçar desenvolveu, de forma natural, o instinto de sobrevivência da espécie humana em toda a sua história. Durante milhões de anos, o homem usou suas armas naturais, ou seja, suas mãos e seus dentes para sobreviver, caçando ou mesmo se defendendo de outras espécies e, algumas vezes, até mesmo de outros humanos.




Sobre o assunto, Ana Lúcia Santana explica:

O homem, em sua evolução, passou por várias etapas. No princípio, quando ainda mantinha um estreito parentesco com os animais, nele predominavam os instintos. Mais tarde, as sensações e emoções se tornaram determinantes. Quando já se encontrava mais avançado em sua caminhada, o ser humano passou a valorizar os sentimentos. Isso não significa, claro, que o indivíduo tenha se despojado de todos os instintos, sensações e emoções, pois eles são extremamente necessários para a manutenção da vida humana. Cada uma destas fases existenciais tem sua função primordial para a sobrevivência da humanidade. 1

O instinto, do latim instinctu, é algo inato ao ser vivo, um tipo de inteligência no seu grau mais primitivo. Ele guia o homem e os animais que possuem um grau mais elevado em sua trajetória pela vida, nas suas ações, visando justamente a preservação do ser. Os instintos são adquiridos nas experiências vividas, no confronto com determinadas situações e nas respostas a elas, e então herdados pelas gerações posteriores. Eles se manifestam nos homens, na maior parte das vezes, através das reações a certas emoções.

Como descendemos dos macacos, alguns comportamentos humanos foram bastante impregnados por nossos ancestrais, porém não há dúvidas de que temos muito mais de selvagem do que nós mesmos cremos. Na verdade, o instinto é construído de elementos humanos herdados, de ação, desejo, razão e comportamento. Ou seja, o nosso instinto provavelmente foi formado durante nosso tempo na mata.



O Autocontrole – Equilíbrio do instinto

É fundamental para a conservação da raça humana a existência do instinto, pois será o instinto que nos motivará para agir quando necessário. Porém o homem não deve mais, na conjuntura atual em que vive, ser dominado pelos instintos, caso contrário ele estará se animalizando e fatalmente poderá cometer atos extremamente violentos.

Nas precisas explicações de Ana Lúcia, o instinto pode ser convertido em inteligência quando o indivíduo consegue agir movido pela vontade e pela decisão própria, não mais apenas por impulsos. Quando o sujeito age baseado primordialmente nestes, ele está atuando, segundo Sigmund Freud, no campo do princípio do prazer – aliás, esta concepção freudiana causou uma grande polêmica na época, pois a sociedade vitoriana não podia admitir que parte do seu ser era comandado, nos momentos de gozo e volúpia, por impulsos irresistíveis e repetitivos, independentes de sua vontade, e não por razões mais nobres. 2

Ana lúcia completa que “há várias espécies de instintos, mas basicamente a psicanálise, fundada por Sigmund Freud, determina dois instintos principais, em luta constante dentro de cada um de nós – Eros, na esfera da vida; e Thanatos, na da morte.” Segundo a especialista “eles governam nossas tendências naturais para a construção e a destruição. É essencial que eles estejam em equilíbrio, para que tenhamos um desenvolvimento mental e emocional saudável”. 3



Conclusão

O conteúdo deste pequeno e singelo artigo torna-se bastante relevante, pois discorre sobre uma complexidade de ações internas que o ser humano pode vir a sofrer ao ser colocado em uma situação de estresse que inclusive possa ameaçar a sua vida. Sendo assim, foi elencada de forma bastante sucinta, explicações técnicas de especialistas sobre o tema.

Isto posto fica bastante claro, pelos tópicos anteriormente elencados, que os instintos, quando se desviam de sua trajetória considerada normal, são convertidos em pulsão – impulso do inconsciente que leva o indivíduo à ação com o objetivo de anular um estado de tensão. Sendo este impulso o responsável por vários desfechos exitosos ou catástróficos.

Fernando Nogueira Costa 4 aborda com maestria sobre a imprevisibilidade do comportamento humano, esclarecendo que o mesmo é instável e imprevisível. Ainda complementa que as possibilidades de comportamento diário são infinitas e que ele está à mercê de muitas forças que não controla e que o empurram de um lado para outro.

Novamente, na concepção Nogueira, algumas forças biológicas, cognitivas e culturais se anulam, outras pressionam para uma mesma direção. Segundo o especialista, é inteiramente impossível que duas tendências de instinto ajam de modo igual e contrário.

Outrossim, ao portarmos uma arma na cintura, deveremos ter a consciência de como está o nosso estado mental e como estamos lidando com os problemas atuais.

Está bastante claro que possuímos um mecanismo adaptativo em que coexistem a competição e a cooperaçãoO desafio é tentar desembaraçar essas forças, explicar suas origens, saber conviver com as mesmas e por fim sobrevivermos em qualquer circunstâncias, não sendo vítimas de nós mesmos.


(1) (2) (3) https://www.infoescola.com/psicologia/instinto-humano/

(4) https://fernandonogueiracosta.wordpress.com/2013/03/04/instinto-humano-como-os-nossos-impulsos-primitivos-moldaram-o-que-somos-hoje/


Fonte: 

Infoarmas




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