"Ultima Ratio Regum" - Quando acabar a saliva; tem a pólvora.

Ultima Ratio Regum

“Ultima Ratio Regum” – Último Recurso do Rei.
Em uma tradução livre feita pelo Presidente Bolsonaro – “Quando acabar a saliva; tem a pólvora”.


O significado de Ultima Ratio é “Ultima Razão” ou “Último Recurso” ou seja, a expressão indica um argumento decisivo, sendo o último instrumento que será usado pelo Estado, quando ocorrerem situações de extrema necessidade. Há ainda a expressão “Ultima Ratio Regum“, que tem como significado “Última Razão ou Último Recurso dos Reis”.


Esta frase tinha seu uso antes de intervenções militares, sendo uma última chance para que o inimigo soubesse que após isso haveriam ataques armados.

Assim, ela era utilizada quando as conversas, (diplomacia para convencer o inimigo a parar os ataques), já não eram eficazes.
A frase – “Ultima Ratio Regum“, foi gravada nos canhões de Luís XIV, rei da França.


Antes de tudo, esteja armado” – Maquiavel
Mantenha mente e coração abertos, mas a guarda sempre fechada.” – Autor desconhecido.
Confie em Deus e mantenha seca a sua pólvora“. – Oliver Cromwell
Si vis pacem, para bellum” é um provérbio em latim. Pode ser traduzido como “Se quer paz, prepare-se para a guerra” – Uma sociedade forte, com plena capacidade de defesa é menos propensa a ser atacada por inimigos.
A frase é atribuída ao autor romano do quarto ou quinto século, Flávio Vegécio.

Melhor traduzido, de forma simples pelo Presidente Jair Bolsonaro – “Quando acabar a saliva; tem a pólvora“.





Tal conceito tem origem com o Rei da Inglaterra Eduardo III, que introduziu duas novas armas no campo de batalha pela primeira vez: o arco longo e o canhão. Em 26 de agosto de 1346, os exércitos inglês e francês se encontraram na batalha em Crecy, no norte da França. Liderado pelo Rei Filipe de Valois, o exército francês contava com mais de 40.000 homens, enquanto o exército inglês liderado por Eduardo III consistia em menos de 20.000 homens.


Sobre o arco longo, flechas e arqueiros

Arcos – Um arco é um segmento de círculo flexível que atira projéteis aerodinâmicos chamados de flecha. Uma linha une as duas pontas do arco e quando essa linha é puxada as pontas do arco são flexionadas. Quando a linha é solta, a energia potencial do arco flexionado se transforma na velocidade da flecha.


Muitos especialistas concordam que os arcos e flechas foram provavelmente inventados há cerca de 64.000 anos. Isso foi antes da roda ser inventada!


Um arco longo (em inglês: Longbow) é exatamente o que parece: um arco muito alto e de membros retos. Em alguns casos, os arcos longos são quase tão longos quanto à altura da pessoa que o empunha, pouco recurvado ou quase reto e com braços relativamente finos, de secção circular ou em “D”.

 Tipicamente feito em uma única peça de madeira natural! Poucos esportistas e caçadores hoje usam arcos longos porque são difíceis de transportar em mato pesado e requerem muita força

(peso de tração ou tração máxima da corda, de um arco longo inglês típico, ele era de pelo menos 360 Newton ou 81 libras-força e possivelmente mais de 600 N ou 130 libras f. O arqueiro precisará sustentar um peso de aproximadamente 61 kg de força para envergá-lo) e muita prática para atirar com precisão.


As estimativas, sobre tamanho e potência dos arcos longos ingleses, foram feitas da escavação do navio – Mary Rose , onde arcos foram encontrados variando de comprimento de 1,87 a 2,11 m (6 pés 2 pol. A 6 pés 11 pol.) Com um comprimento médio de 1,98 m (6 pés 6 pol. ) Arco longo inglês. Sendo o comprimento e uma flecha de 3 pés (910 mm).



Nota: Em termos de comparação um arco longo moderno tem uma tração máxima da corda inferior a 50 Kg. Para conseguir tracionar mais peso na corda há necessidade de se fortalecer não somente os músculos, mas também o tendões.

O material preferido para fazer o arco longo era o Teixo (Taxus baccata) , embora Freixo (Fraxinus excelsior), Olmo (Ulmus minor) e outras madeiras também fossem usados.
As cordas do arco são feitas de cânhamo , linho ou seda e presas à madeira. A união da flecha com a corda é feita por meio de “nocks” de chifre.


Uma grande variedade de flechas podiam ser disparadas do arco longo inglês. Variações de comprimento, penas e cabeças. Sua maior diversidade está nas flechas de caça, com variedades como flecha larga, flecha-lobo, flecha-cão, flecha galesa e flecha escocesa. As flechas de guerra foram encomendadas aos milhares para os exércitos e marinhas medievais, fornecidas em feixes normalmente de 24 flechas. Por exemplo, entre 1341 e 1359, a coroa inglesa obteve 51.350 polias (1.232.400 flechas).


O alcance do arco longo em batalha foi estimado em 180 passos aproximadamente 126 m, de acordo com as estimativas feitas pelos arcos encontrados no navio Mary Rose.
Taxa de disparo de 5 a 10 flechas por minuto, sendo comum uma taxa de 6 flechas por minuto. Lembrar que o arqueiro tinha que tracionar mais de 60 kg para cada disparo. Em batalha os arqueiros carregavam de 60 a 70 flechas cada um.


Estátua de Robin Hood no Castelo de Nottingham – Inglaterra

De modo geral os arqueiros não faziam parte das operações militares até a batalha de Crecy, mas tais homens sempre estavam a disposição sendo seu treinamento feito desde muito novos, onde a potência dos arcos eram aumentadas conforme o desenvolvimento muscular e dos tendões, nas caçadas e diversos torneios de tiro muito comuns na Inglaterra medieval. Seriam os CAC – Caçadores Esportivos, Atiradores Esportivos da época.

Desnecessário dizer que as florestas de Teixo, bem como a criação de gansos, para fornecimento de penas para as flechas eram estratégicas.

A importância do arco longo na cultura inglesa pode ser vista nas lendas de Robin Hood, que cada vez mais o retratou como um mestre arqueiro, e também em “Song of the Bow”, um poema da The White Company de Sir Arthur Conan Doyle . E do livro – Toxophilus ( Termo criado pelo autor significa: “um amante do arco”) e foi dedicado ao rei Henrique VIII.

Sendo que, os ingleses tem por costume mostrar dois dedos (dedos indicador e o médio, fazendo um V) ao invés de só um, o médio. Deriva do costume da Idade Média, esta era uma forma de ofender os franceses e lembrá-los que os arqueiros foram responsáveis pela vitória decisiva nas batalhas.



Sobre pólvora

Hoje em dia sabemos que a mistura de enxofre, salitre e carvão – pólvora negra foi descoberta pelos chineses no século I, na dinastia Han, por monges Taoistas e alquimistas que procuravam o elixir da vida eterna.


Mas na idade média seu conhecimento se dá por volta de 1248 d.C., o monge inglês Roger Bacon registrou a fórmula da pólvora em seu manuscrito De Secretis Operibus Artis et Naturae et Nulliate Magiae (Sobre o poder maravilhoso da arte e da natureza e sobre a nulidade da magia).


Mas porém da pedra do Tejo (salitre), tira sete partes, cinco partes de aveleira jovem (carvão) e cinco partes de vapor de pérola (enxofre), e assim farás trovões e relâmpagos …”


Fotos de um dos canhões utilizados – Museu da História militar em Vienna, Austria.


Canhões e Rei Eduardo III
Em 1326, os canhões foram ilustrados no manuscrito De Officiis Regum de Walter de Milimete, dedicado à ascensão de Eduardo III ao trono inglês. Eduardo III mais tarde ficou conhecido por ser o primeiro a usar o canhão em batalha.



Batalha de Crécy
No dia 26 de agosto de 1346, os exércitos inglês e francês se encontraram na batalha em Crecy, no norte da França.
Na ordem de batalha, a França com um contingente em torno de 40.000 homens entre infantaria, cavalaria pesada muito bem equipada, artilharia de catapultas e besteiros – soldado cuja arma era a besta.


Imagem encontrada no manuscrito iluminado das Crônicas de Jean Froissart

O Rei Eduardo III contava com cerca de 20.000 homens, sendo que 11.000 eram arqueiros de arco longo, o restante da infantaria, cavalaria e dois canhões.


No campo de batalha, os franceses por se tratar de uma batalha em campo aberto não posicionaram e prepararam suas catapultas (não haveria fortificações para derrubar), contavam com sua muito bem equipada cavalaria pesada, onde os besteiros, mercenários italianos a serviço dos franceses, iriam impedir que os arqueiros ingleses chegassem na distância para disparo contra sua cavalaria.


Nota: Era de uso comum entre os besteiros as pontas de suas flechas serem envenenadas. Geralmente envenenavam as setas com Helleboro, ou Varatro negro, vulgarmente chamado de “erva dos besteiros” Helleborus niger, rosa de Natal ou heléboro preto. Um fato que foi menosprezado pelos franceses, o terreno do campo de batalha estava encharcado, o que impediria a progressão dos pesados cavalos de batalha dos franceses. Seu avanço seria andando não a galope. Fato que deixou a cavalaria francesa mais tempo exposto aos disparos dos arqueiros ingleses.


O uso dos dois canhões pelos ingleses causou “muito desconforto” aos besteiros mercenários, impedindo entrar em posição de tiro e cobrir o avanço da cavalaria francesa. Resultando na aniquilação quase que total da cavalaria inimiga, trazendo a vitória para os Ingleses.

O registro escrito dessa batalha, marca historicamente a primeira vez que o uso de canhões foi empregado em uma guerra. Dando origem a expressão “Ultima Ratio Regum“.
Assim, agricultores e pastores que faziam o uso de sua arma para caça e esporte, venceram soldados de elite, altamente treinados e muito bem equipados.
Lembrando a 1ª regra de segurança com armas: nunca deixe o governo controlar suas armas.

"Ultima Ratio Regum" - Quando acabar a saliva; tem a pólvora.



Fonte:

CAC Brasil



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