Wagner: o exército paramilitar privado

 


Exército Paramilitar Privado - Empresa Wagner


A Rússia, através da empresa Wagner, tanto apoia os seus aliados no terreno em países como a Síria, a Líbia, a África Central e a Venezuela, como tenta expandir a sua esfera de influência.


Observa-se que nas zonas de conflito, principalmente no Médio Oriente, os estados usaram a força nos últimos anos, e às vezes recorrem a exércitos paramilitares privados, para evitarem uma confrontação direta entre países. A Black Water, uma empresa militar privada americana, é o primeiro nome que vem à mente neste tema. No entanto, começa a ser óbvia a presença da empresa Wagner, de origem russa, em várias zonas de conflito por todo o mundo. A Rússia, através da empresa Wagner, tanto apoia os seus aliados no terreno em países como a Síria, a Líbia, a África Central e a Venezuela, como tenta expandir a sua esfera de influência.


A mudança e a hibridização da natureza das guerras e conflitos de hoje em dia e, nesse sentido, a privatização da segurança e da defesa e o seu envolvimento com o mercado, fazem parte das guerras de novo formato. O surgimento do fenômeno das empresas militares privadas e a sua utilização por parte de muitos países desenvolvidos e em desenvolvimento, são atualmente o resultado deste processo. Desde que os países começaram a atuar usando o setor privado, as empresas militares privadas começaram a participar em guerras e são usadas nas políticas de segurança e defesa.


A popularização nos últimos anos do uso de empresas militares e de segurança russas, para além das dos Estados Unidos, bem como as atividades dessas empresas, em particular no Médio Oriente e no Norte de África, é um fator de destaque na esfera internacional. A empresa que começou a ficar mais visível é o Grupo Wagner. Viu-se que esta empresa, como organização armada, fazia parte ativa da guerra e interveio nas guerras civis na Síria e na Líbia.


Acredita-se que o proprietário do Grupo Wagner seja o famoso empresário Yevgeny Prigozhin, apelidado de "Putin Cook" devido à sua estreita relação com o Kremlin, e até porque a Concord Food Catering, que lhe pertence, fornece refeições ao Kremlin. Podemos dizer que o perfil militar do grupo é principalmente composto por ex-soldados entre 35 e 50 anos de idade dos países da Ásia Central, dos Balcãs e do Cáucaso. Uma investigação, permitiu concluir que a maioria da  equipa militar do grupo é formada por pessoas que lutaram na Chechénia, na Geórgia e em outras áreas, e têm experiência de combate corpo a corpo, têm problemas financeiros e não conseguem adaptar-se à vida civil. O Grupo Wagner não possui soldados corporativos contratados, mas no entanto possui cerca de 5 mil soldados.


Sabe-se que o Grupo Wagner, que se acredita ter começado a desempenhar um papel no terreno após a participação militar da Rússia na Síria, em setembro de 2015, realizou várias atividades no interior da Síria. O fato de proteger as instalações estratégicas, os campos de petróleo e gás e de combater também em várias partes da Síria, foi divulgado na imprensa.


A Rússia quer manter no Mediterrâneo Oriental e no continente africano as vantagens que conquistou no terreno na Síria e, nesse sentido, tornou-se num dos atores influentes da guerra na Líbia, avaliando bem o vazio na frente de Haftar. De fato, em 2020, a Rússia emergiu como pioneira na tentativa de se alcançar um cessar fogo entre o Governo de Acordo Nacional da Líbia e os elementos de Haftar. Como resultado, e num momento em que as guerras e a dinâmica do conflito mudam, a Rússia tenta obter um espaço operacional através de empresas como a Wagner, adaptando-se ao novo processo.


Fonte:

TRT


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