Há 100 anos, o Tiro conquistava as primeiras medalhas olímpicas do Brasil


O Tiro conquistava as primeiras medalhas olímpicas do Brasil


Em 2 de agosto de 1920, Afrânio da Costa ganhava a 1ª medalha olímpica do Brasil e Guilherme Paraense, um dia depois, o 1º ouro, ambos no tiro, nos Jogos da Antuérpia


A primeira participação brasileira numa olimpíada terminou com o saldo de três medalhas conquistadas na modalidade tiro esportivo.




A primeira participação do Brasil em Jogos Olímpicos de Verão foi marcada por diversas aventuras. Naquela época, cruzar o Oceano Atlântico e chegar a um país no Velho Continente era um desafio para poucos. Cinco edições olímpicas já haviam sido disputadas quando o País enviou sua primeira delegação com 21 atletas para competir nos Jogos de Antuérpia, na Bélgica, em 1920, para as provas de natação, polo aquático, remo, saltos ornamentais e tiro esportivo.

Longa jornada

Formada pelos tenentes Guilherme Paraense e Demerval Peixoto, e, também, por Dário Barbosa, Fernando Soledade, Mário Machado, Sebastião Wolf e Afrânio da Costa, a equipe de tiro esportivo iniciou a viagem para Antuérpia a bordo do navio Curvelo. Depois de quase um mês mal acomodados e tendo que treinar em alto-mar, os atiradores, com receio de não chegar a tempo para as provas, decidiram parar em Portugal e, de lá, seguir de trem para a Bélgica.

Essa longa jornada foi descrita em detalhes pelo historiador e coronel Eduardo Ferreira, no livro “A História do Tiro Esportivo Brasileiro”. A obra surgiu quando o autor teve acesso ao álbum com fotos, recortes de jornais e relatórios escritos pelo desportista Afrânio da Costa.

“A delegação brasileira foi para a Europa no dia 1o de julho de 1920, sob a chefia de Roberto Trompowsky, a bordo do navio Curvelo, pertencente ao Lloyd Brasileiro. Deixava atrás de si as maledicências dos descrentes e dos invejosos, que se referiam às aspirações da equipe da seguinte forma: ‘Não vão arranjar nem pro bife’”, relatou Afrânio da Costa, conforme consta no livro.

Saga brasileira

A saga da equipe brasileira de tiro não terminou ali. Depois de seguir viagem num vagão de trem aberto, de passar por problemas com as armas e ainda ter parte da munição furtada, foi preciso fazer uma caminhada de 18km até a cidade de Baverloo, local das disputas. Sensibilizados com a situação, membros da equipe de tiro americana cederam parte de seu material para os brasileiros pudessem competir.

Em 2 de agosto de 1920, Afrânio da Costa sagrou-se o primeiro esportista a ganhar uma medalha olímpica para o Brasil, ao conquistar prata na prova individual dos 50m de pistola livre. Nesse mesmo dia, Sebastião Wolf, Dário Barbosa, Guilherme Paraense e Afrânio garantiram o bronze na prova por equipes, superando os Estados Unidos, justamente o país que lhes emprestou armas e munição.

No dia seguinte, 3 de agosto, foi conquistado o primeiro ouro olímpico brasileiro: Guilherme Paraense levou o País ao lugar mais alto do pódio, marcando 274 pontos de 300 possíveis, dois pontos à frente do norte-americano Raymond Bracken. Paraense venceu a prova de pistola rápida de 25m.

Guilherme Paraense

Guilherme Paraense nasceu em 25 de junho de 1884, em Belém, no Pará, mas foi ainda criança para o Rio de Janeiro, onde frequentou a Escola Militar de Realengo. Foi ali que descobriu e desenvolveu seu pendor para a modalidade esportiva. No final da década de 1910, sagrou-se campeão brasileiro e sul-americano na modalidade tiro com revólver.

Em 1914, no Rio de Janeiro, juntamente com um grupo de atiradores, fundou o Revólver Clube, contribuindo para o crescimento desse esporte no País. Paraense continuou a carreira esportiva como atleta do Fluminense e seguiu, também, a carreira militar, até deixar o Exército em 1941 como tenente-coronel reformado. Faleceu no Rio de Janeiro, em 1968, aos 83 anos de idade.

Reconhecimento

A primeira participação brasileira numa olimpíada terminou com o saldo de três medalhas conquistadas na modalidade tiro esportivo. O desfecho dessa aventura não foi nada parecido com o início da empreitada. A notícia da façanha da equipe chegou ao Brasil por meio de um telegrama. Com a fama, vieram recompensas aos medalhistas olímpicos, como relatou Afrânio da Costa no livro:

“O retorno da equipe não foi mais no Curvelo, porém num navio decente, cheio de gente importante, com todas as passagens pagas pelo Governo Federal. Era um justo reconhecimento pelo memorável feito! Inúmeras autoridades políticas e desportivas e uma multidão curiosa aguardavam ansiosamente o desembarque da delegação no cais do porto do Rio de Janeiro para conhecer e abraçar o campeão e o vice-campeão olímpico.”




Fontes:



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