VOCÊ É CAPAZ DE FAZER O MAL?

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VOCÊ É CAPAZ DE FAZER O MAL?




Crescemos em uma sociedade que nos ensina que devemos sempre tentar compartilhar a bondade, a simpatia e a felicidade… Mas será que estas características não podem atrapalhar em situações onde sua vida está sendo ameaçada por outra pessoa?
Este é um texto que compartilha minhas reflexões sobre o tema, não é um tutorial e visa apenas trazer uma ideia para debate. Adoraria saber sua opinião nos comentários.
De maneira geral eu sou uma pessoa de “coração bom”. Cresci em uma família sem conflitos, aprendi a ser educado, simpático e ajudar sempre que possível. No escotismo, prometi que ajudaria o próximo em toda e qualquer ocasião e até hoje tento viver minha vida com base nestes preceitos. Contudo, recentemente, comecei a enfrentar um dilema.
Um dos meus trabalhos como produtor de conteúdo é conhecer diversas histórias de pessoas que passaram por crises, guerras e semelhantes… E conforme meus estudos se aprofundavam, um padrão começou a ficar muito claro: aqueles que sobreviveram tiveram que fazer coisas ruins para se manterem vivos. Tiveram que ser, em vários momentos, cruéis, violentos e egoístas.
Eu queria ser capaz de sobreviver, mas como fazer isso sendo “bonzinho”?

UM CONCEITO DOS SEALS

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Recentemente li “O Sniper Americano”, uma autobiografia do atirador de elite com o maior número de mortes confirmadas dos EUA. Neste livro ele comenta sobre um conceito que se destacou aos meus olhos. Os SEALS (mergulhadores de combate da marinha americana) possuem uma doutrina onde um dos seus preceitos é “Intend to do evil” – Pretenda fazer o mal.
A guerra estabelecida no Iraque contra grupos islâmicos extremistas mostrou o quanto este conceito tem valor. Lá, americanos lutavam contra fanáticos que estavam prontos para dar suas vidas em troca da morte de alguns soldados. Houveram enforcamentos, esquartejamentos e tudo aquilo que você já ouviu falar e até mesmo tenha visto em alguns vídeos terríveis.
Não vou nem entrar na discussão da validade de tal conflito, porém uma coisa é certa, não havia espaço para piedade. O inimigo estava pronto para ser cruel, então os soldados americanos precisavam estar em pé de igualdade.
Em resumo, você pode ser a pessoa mais amável e tranquila do mundo, contudo, quando for necessário agir para proteger a si ou sua família, seja o ser humano mais cruel que a história já viu. Tenha vontade de fazer maldade. Essa é a lição e diretriz dos SEALS.

NA REALIDADE BRASILEIRA ISSO SE APLICA?

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Hoje vivemos em um país absurdamente violento. Temos quase setenta mil mortes violentas por ano e um número incontável de outros crimes como estupro, sequestro, roubos e semelhantes. Este alto índice de violência e a baixa eficiência do sistema judicial e prisional criaram uma cultura marginal muito forte e agressiva, onde o indivíduo é doutrinado pelo tráfico e gangues desde criança.
Durante toda a sua vida o criminoso desenvolve um ódio e até mesmo nojo de nós, pessoas de bem, trabalhadores. Ele quer tudo o que temos, e está pronto para tomar da forma mais violenta que puder. Ele sabe fazer o mal. Ele quer fazer o mal. Não é novidade para ele. Ele gosta.
Isso me fez refletir sobre uma fraqueza enorme que alguns de nós sobrevivencialistas temos: Como nos proteger de alguém que foi criado para fazer o mal, enquanto somos educados para ajudar e perdoar? Como ligar o “demônio” dentro de nós quando ele for necessário?
Perguntas difíceis e polêmicas, com certeza.

TODOS NÓS PODEMOS SER VIOLENTOS?

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Na sociedade atual há um grande esforço para suprimir a violência e criar indivíduos pacíficos, que estejam prontos para construir um mundo melhor na base da cooperação e motivação. Isso é lindo… Mas não funciona muito bem na realidade que temos em nosso país.
Cheguei a conclusão dolorida de que um indivíduo que foi criado com a concepção de ser inerentemente bom pode enfrentar sérios problemas caso precise agir com “maldade” para se proteger ou proteger aqueles que ama. Ele pode hesitar, temer causar dano, temer machucar o outro… E morrer.
Apesar de uma adolescência bastante conturbada e quase delinquente envolvendo algumas brigas e infrações, eu não gosto de fazer o mal. Não gosto de ver outros sofrendo por minha causa. Fui criado para a bondade, e me senti vulnerável e fraco quando me peguei pensando em toda essa situação.
Basta um segundo de hesitação para disparar minha arma e pronto, eu morri para o criminoso que sentiu prazer em me ver cair no chão.
Tentando buscar soluções para esse dilema, comecei a pesquisar a essência do temperamento humano. Depois de muito ler, cheguei a uma simples conclusão: Seres humanos só existem hoje pois são uma espécie altamente eficiente no ato de matar.Mataram grandes predadores e espécies concorrentes a sua durante o período evolutivo. Somos, em essência, violentos. Isso significa que a capacidade de ser cruel está dentro de cada um de nós, suprimida em diferentes níveis.
Todos nós já tivemos, em algum momento, contato com esse “demônio” interior.

LIDANDO COM A NATUREZA VIOLENTA

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A pergunta que ficou no ar é: Como posso acessar meu lado violento caso ele seja necessário? Para encontrar esta resposta recorri a estudos mais densos sobre comportamentos desviantes e violentos na espécie humana. O que encontrei, em resumo, foi o seguinte:
  • Quem cresce em um mundo violento terá facilidade em usar a violência: Isso é incontestável. Aquele que viveu em uma casa violenta ou tem um histórico com a violência com certeza tem maior aptidão para implementá-la em suas ações;
  • Atividades violentas aumentam o nosso nível de agressividade: Indivíduos que praticam artes marciais, defesa pessoal, tiro defensivo ou qualquer outra atividade que tenha como base a agressão ao outro acabam por se dessensibilizar para eventos violentos para os quais treinam;
  • Ideais e valores podem ser usados para justificar e enobrecer atos violentos: Assim como os americanos sentem que estão protegendo sua pátria ao matar “insurgentes”, a nível individual é possível aumentar a chance de uma reação violenta quando “desumanizamos” o oponente. Se você vê o criminoso como alguém que pensa, tem história e sentimentos, dificilmente conseguirá causar danos a ele.
Existem muitos outros fatores que influenciam neste fenômeno (genética, questões políticas e sociais, hormônios…) contudo em essência estes três tópicos foram os mais presentes em minha pesquisa. E eles, de certa forma, apontaram um norte para mim.
Eis meu pensamento:
Quando se trata de defender sua vida não podemos ir além do “preto e branco”, do “mau e do bom”. É fácil se perder em discussões teóricas sobre como a sociedade pode criar vítimas e que estas podem se tornar más por consequência, mas quando as armas estão apontadas, nada disso importa.
Enfatizo aqui que se o mundo fosse pacífico, eu também seria pacifista. Mas a realidade é diferente. Por isso, percebi que devia cultivar o dever moral de proteger aqueles que amo e ignorar a humanidade dos que decidem me ameaçar. Preciso, para me manter vivo, considerar aquele ser que me agride tão desprezível e nojento que a única solução é exterminá-lo, sem remorso. Simples assim.

CONCLUSÕES?

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Eu confesso que sequer sei como terminar este texto. Talvez agora você esteja pensando que este texto é um completo absurdo, uma instiga ao lado perverso do ser humano. E você está certo, não posso negar. Contudo lembre-se que a verdade que ninguém quer te dizer é bastante simples:
Em um confronto imediato, o mais violento, cruel, treinado e equipado ganha.
Não há espaço para reflexões profundas, politicagem ou qualquer outra coisa. Se o indivíduo é vítima da sociedade, pobre, rico, preto, branco, alto ou baixo, no momento em que ele apontou uma arma para mim nada disso mais importa. Ele precisa cair para que eu fique de pé.
Eu encontrei meu caminho e digo, com certo orgulho, que hoje sou capaz de causar o mal a aqueles que ameaçarem a mim ou minha família. E confesso que provavelmente sentiria certo prazer nisso.
Até.



Fonte:

Sobrevivencialismo






4 comentários:

  1. Eu li a respeito, em um livro, que nos traz um estudo bem profundo à respeito de quando se é necessário praticar "o mal maior: matar alguém, para ficar vivo". Podemos usar o termo que quisermos, mas um fato é latente nesta realidade, será que realmente estamos dispostos a entender que para garantirmos nossas vidas e nos preservarmos, poderá ser necessário "matar uma pessoa"?
    Independente da "justificativa", o fato é: fomos mals, matamos uma pessoa, tiramos uma vida! Percebo pelo número de pessoas que se desesperam após uma ocorrência "de sucesso", não estamos realmente prontos a entender isso. É um mal necessário.

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  2. A propósito, o livro que mencionei é o:
    "SOBREVIA, GUARDIÃO - Técnicas para a autopreservação da vida"

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  3. O artigo é bem interessante, mas antes de ler o mesmo eu já tinha esse conceito dos SEALS na minha cabeça.
    Jamais me imagino fazendo maldade gratuita e violenta à alguém, porém, inclusive, já comentei isso com minha esposa, se para salvar minha vida ou de minha família eu tiver que,por exemplo,passar com o carro por cima de um meliante, não titubearei, e tenha certeza que vou dormir depois.
    Simples assim.
    É o que penso.

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  4. O artigo é bem interessante, mas antes de ler o mesmo eu já tinha esse conceito dos SEALS na minha cabeça.
    Jamais me imagino fazendo maldade gratuita e violenta à alguém, porém, inclusive, já comentei isso com minha esposa, se para salvar minha vida ou de minha família eu tiver que,por exemplo,passar com o carro por cima de um meliante, não titubearei, e tenha certeza que vou dormir depois.
    Simples assim.
    É o que penso.

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