Por que manobras da OTAN se aproximam cada vez mais das fronteiras russas?

Por que manobras da OTAN se aproximam cada vez mais das fronteiras russas?



Manobras da OTAN se aproximam cada vez mais das fronteiras russas




Envolvendo milhares de soldados e centenas de tanques e caças-bombardeiros ante a "ameaça" de ataque vindo do Oriente, o exercício em larga escala da OTAN Defensor da Europa 2020 está no auge, perto da fronteira russa.
O principal objetivo das manobras pretende ser o de assegurar a prontidão das forças dos EUA para apoiar seus aliados na Europa. O exercício consiste fundamentalmente em testar a capacidade de transpor grandes obstáculos aquáticos, como rios.

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O aliado mais dedicado

Segundo declarações oficiais, o objetivo estratégico do exercício seria o de demonstrar o compromisso dos EUA com a OTAN e sua "determinação inabalável em apoiar os aliados europeus".
As maiores manobras da OTAN em 25 anos acabaram sendo adiadas para junho devido à pandemia do novo coronavírus.
Inicialmente, o Pentágono alocou cerca de 37 mil soldados e oficiais aos exercícios. Contudo, os planos seriam alterados, passando a ser a Polônia – uma das mais leais aliadas de Washington – a fornecer o grosso das tropas para a operação.
Foi precisamente na Polônia que há dias começaram a aterrissar aviões de transporte com soldados e equipamentos norte-americanos.
Helicóptero participando de exercício militar no norte da Grécia, 19 de fevereiro de 2020. Forças Aéreas da Grécia e dos EUA participaram de um exercício de fogo real, marcando o aprofundamento dos laços de defesa entre os dois países
© AP PHOTO / YORGOS KARAHALIS
Helicóptero participando de exercício militar no norte da Grécia, 19 de fevereiro de 2020. Forças Aéreas da Grécia e dos EUA participaram de um exercício de fogo real, marcando o aprofundamento dos laços de defesa entre os dois países
Com mais de dois mil equipamentos militares, que englobam 100 tanques, 200 veículos blindados, artilharia, equipamentos de defesa antiaérea, aviões e helicópteros, tropas polonesas e norte-americanas realizarão diversas operações de combate.
Apesar da pandemia, "o Exército polonês não perdeu por um momento sua prontidão de combate", vangloriou-se o ministro da Defesa da Polônia, Mariusz Blaszczak.
O principal exercício tático consiste em ensaiar a transposição de obstáculos aquáticos por tropas em veículos blindados e aerotransportadas e a passagem para contra-ataque.
Artyom Kureev, especialista militar do clube de análise Valdai, vê neste exercício o principal objetivo do Defensor da Europa 2020 (Defender Europa 2020).
Além desse fato, permitirá igualmente aos militares tchecos, poloneses e lituanos uma vez mais exercitarem o uso de equipamentos bélicos dos EUA que terão de adquirir, ressalva o analista.
"Mas politicamente é uma demonstração da prontidão da OTAN em libertar o território da aliança em caso de invasão de tropas 'inimigas', e em transpor [os rios] Neman e Daugava."



O perturbado Báltico

Quase simultaneamente, decorrem as manobras navais em grande escala Baltops 2020, no mar Báltico. Ao todo, 18 países, 30 navios de guerra e mais ou menos o mesmo número de aeronaves estão participando do exercício. Tais manobras acontecem há 49 anos.
Segundo Kureev, o objetivo principal do Baltops 2020 é o de mostrar aos eleitorados da Estônia, Letônia e Lituânia que a aliança não permitirá o desembarque de fuzileiros russos nas praias de Saaremaa, Jurmala e Palanga.
Ninguém discute o direito dos países fronteiriços de proceder a exercícios militares na região. Contudo, nos últimos anos, é notório que as manobras dos EUA e da OTAN têm se aproximado cada vez mais das fronteiras da Rússia.
"O eleitorado conservador e nacionalista dos Estados Bálticos, Polônia e República Tcheca deve ter a certeza de que os aliados os protegerão do 'urso russo' - um inimigo em potencial, o que é conveniente para eliminar muitos problemas políticos e econômicos internos", referiu o especialista.
Oficialmente, os exercícios visam testar a capacidade de enfrentar um hipotético vizinho da Europa Oriental com um potencial militar comparável ao da Rússia, assinalou o especialista.
Montagem de ponte militar sobre o rio Tom durante os exercícios Tsentr-2019 em Yurginsky, região de Kemerovo, Rússia
© SPUTNIK / VLADIMIR ASTAPKOVICH
Montagem de ponte militar sobre o rio Tom durante os exercícios Tsentr-2019 em Yurginsky, região de Kemerovo, Rússia
Tanto o Ministério das Relações Exteriores quanto o Ministério da Defesa russos reagiram aos exercícios, clamando para a necessidade de reduzir o grau de tensão latente e afastar as tropas da OTAN de suas fronteiras, pelo menos durante o período de comemoração do 75º aniversário da vitória sobre a Alemanha nazista.
Para o vice-ministro das Relações Exteriores da Rússia, Aleksandr Grushko, estes exercícios da OTAN foram decalcados dos da Guerra Fria e planejados de tal forma para que o pico de atividade coincida sempre com as comemorações da vitória sobre a Alemanha nazista.
"Isto é um fato", afirmou Aleksandr Grushko, relembrando que os exercícios da OTAN estão sendo realizados um após o outro.
Grushko assinalou que cada vez mais aviões de reconhecimento voam nas imediações das fronteiras da Rússia, especialmente nos mares Báltico e Negro, relembrando igualmente a recente incursão da frota norte-americana no mar de Barents, algo que não acontecia desde meados dos anos 80.

EUA recorrem a expedientes para contornar acordos

Diplomatas e militares russos propõem sistematicamente que as partes envolvidas nos exercícios renunciem a grandes exercícios fronteiriços, cheguem a um acordo sobre uma distância mínima entre aviões e navios e utilizem transponders ligados em voos da aviação militar no Báltico. No entanto, não tem havido retorno a estas propostas.
O Ministério das Relações Exteriores da Rússia prevê que a atividade militar da OTAN aumente com a amenização da pandemia. Segundo Kureev, a Marinha também desempenhará um papel importante no apoio às forças terrestres da aliança.
Militares em helicópteros Mi-8 durante o exercício militar internacional Rapid Trident 2019, em Yavoriv, região de Lvov, Ucrânia
© SPUTNIK / IGOR MASLOV
Militares em helicópteros Mi-8 durante o exercício militar internacional Rapid Trident 2019, em Yavoriv, região de Lvov, Ucrânia
No entanto, Baltops 2020 e Defensor da Europa 2020 não são comparáveis em amplitude com os exercícios da Guerra Fria, quando a organização do Pacto de Varsóvia e a OTAN mobilizavam para manobras dezenas e dezenas de milhares de tropas, chegando mesmo os exercícios soviéticos Dniepr de 1967 a movimentar mais de um milhão e meio de soldados.
Ao planejar exercícios, a OTAN viola frequentemente acordos internacionais subscritos, sobretudo o plasmado no artigo 8º do Documento de Viena sobre Medidas de Confiança e Segurança, assinado em 2011, que impõe muitas limitações às manobras em larga escala, relacionadas à notificação prévia.
Para contornar o estabelecido, a OTAN apresenta seus exercícios como uma série de manobras diferenciadas em diferentes países, eximindo-se à sua qualificação como de "grande escala".
Enquanto o Ocidente ignora os acordos internacionais, a Rússia notifica a realização de exercícios ou os conduz longe de fronteiras alheias. A título de exemplo, as manobras Cáucaso 2020, previstas para este ano, terão lugar na região do Volga e do Cáucaso Norte.


Fonte:

Sputnik




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