O que é IED / HME?




O que é IED / HME?




IED e HME são bombas caseiras.  O termo é popular fora do Brasil, mas sem dúvida os mais entusiastas de assuntos que envolvam explosivos, seja por profissão, curiosidade ou em suas leituras sobre a guerra ao terror, sem dúvida já conhecem o termo e saberão tudo ou até mais do tema abordado neste artigo.

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1) Definição

IED e HME são abreviações de Improvised Explosive Device e Home Made Explosive, respectivamente, que em tradução literal significa Dispositivo Explosivo Improvisado (IED) e Explosivo Feito em Casa (HME), respectivamente, ambos em tradução livre podem ser chamados de Bomba Caseira.
Apesar de serem o mesmo tipo de produto, existem pequenas diferenças entre IED e HME, já que as duas técnicas resultam em uma produção artesanal e caseira, ou seja, podem ser chamadas da mesma forma e já que são, na prática, a mesma coisa. A fabricação desses artefatos se tornou tão comum no mundo moderno que é possível reconhecemos algumas pequenas diferenças, como a complexidade, onde uma bomba caseira é tão sofisticada em relação a outra que nem parece que foi fabricada de forma artesanal. Antes de vermos e entendermos as diferenças, vamos conhecer um pouco como surgiu e onde é utilizado.
E não se engane, apesar dos mais comuns serem explosivos e incendiários, existem biológicas e químicas também. Basta que o recipiente detonado, ou aberto, esparrame ou libere um agente biológico ou produto químico. O estrago está garantido. Mas neste artigo, vamos focar no uso mais comum, o explosivo, que podem ser feitos com explosivos militares desviados ou roubados, mísseis encontrados que não explodiram, ogivas ainda funcionais mesmo que antigas, onde podem ser colocados nas beiras de estradas, latões de lixo ou entregues em veículos, como os famosos “carros bomba”.

2) Onde surgiu

Não se sabe com precisão pois o uso de explosivos não é novidade. É tão antigo quanto o da pólvora. Porém, sempre de forma profissional ou militar, para definir o uso por exércitos regulares que detinham o poder de fabricar explosivos de maneira industrial. Ao alcance de pessoas comuns, feitos no quintal de casa, podemos dizer mesmo que ainda existe alguma chance de errarmos, mas com boa pontaria, considerando a linha do tempo de conflitos humanos, entre tribos ou nações, que o IED/HME é algo novo, recém-nascido, talvez da WWI em diante.
Essa técnica sempre foi utilizada por grupos de guerra não convencional (guerrilhas, insurgentes, resistências, milícias, etc.) ou operações especiais. Devido sua extrema facilidade de construção, baixo custo e alto poder de destruição, podendo, de acordo com a material utilizado, destruir veículos, inutilizar blindados ou eliminar grupos de incursão com apenas 2kg de explosivo do tamanho de 2 caixas de leite, por exemplo,  operadores em uma guerra não convencional conseguem enfrentar inimigos mais treinados, melhor equipados e até em maior número através do uso de IED’s. O exemplo disso foi o cenário do Iraque em 2006, onde 63% das baixas norte-americanas foram oriundas de IED’s (1). Soldados inimigos sem treinamento, sem dinheiro para comprarem blindados, drones, armas e veículos como os norte-americanos, inferiores em diversos pontos, conseguiam enfrentar, eliminar ou na pior das hipóteses atrapalhar e retardar o avanço utilizando bombas caseiras.
Um exemplo hipotético de uso legítimo e moralmente correto dos IED’s, seria uma população se defender de uma ditadura, como no caso da Venezuela, onde o governo comunista e seus funcionários públicos estão, literalmente, assassinando seus próprios cidadãos.

3) Diferença de IED e HME

Ambos são bombas artesanais, ou caseiras, como preferir. Agora, entendendo bem onde, por qual motivo e por quem é utilizado, vamos as ligeiras diferenças entre ambos, é bem simples:
A) O IED é usado para definirmos uma bomba caseira mais complexa, robusta e potente, como se tivesse a capacidade de derrubar um avião, virar um ônibus, esfarelar um carro de passeio e seus passageiros, danificar um blindado militar grande ou destruir e matar os ocupantes de um blindado pequeno. Se tornou algo tão utilizado, tão estudado, tão eficiente, que naturalmente dispositivos mais complexos e potentes foram fabricados e se tornaram até padrões mundo afora. Com isso, quando alguma força de segurança ou pesquisador se depara com um artefato muito bem elaborado, construído com muita atenção e cuidado, com detonadores bem elaborados, com baterias de maior qualidade, componentes eletrônicos bem soldados, circuitos organizadíssimos e bem inseridos na placa ou por todo o dispositivo, podemos ter a noção de quem fabricou já tem alguma experiência ou melhor conhecimento, e dispôs de mais recursos humanos, o tempo e dedicação para fabricar um produto melhor, e financeiro, pois é natural que algo melhor custe um pouco mais caro. Para este tipo de artefato, mais elaborado e robusto, o termo IED é o mais preciso hoje em dia.
B) O HME é usado para definirmos uma bomba caseira simples, menor, e mais fraca, como apenas matar as pessoas dentro de um carro de passeio, mesmo que blindado contra armas de fogo, ou danificar um blindado militar pequeno.
Para fins de conclusão, o HME é uma bomba caseira simples e pequena enquanto o IED é uma bomba caseira mais complexa e potente.
Ambos os termos estão certos, porém são usados dessa forma por agentes de segurança e operadores de explosivos (blasters, equipe anti-bombas, etc) para melhor entenderem e se comunicarem sobre o tipo de ameaça estão enfrentando: grande ou pequena, de fácil e comum anulação do detonador ou com algum desafio.



4) Entenda a ameaça

Considere a hipótese de um explosivo de R$ 1.000,00 sendo detonado embaixo de um veículo de R$ 200.000,00, carregando 8 soldados que levaram 3 anos para serem treinados (imagine o custo ao longo dos anos – comida, munição, estudo, alojamento, médico, etc), com equipamentos que podem custar por volta dos R$ 100.000,00. Olha o estrago que é feito com apenas R$ 1.000,00. O IED e seu uso se tornaram um produto eu uma tática equalizadora, onde o fraco consegue aumentar ou começar a ter alguma, contra o mais forte.
A ameaça dos IED’s ficou tão intensa e causando tantos prejuízos, que veículos foram projetados para proteger tropas das chamadas “roadside bombs”, termo estrangeiro para os IED’s que eram instalados nas rodovias e ruas de onde já era sabido que passariam tropas inimigas. Um exemplo desse veículo é o ILAV, conhecido como Badger, que custa em uma conversão bem genérica, atual, somente para termos idéia, com o dólar a R$4,00, em torno de R$ 1.900.000,00 (U$ 475.000,00 x 4). Essa é a versão 4×4, um outro veículo chamado Cougar tem até a versão 6×6 e custa ainda mais caro: U$ 644.000,00.
Este é um segundo custo, poderíamos chamar de dano, ao um exército inimigo mais forte, que o uso de IED causa: é obrigado a fabricar veículos muito mais caros. De um simples veículo que era usado pra transportar, agora é preciso gastar quase 10 vezes mais em um transporte que segure o impacto das explosões dos IED, caso contrário, todo o avanço de uma determinada atuação será atrapalhado ou até impedido, e isso é perigoso e péssimo para todo o teatro de operações, pois desse impedimento, podem surgir reações em cadeia que resultarão em prejuízos maiores, quem sabe até colocar a vitória em risco.
É um artefato de facílima fabricação, baixo custo e com alta eficiência. Por isso ele é tão ameaçador e tão difícil de ser combatido. Apenas dois quilos de C4 que cabem em uma mochila, podem fazer quase que literalmente, devido sua enorme potência, um carro voar.
Com isso, agências de governos, empresas de segurança, pesquisadores, esquadrões anti-bombas, enfim, todos os interessados de uma forma ou de outra no uso de explosivos passaram a olhar os IED com mais atenção, especialmente, é claro, agências de governos, como o FBI, que com a justificativa de segurança, desenvolvem estudos e pesquisas constantes com engenheiros mecânicos, eletrônicos e químicos, equipes de coleta de material, análise científica, verdadeiros departamentos com funções específicas como de testes e inteligência, para conhecerem melhor esse artefato verdadeiramente inovador e ameaçador ou como o governo Australiano que publicou em suas mídias oficiais um guia de como os cidadãos devem se comportar no caso de uma explosão de IED em locais públicos (3 e 3a).

5) Relato de um PMC

Um amigo e seguidor do Instituto DEFESA que trabalha como PMC, Yama Cunha, nos deu um relato de alguém que esteve bem próximo de IED’s em 2018, no Yemem, trabalhando para a empresa DynCorp, teve que mudar o planejamento original da atuação na área. Segue relato:
“Nós fazíamos a segurança da equipe que trabalhava desativando os IED’s. Nossa tarefa era proteger um comboio que trafegava do local A para B. Era todo um conjunto, com uma equipe de intel (captação e análise de dados, trabalho de inteligência) e a equipe precursora que se antecipava para verificar a rota do comboio e dizer se estava tudo bem para prosseguirmos. Quando uma ameaça era detectada, geralmente um IED, outra equipe entrava em ação desativando o artefato. Com tudo ok novamente, ameaça eliminada, o comboio prosseguia.
Quase nunca deu problema, até por que a rota era conhecida e razoavelmente tranquila e segura, haviam muitos checkpoints amigos. Apenas uma vez encontraram um IED muito robusto, grande e pesado, não teve como desativar de imediato, foi preciso montar uma atuação de detonação controlada, e mesmo assim, o comboio teve que mudar de rota, o que não é uma coisa muito boa, pois o debate natural a ser levantado por toda a equipe é: E se isso foi de propósito? E se era esse mesmo o intuito desse IED, nos fazer mudar de rota?”

6) Alguns casos de IED

Ataque dos Tigres Tímeos em Sri Lanka (4)
Quando e onde: 1980, Sri Lanka
Quantidade de mortos:19
Quantidade de feridos: aproximadamente 40
IED utilizado: Não foi descoberto, especula-se pólvora de fogos de artifício

Maratona de Boston (5)Quando e onde: 2013, Inglaterra
Quantidade de mortos: 3
Quantidade de feridos: aproximadamente 260, onde 16 ficaram amputados
IED utilizado: Pressure Cooker Bomb (panela de pressão com pregos e bilhas)

Igrejas e Hotéis de Luxo em Sri Lanka (6)Quando e onde: 2019, Sri Lanka
Quantidade de mortos: 258
Quantidade de feridos: aproximadamente 600
IED utilizado: pipe bombs (canos cheios de pólvora)

Coalizão da Polônia e Estados Unidos no Afeganistão (7)Quando e onde: 2014, Afeganistão
Quantidade de mortos: 19
Quantidade de feridos: aproximadamente 77
IED utilizado: nitrato de amônia com açúcar e nitrato de amônia com alumínio

7) Como construir

Conhecimento não é crime. Aplicar este conhecimento, talvez seja, dependendo do conhecimento que se aplica e para qual motivo, e o agente é o responsável pelo seu ato.
Entretanto, por motivos óbvios, não abordaremos este nicho do tema devido a incapacidade mental de grande parte das pessoas de entenderem essa diferença tão simples, porém crucial.
Lembrando, é claro, que a lei que proíbe a fabricação de explosivos em casa, até mesmo para fins completamente inofensivos como o de mera curiosidade ou estudo, não tem a menor capacidade de impedir ninguém de pesquisar sobre nitrometano, home made c4, pólvora branca, pólvora negra, detonadores, iniciadores, transmissor e receptor a rádio ou bluetooth, tnt, pipe bomb, home made grenade, pavio caseiro, home made tnt, nitroglicerina, adubo, jardinagem, produto de limpeza, limpeza de piscina, papel alumínio de cozinha, ball mil, pressure cooker bomb, enfim, a lei não tem capacidade de parar uma pessoa ruim, é completamente inadmissível que pare uma boa.

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