10 FATOS SOBRE O EX-DITADOR PARAGUAIO ALFREDO STROESSNER

10 FATOS SOBRE O EX-DITADOR PARAGUAIO ALFREDO STROESSNER



FATOS SOBRE O EX-DITADOR PARAGUAIO ALFREDO STROESSNER



O governo do militar resultou em 18 mil pessoas torturadas e mais de 400 execuções ou desaparecimentos


O regime comandado por Stroessner, durante 1954 a 1989, foi lotado de violações de direitos humanos, corrupção e até pedofilia e estupros. Seus crimes, que ainda incluem atuação próxima ao narcotráfico, estão sendo investigados pelo governo paraguaio, além do Departamento de Memória Histórica e Reparação do Ministério da Justiça. 
Alfredo Stroessner entrou no poder depois de ajudar a derrubar Federico Chavez, em 1954, por meio de um Golpe de Estado. Ele era o único candidato e foi “eleito” em agosto do mesmo ano. O ex-ditador foi militar da ala mais conservadora do Partido Colorado e para se manter no poder por cerca de 35 anos, ele anunciou, em 1958, um estado de sítio permanente no Paraguai. 

Essa ação permitiu que ele ampliasse seus poderes e fortificasse a repressão do Estado. Com o habeas corpus não era garantido pela Justiça paraguaia, ficou mais fácil executar perseguições políticas, realizar torturas e prisões. O documento oficial da Comissão da Verdade e Justiça do Paraguai estima que mais de 8 mil pessoas foram torturadas e mais de 400 foram executadas ou desapareceram durante o governo de  Alfredo Stroessner.

1. Pedófilo e mandante de um “harém”

Alfredo Stroessner, junto de seus ministros e generais, praticavam, nas horas livres, uma série de estupros — tendo preferência por violar meninas virgens. Seus assessores até mesmo solicitavam garotas para que o ditador as violentasse. 
O seu “harém” era composto por jovens, com idade entre 10 e 15 anos. Em média, o militar estuprava quatro garotas por mês, segundo o Ministério da Justiça em Assunção. Se somados todos os crimes, em três décadas e meia de ditadura, ele teria violado mais de 1,6 mil crianças. 

2. Uma blitz sexual que remetia à um conto de fada 

Não apenas as meninas que eram “coletadas” pelos assessores de Alfredo Stroessner eram estupradas, como também os militares sequestravam outras crianças para serem violentadas utilizando uma blitz sexual. 
Era usado um carro Chevrolet Custom 10 vermelho ( apelidado de Chapeuzinho Vermelho), por meio do qual eles percorriam as ruas procurando meninas para sequestrar. Uma delas, Julia Ozorio, tinha apenas 12 anos quando foi capturada no vilarejo de Nova Itália, em 1968. 
A garotinha foi levada pelo coronel Julián Mier até o harém pessoal de Alfredo Stroessner, onde ela foi escrava sexual por três anos. Ela não serviu apenas aquele que era o chefe do país na época, como também depois seus oficiais e suboficiais. A criança só foi solta aos 15 anos de idade, quando era considerada velha demais. Seus tempos de sofrimento foram registrados por ela no livro Uma rosa e mil soldados, de 2008. 

Alfredo Stroessner / Crédito: Divulgação 


3. Onipresença de Alfredo Stroessner

Enquanto estava sob o comando do país, Stroessner fazia questão de estar em todos os lugares. O Partido Colorado, do qual ele fazia parte, imprimia todos os dias um jornal de 6 páginas a cores com notícias exclusivas sobre o ditador. 
Além disso, em eventos públicos e em várias residências, fotos do general eram muito comuns. Várias pessoas também se deslocavam até a residência presencial para tratar o ditador como um mito, cantando serenatas.  

4. A Operação Condor

Stroessner foi um dos militares que apoiou a Operação Condor, um programa com o objetivo de coordenar a repressão aos opositores dos regimes autoritários das ditaduras militares da América do Sul.
Visto isso, a postura internacional de Stroessner foi sempre em favor dos regimes militares e dos outros ditadores e criminosos. Ele concedeu exílio político inclusive para membros do Partido Nazista, como o médico de Auschwitz, Josef Mengele, um dos responsáveis pelas câmaras de gás no maior campo de concentração do nazismo. Mengele nunca foi julgado por seus delitos devido ao refúgio que encontrou na América Latina — inclusive no Brasil. 

5. Simpatizante dos nazistas 

Não foi apenas Josef Mengele o favorecido por Alfredo Stroessner. O ditador concedia passaportes paraguaios para centenas de outros criminosos nazistas. Outro criminoso de guerra acolhido pelo general  foi Eduard Roschmann, o Açougueiro de Riga, responsável por matar mais de 30 mil judeus.

Notícia de nazista que morreu no Paraguai / Crédito: Divulgação 


O próprio Stroessner dava apoio aos nazistas durante suas visitas à um campo de concentração, que ficava a 65 quilômetros de Assunção e abrigava 528 prisioneiros, entre 1976 e 1978. 

6. Tornou o Paraguai parte do contrabando de drogas

Durante o governo de Alfredo Stroessner, o Paraguai se voltou ao contrabando de cocaína e de carros de luxo importados. O ditador apoiava firmemente à postura pró narcotráfico, uma vez que seus colegas de farda lucravam com o esquema. “Ah....mas esse é o preço da paz”, costumava dizer Stroessner. 

7. Democracia ficcional 

Stroessner comandou um período conhecido como stronato, no qual fazia questão de controlar o parlamento e fazer eleições falsas com seu partido, Colorado, que sempre era o vencedor. 
Ao todo, o militar governou por oito legislaturas, em processos marcados pela fraude. Ele também censurava a oposição ou exilava e prendia seus inimigos. Somente líderes opositores de menor importância puderam continuar com atividades políticas, mas de modo restrito. 

8. Regime sangrento

Os desdobramentos da ditadura no Paraguai, durante o período Alfredo Stroessner, resultaram no assassinato de entre 4 a 5 mil civis e no exílio de centenas de milhares de paraguaios. Além disso, segundo a Comissão Verdade e Justiça, mais de 18 mil pessoas sofreram com torturas físicas, sexuais e psicológicas durante o regime. 

9. O ditador era sadomasoquista 

Stroessner não só estuprava crianças e gostava de vê-las sofrendo, como também apreciava ouvir os gritos de dor de presos políticos torturados. O ditador era tão sádico que o Pastor Coronel, um dos mais emblemáticos torturadores, muitas vezes ligava para ele enquanto torturava os prisioneiros.
Isso para que Stroessner ouvisse os gritos e o sofrimento ao vivo. Vários opositores, como Miguel Soler, foram cortados ao meio com uma serra elétrica. Já outros eram queimados lentamente com um maçarico. 

10. Foi derrubado por outro golpe 

Stroessner foi eleito por oito vezes em suas eleições fraudulentas — das quais a maioria dava resultados de mais de 90% dos votos à favor ao general. Mas, o seu governo acabou com outro golpe militar, em 1989. 
A artimanha foi articulada por seu parceiro político, o militar Andrés Rodriguez. O sucessor de Stroessner logo depois obteve exílio político no Brasil, onde morreu em 2006, aos 96 anos.

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