O que é Efeito Copycat?

Efeito Copycat



Efeito Copycat





O leitor já escutou este nome antes em seriados ou filmes de investigação policial, certo? Bem possível que sim. O efeito Copycat, nome que vem do inglês “copy = copiar” e “cat = gato”, uma vez que é sabido que praticamente todos os filhotes de gatos imitam a mãe ao mesmo tempo, algo que eu chamaria aqui no Brasil como Imitador. O termo ganhou muita fama após a divulgação do livro “The Copy Cat Effect” do escritor Loren L. Coleman. Imitador e Replicante também são termos utilizados ao redor do mundo, mas não há um consenso. O Copycat, ou Imitador, é quando um indivíduo, possivelmente já com distúrbios emocionais e/ou psicológicos, desajustado socialmente, imita os crimes de outro indivíduo.
Já ouviu também, aquele termo “Macaco de Imitação”? Quando crianças, imitamos muitas vezes um amigo, e quando os demais percebem que estamos imitando, eles brincam nos chamando disso. Pois bem, o efeito Copycat é parecido. Gostaria de enfatizar que é PARECIDO, não são a mesma coisa.

Seja pelo sensacionalismo causado na divulgação de informação vinda dos professores e outros coleguinhas, de que “Fulano fez isso!”, causando grande espanto e chamando muita atenção, conjunto de características que despertariam no “Macaco de Imitação” um interesse genuíno de ter a mesma atenção e ser o assunto do momento, de forma completamente inocente, como crianças vivem fazendo, só pela diversão, o levando a replicar os atos, ou quem sabe, o desejo de provar algo para si mesmo ou para alguém e o ato do amigo proporciona essa oportunidade, logo, em sua cabeça, imitar o ato imitará a oportunidade.
Poderia até usar este termo para explicar o efeito, mas estaria correndo um grande risco de errar na definição, não ser o mais preciso possível nas características do efeito cujo indivíduo é um adulto com toda sua carga histórica presente, não uma criança como um livro em branco, e e ainda faria algo horrível: colocaria no mesmo saco, crianças e assassinos lunáticos. Melhor não.
Entretanto, já aqui é possível termos uma excelente idéia do que é este fenômeno. De maneira bem simples, espero ter conseguido fazer qualquer um, como sempre digo: “Do pedreiro ao juiz, do jovem ao velho”, entenderem.
Vamos então, partir para um olhar um pouco mais detalhado. Lembrando que este é apenas um artigo para apresentar o assunto, não uma tese de doutorado. Servirá, também, de um norte, um início, para futuras pesquisas se assim for desejável.


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Acima foi dito que uma característica presente no estímulo do efeito Copycat, é o sensacionalismo da mídia. O que é isso? É um comportamento dentro da comunicação, especialmente aquela feita em massa, ou seja, é uma das várias maneiras de se divulgar uma notícia. Os eventos da notícia são exagerados de propósito, muitas vezes os assuntos são insignificantes e recebem uma atenção absurda de propósito, há uma repetição da divulgação da mesma notícia de maneira desnecessária de propósito, a abordagem, a forma como as entrevistas e informações são divulgadas, possuem um tom de apelo emocional, muitas vezes beirando o exagero ao ponto de parecerem falsas emoções, muita polêmica em cima de algo irrisório e claro, muita informação omitida, escondida. Tudo isso é feito pelos jornais, TV’s, rádios, ou seja, a mídia e seus donos, de propósito. E qual é este propósito? Chamar a atenção do público. A técnica é utilizada ao longo da história, mas hoje em dia, o compromisso aqui não é com informação, jornalismo, alertas, bem estar social, nada do tipo. A meta é ter audiência, cliques, acessos, alcance, para gerar dinheiro. A mídia quer dinheiro. Só isso. (1)
Existe uma preocupação muito grande na divulgação de notícias pois elas podem servir de gatilhos no fenômeno Copycat. Tudo bem que a Assembléia geral das Nações Unidas em 10 de dezembro de 1948 diz em seu artigo Artigo XIX diz: “Todo ser humano tem direito à liberdade de opinião e expressão; este direito inclui a liberdade de, sem interferência, ter opiniões e de procurar, receber e transmitir informações e idéias por quaisquer meios e independentemente de fronteiras” (2). Porém, é importante lembrar que ““É importante que quanto maior for a cobertura de um órgão de imprensa, maior seja o compromisso do jornalista com sua responsabilidade social” (3)
Querem um exemplo desse sensacionalismo em cima de um evento, que alimentou outros? Manifestações políticas em 2013 e 2018. Cansamos de ver notícias faltando informações, as famosas “pela metade”, como os Black Blocs apanhando da polícia, tadinhos, só por estarem, segundo a mídia, pedindo um mundo melhor. Polícia batendo em estudante, atoa, gera revolta e curiosidade, as pessoas clicam, acessam, compartilham… Lembra do que disse acima? A mídia só quer dinheiro. Os mais atentos buscam a informação completa, ou seja, fora do sensacionalismo, e percebem que eles estavam bloqueando ruas e tacando fogo em carros e ônibus, algumas vezes até com pessoas dentro, matando essas pessoas. Se a mídia conta essa parte, não gera acesso, então até divulgam isso, mas obviamente não com o mesmo apelo, repetição, ou seja, não com o mesmo sensacionalismo das outras que lhe interessam (4).
Não se engane. Este fenômeno é humano, ou seja, acontece em todo o mundo. Um caso famosíssimo fora do Brasil foi o tiroteio da escola de Columbine, em Colorado, em 1999. O evento ocasionou 13 mortes e nos dias seguintes, foram 74 imitações ao redor do país.





Voltaremos agora ao Brasil, com outro exemplo de crimes Copycat alimentado pela mídia: As suásticas que começaram misteriosamente a aparecer. Segundo a mídia, as pessoas estavam andando no mundo das maravilhas, sem falar ou fazer nada, e alguém as pegava e tatuava ou cortava, com o intuito de formar cicatrizes, um desenho no formato da suástica nazista. A mídia adorou, entretanto, parou de divulgar notícias do assunto, a onda de suásticas sumiu, quando a polícia civil do Rio Grande do Sul investigou e após perícia, concluiu que o ferimento foi auto-fabricado: a menina fez em si mesmo. Segundo a PCERS: O laudo afirma ainda que a inscrição foi feita de maneira “superficial”, em “regiões do corpo facilmente acessíveis às mãos da própria vítima” e que “apresentam padrão de paralelismo e ortogonalidade que demandaram cuidado na produção”. (5)
Diversos agentes de segurança, criminólogos e profissionais relacionados ao tema, vem ao longo dos anos, alertando sobre isso e defendendo uma postura mais responsável da mídia em relação aos crimes. Os donos das maiores mídias parecem ignorar isso e continuar seguindo a fórmula sensacionalista e irresponsável visando apenas o dinheiro, mas volta e meia podemos ver alguma coisa, mesmo que sutil, surgindo com o intuito de tentar minimizar os efeitos contagiosos do Copycat, como as iniciativas “Do not Name Them” e “No Notoriety”, que visam focar as notícias nas vítimas, não nos criminosos, além de fazer com que o criminoso não tenha seu nome relembrado, pesquisado, não ganhando notoriedade, fama. (6)
Irônico que podemos ver, constantemente, a mídia se esforçando para empurrar goela abaixo regulações em jogos eletrônicos, por exemplo, criando um sensacionalismo em cima de um simples jogo, repetidamente dizendo que as crianças podem imitar o que acontece nos jogos, mas em relação a comportamentos desvirtuados representados em suas novelas e a divulgação irresponsável de notícias incompletas, não desejam regulação pois possuem liberdade de imprensa e expressão. Chega ser contraditório: os jogos, especialmente os com armas de fogo, influenciam, mas as nossas novelas, não. Este é, inclusive, uma de várias cabeças da Hidra do desarmamento.
O site Terça Livre elaborou um excelente artigo sobre este efeito nas eleições de 2018, onde para alcançar popularidade, movimentos de esquerda apelaram para atos violentos para atacar seus opositores políticos, nos moldes da Revolução Francesa, através de 3 fatores, sendo um deles, as notícias sensacionalistas. (7)
Uma próxima abordagem, que foge da apresentação do efeito presente neste artigo, pode ser iniciada no que Coleman chama em seu livro de “Cultura Popular”, onde membros tendem a imitar comportamentos para além da popularidade, conquistarem alguma aceitação do grupo. Essa características é explicada pela Teoria da Aprendizagem Social dentro da criminologia, onde ela, em resumo, alerta e afirma que a violência é aprendida por e condicionada, ou seja, é possível modelar um indivíduo a ser violento, e assim, os demais a sua volta, pela vivência, repetirão, ou seja, imitarão os padrões de comportamento. Logo, violência é imitada. Efeito Copycat. Essa segunda etapa da abordagem ao tema também nos faz lembrar de uma, das várias existentes, teorias do crime, a Teoria da Subcultura, onde, também em forma de apresentação e não uma completa dissecação, pode ser entendida como a teoria que explica e afirma que o crime é oriundo de um conjunto de comportamentos e costumes de um grupo social, ou seja, cultura. Para um determinado grupo, como traficantes por exemplo, o assalto a motos para dar o famoso “rolé” em bailes é algo completamente aceitável, glorificado: para este grupo, o crime de assaltar é um ato louvável, quem o faz “ganha conceito com a rapaziada”. A sensação de impunidade estimula este efeito, pois cada vez mais, bandidos não sentem medo de imitar seus semelhantes.
Isso nos faz esbarrar em outro fenômeno que o Instituto DEFESA abordará em outro artigo, a Espetacularização da Violência, que nada mais é do que a mecânica e as ações, especialmente da mídia, como vimos aqui, banalizam e transformam a violência em um espetáculo, quase que desejável, deixando de ser algo ruim, repugnante, errado.
O livro mencionado neste artigo é a principal fonte de estudo sobre o tema. Infelizmente não encontro o livro em português, somente em inglês. Mesmo assim, segue indicação da Amazon para a compra do mesmo:

Nota do Autor: Uma coisa boa no efeito Copycat, é que ele também está presente em pessoas boas, onde cada vez mais vemos pessoas imitando atos honrados, justos e moralmente corretos, como reações a assaltos, espancamento e morte de bandidos, ridicularização de políticos e a gigantesca desobediência civil, porém super-silenciosa, em relação as leis injustas criadas pelos dois tipos de indivíduos acima, que na prática, são a mesma merda. Espero que isso aumente cada vez mais.

Fonte:

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