Revólver Guerriero, um esquecido

Revolver Guerriero




Revólver Guerriero




Bem, costuma-se dizer que o mundo é dos mais espertos, certo? Via de regra isso é verdade, pois quem tem uma dose maior de imaginação, determinação, malícia, ou mesmo má fé, consegue por vezes ter sucesso, mesmo que tenha levado a fama por algo que não fez ou inventou. Assim veremos um aeroplano ter de ser catapultado para “voar”, e tudo isso sem testemunhas. Internacionalmente os irmãos Wright ficaram com a fama de inventar o avião em detrimento ao feito histórico do nosso patrício Santos Dumont, que decolou em Paris frente a centenas de testemunhas.

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Da mesma forma se sucede no mundo das armas de fogo. A primeira pistola semi-automática (Borchardt) é fato sabido, não foi a “primeira”, sendo a austríaca Schönberger (patenteada em 1890) a ter esta primazia, embora não tenha sido produzida em grandes quantidades com pouco sucesso comercial. Reza a lenda que a primeira arma a usar o tambor basculando lateralmente (swing out) foi um revólver de fabricação da Colt (dizem que Samuel Colt teria tido a idéia da sua arma, ao ver um dos modelos do primitivo revólver de pederneira de Elisha Collier, lançados décadas antes de seus modelos Paterson – armas de tambor, aliás, são comuns na história medieval ainda em sistema de mecha) em 1889, certo??? Mas… E se eu dissesse que há indícios de que uma esquecida (e pouco conhecida) arma teria lançado o sistema ainda no tempo dos Lefaucheux? Espantados? Esta arma jurássica que protagonizou um sistema de extração e remuniciamento que ainda hoje não tem rival para os revólveres se chamava revólver Guerriero.
                O revólver Guerriero (desenho do autor)

Em princípios de 1860, Alexander Guerriero, Conde de St. Ange, patenteia na Itália um revólver desenhado por ele conhecido depois como revólver “italiano”. A arma chegou a ser aprovada pela comissão da Regia Marina Italiana, e reconhecida com um prêmio do Instituto Real da Lombardia, mas como seus esforços para produzi-la foram infrutíferos, transfere-se então para Liège, que na época já é um centro de importância vital na produção de armas de fogo, onde a sua arma, será manufaturada por Breuer (provavelmente Eugene Breuer, de Liège, operava no nº 86 da Rue Louvex – aliás, na arma se estampava na lateral direita à frente do tambor: Sistema Italiano e uma punção com um brasão no qual estão contidas as iniciais do nome do inventor e o de Breuer). Na mesma época a arma é patenteada na Inglaterra sob nº 628/1863.
Os militares franceses se interessam pela arma prevendo talvez uma possível substituição aos então regulamentares revólveres Lefaucheux 1858. Vários revólveres são testados pela comissão de testes de Vincennes no período entre 1864 e 1865. Para proteger sua invenção Guerriero deposita em Paris em 1866 a patente do seu sistema sob o N° 71.326. Finalmente em 1869 a comissão de testes acaba com as pretensões de Guerriero, encerrando as provas com o veredicto desfavorável à arma: apesar das inovações, o mecanismo era frágil para uso militar, com tendência a emperramentos e com uma ação dupla muito dura, sendo a arma muito pesada (1.500g).
                              O revólver Guerriero

Mas finalmente, que arma era esta? No geral tratava-se de um revólver tipo Lefaucheux de armação fechada, de construção bastante sólida (sendo isso já um grande diferencial dos concorrentes de então, que usavam em numerosos casos armações construídas em mais de uma peça e open top), municiado com cartuchos de pino de calibre 15 mm. A grande novidade estava NUM TAMBOR BASCULANTE À DIREITA (como seria curiosamente usado anos depois no revólver d’ordonnance modèle 1892, e em vários outros modelos franceses e belgas), retido por um pino colocado à frente da armação, havendo uma vareta pra expulsão dos cartuchos, mantida travada por uma mola debaixo do cano. Na parte traseira do cilindro havia uma espécie de placa circular do mesmo diâmetro, com uma dobradiça e contendo uma mola que a abria automaticamente descobrindo as câmaras, no momento em que o tambor era deslocado da sua posição original. Esta peça circular recobria o culote dos cartuchos protegendo os pinos (espoletas), e ainda continha em seu corpo a catraca para proporcionar o giro. O cão atravessava um grande escudo de recuo, que aumentava a proteção dos cartuchos contras choques (as armas do tipo Lefaucheux eram muito chegadas a disparos acidentais em quedas), tendo ainda uma posição “half-cocked” utilizada na hora de municiar a arma.
Depois do rápido ocaso de suas pretensões militares, o revólver “italiano” terá como destino o mercado civil, com uma grande variedade de tamanhos, calibres, e acabamentos, terminando por desaparecer silenciosa e injustamente nas brumas da história. A maior (e talvez única) virtude desta arma, o seu sistema de tambor basculante, foi esquecido depois do fim deste, embora possamos citar como contemporâneo o revólver de Warnant “Le Regent” patenteado já em 1885, com tambor basculando também a direta. Esta arma foi fabricada na Bélgica por Jean Warnant, e na Espanha em Eibar, por Domingo Alberdi em 1885. (o uso de tambor abrindo à direita seria moda da época? Ou necessidade dos cavalarianos que usavam a mão esquerda para usar a arma de fogo? Pois na direita se usava o sabre). Mais de 20 anos depois, a empresa americana Colt compraria a patente de um jovem engenheiro chamado Borchardt, lançando em 1889 com estrondoso sucesso “o primeiro” revólver do tipo “swing out”, ou seja, com tambor rebatível lateralmente.

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