Header Ads

ad

As metralhadoras Madsen no Brasil

 Madsen Brasil




Metralhadoras Madsen


As metralhadoras leves Madsen, originárias da Dinamarca, sempre fizeram parte da história militar brasileira desde o início do século XX. 
______________________


Mas antes do texto, quero te apresentar um de nossos produtos:
O Guia do Atirador!  


"Afinal, isso aqui não é um blog comunista." 


Você já pensou em ter sua CR (Certificado de Registro)?

Com o Guia do Atirador, você terá um passo a passo para solicitar seu CR junto ao Exército Brasileiro sem necessidade de contratar despachantes caros.


Clica na imagem e solicite seu manual!






______________________

No seu país de origem, sua dotação pelo exército começou em 1902, por instruções do Cel. Vilhelm Herman Oluf Madsen, então Ministro da Guerra daquele país. Pouco antes de ocupar esse cargo, ele próprio fazia parte da equipe, juntamente com o engenheiro Julius Rasmussen, que tinha como objetivo projetar uma nova arma automática, a ser utilizada pelo exército.
Com a adoção em 1902, essa arma passou a ser a primeira metralhadora leve do mundo a ser produzida em larga escala. Teria pela frente um futuro brilhante, com mais de 100 anos consecutivos de trabalho, operando em mais de 30 países pelo mundo afora, e produzida em 12 calibres diferentes. A empresa responsável pela produção da arma foi a  Dansk Rekyl Syndikat A/S, posteriormente a Dansk Industri Syndikat A/S.
O trabalho se iniciou em 1880, mas como um projeto de fuzil semiautomático, operado por recuo e alimentado por um carregador fixo, funcionando por gravidade. Primeiramente foi utilizado o cartucho 8X58RD, carregado com pólvora negra, posteriormente substituído por uma carga mais potente de pólvora sem fumaça. No entanto, os protótipos dessa arma não forneceram bons resultados. Mais tarde, em 1896 houve outra tentativa baseada em novas idéias, com desempenho mais satisfatório; cerca de 60 armas foram produzidas e enviadas para testes na marinha, para suprir as tropas de defesa costeira.
Acima, o fuzil semiautomático desenvolvido em 1896

Com a fundação da empresa DRS em 1898, Madsen deixa o cargo para ocupar o ministério da defesa e entra em cena, como novo diretor, Jens Schouboe, brilhante projetista que, mais tarde, idealizou uma pistola semi-automática que leva seu nome. Com essa nova equipe, o projeto voltou-se para uma metralhadora leve, e não mais um fuzil semiautomático. Nascia assim uma arma revolucionária para a época, em termos de portabilidade, coisa ainda rara nas maioria das metralhadoras. Nascia também um produto fadado a muito sucesso, que seria utilizado por dezenas de países.
Metralhadora leve Madsen modelo 1902

Tecnicamente, a metralhadora Madsen é uma arma operada por recuo do cano, alimentada por um carregador posicionado na parte superior da arma, destacável, refrigerada à ar e funcionando no princípio de ferrolho fechado. O sistema de culatra oscilante é inusitado em armas desse tipo, baseado no desenho empregado nos antigos fuzis Peabody-Martini. Apesar de aparentemente complicada, a arma propiciava uma produção de alta qualidade e funcionava muito bem, de modo geral, com uma infinidade de cartuchos diferentes.
O cano, que é removível com certa facilidade, é externamente aletado e montado dentro de uma camisa com grande quantidade de janelas, para facilitar o resfriamento. Com o movimento do recuo do cano e com a  ajuda das aletas que ele possui, a movimentação do ar no interior dessa jaqueta era favorável ao bom resfriamento. Em campo, costumava-se jogar água por essas aberturas para diminuir ainda mais o aquecimento. Os carregadores da Madsen são incomuns, uma vez que a sua posição de encaixe é deslocada do centro da arma, algo necessário para que o braço de alimentação oscilante, localizado à esquerda, consiga apanhar os cartuchos novos do carregador e colocá-los no interior da câmara. O sistema de municiamento utilizado no carregador é monofilar. A capacidade variava de 25 até 40 cartuchos, dependendo do calibre e versão da arma. A ejeção dos estojos vazios era feita por baixo da armação, defronte ao guarda-mato. A janela por onde isso ocorre possui uma cobertura basculante anti-poeira que se abre durante o disparo. Dependendo de algumas configurações específicas, as Madsen tinham um peso por volta dos 9Kg, comprimento total de 1,14m, comprimento do cano de 58cm. e uma cadência de tiro que se situava em 450 disparos por minuto, na média.
Em pouco tempo o sucesso da arma atingiu um nível muito alto, sendo que vários países da Europa solicitaram encomendas, como o Império Áustro-Hungaro, França, Grã-Bretanha, Rússia, Suécia e várias outras potências. Durante a Grande Guerra, países como Grã-Bretanha e Rússia obtiveram licença da Dansk Rekyl Syndikat A/S para produzirem a metralhadora em seus próprios países. Na verdade isso acabou não ocorrendo; a Rússia sofria com a Revolução de 1917 e o Reino Unido enfrentava sérios problemas financeiros. Mas as exportações foram grandes, a  partir de 1905 e perdurando até o pós II Guerra, em 1950. Interessante que catálogos do fabricante ofereciam a metralhadora Madsen, sob encomenda, praticamente fornecidas em qualquer calibre militar da época.
Dentre os países que mais utilizaram as metralhadoras Madsen, pode-se citar a Finlândia, a Grã-Bretanha, a Holanda, a China, a Rússia Imperial, Portugal e vários outros países da América do Sul (Brasil inclusive) e da Ásia. Evidentemente que a própria Dinamarca também fez um bom uso de armas Madsen em suas Forças Armadas. A maioria desses países que outrora adotaram essa arma, já as descartou e foram consideradas obsoletas, no início dos anos 70, embora algumas peças remanescentes  fossem e ainda sejam usadas em partes mais remotas do mundo. Interessante que no Brasil e no México, países que convivem com sério problema de cartéis ou traficantes de drogas, ainda era comum até poucos anos atrás observar policiais utilizando a metralhadora Madsen no combate à esses crimes.
Resultado de imagem para As metralhadoras Madsen no Brasil
Militar do Rio de Janeiro utilizando Madsen em confronto com traficantes de morros cariocas. 

Desenho esquemático do funcionamento interno da metralhadora leve Madsen

No que se refere à sua utilização em campo, a Madsen participou ativamente de diversos conflitos armados na primeira metade do século XX, como na Guerra Russo-Japonesa, na I Grande Guerra (vários países de ambos os lados), Revolução Russa de 1917, Revolução Mexicana, Guerra do Chaco, Guerra Civil Espanhola, II Guerra Mundial e Guerra Colonial Portuguesa. O curioso é que a Madsen não era uma arma de produção barata, mas a sua fama de confiabilidade e durabilidade atraiu seus consumidores, mesmo pagando um preço mais alto do que armas equivalentes. O Império Russo adquiriu 1.250 armas, algumas delas para serem utilizadas montadas em aeronaves, como nos monoplanos Morane-Saulnier. Até os alemães a utilizaram em tropas de montanha, adquiridas já no calibre padrão 7,92mmX57.
Na América do Sul, o Paraguai adquiriu diversas metralhadoras nas décadas de 20 e 30, utilizadas contra a Bolívia na Guerra do Chaco. A própria Bolívia também as utilizava, no mesmo calibre de 7,65mmX53. Segundo o historiador Adler Homero da Fonseca, curador de armas portáteis do Museu Militar Conde de Linhares no Rio, aqui no Brasil, as Madsen começaram a fazer parte da história já em 1909, quando um primeiro lote de 300 armas foi adquirido. Foram chamadas por aqui de “fuzil metralhador modelo 1906-1909” e começaram a ser distribuídas às unidades militares em 1911.
No entanto, diz Adler que consta em documentação do Exército que a mudança solicitada pelo Governo Brasileiro, para que as armas adquiridas utilizassem o cartucho 7mmX57 Mauser, gerou algum tipo de problema técnico que praticamente inviabilizou toda a remessa, a qual já se encontrava em território brasileiro, sendo o lote devolvido ao fabricante, para os reparos. Porém, com a eclosão da I Guerra, essas armas nunca mais retornaram ao Brasil. No entanto,  Adler cita uma curiosidade, de que as metralhadoras que foram devolvidas para a Dinamarca acabaram sendo vendidas para os alemães na I Guerra (durante a guerra não poderiam ser exportadas por mar) e que as do modelo 1918, que viriam para cá posteriormente, seriam uma compensação pela “desapropriação”.
No entanto, após a I Guerra e nas décadas seguintes, o Brasil adquiriu regularmente as metralhadoras, também no calibre 7mmX57 Mauser, em virtude desse ser o calibre padrão dos fuzis Mauser aqui utilizados, mantendo-se assim a compatibilidade. A Lista de Armamentos do Exército Brasileiro de 1950 menciona as aquisições ou utilizações dos seguintes modelos: 1918, 1932, 1934, 1935, 1945 e 1949. Percebe-se então que logo após o incidente de 1909, cerca de dez anos depois já havia um novo lote das Madsen entrando no país.

Metralhadora Madsen modelo 1918, o primeiro modelo a ser efetivamente utilizado pelo Exército (coleção particular)

Detalhe do Brasão de Armas do Brasil, estampado na caixa de culatra da Madsen 1918

Detalhe da Madsen modelo 1918 – note o interessante sistema de trava de segurança – uma lingueta posterior à tecla do gatilho tem que ser obrigatoriamente pressionada para desobstruir o curso do gatilho (coleção particular)

No entanto, as versões das metralhadoras mais utilizadas pelo Exército foram as dos modelos a partir de 1932 até 1935, que eram importadas da Dinamarca, e todas já fornecidas no calibre 7mmX57 Mauser.
Em 1938 ocorreu uma nova importação, dessa vez com as metralhadoras destinadas a serem montadas, em pares, nos pequenos carros de combate blindados Fiat-Ansaldo CV-3-35 II, de fabricação italiana, 23 deles adquiridos pelo Exército graças à intervenção e idealização do Cap. Carlos Flores de Paiva Chaves. Os carros CV-3-35 (CV=Carro Veloce) eram leves, pesando cerca de 3 toneladas, dotados de blindagem máxima de 13,5mm,  com espaço para somente dois tripulantes: atirador e motorista.

Um dos únicos carros Ansaldo sobreviventes no Brasil, em exposição no Museu Militar Conde de Linhares, no Rio. Nota-se os canos das duas metralhadoras Madsen emergindo de sua torre. 
A propulsão era feita por um motor de fabricação Fiat, a gasolina, de 2,7 litros de cilindrada, 4 cilindros, 43HP e refrigerado à água, que levava o veículo à velocidade de 40Km/hora.
Acima, os carros de combate Fiat-Ansaldo (foto do acervo de Expedito C. Stephani Bastos)

Acima, a fileira dos 23 Fiat-Alsaldo, em 1939, no Centro de Instrução de Motorização e Mecanização, no Rio de Janeiro (Foto do acervo de Expedito C. Stephani Bastos)

Acredita-se que cerca de 2.000 veículos Fiat-Ansaldo foram produzidos em sua fábrica em Gênova, Itália, de 1933 a 1938. O armamento do modelo brasileiro inicialmente contava com duas metralhadoras Breda de calibre 7mm e mais uma de maior potência, a Breda de 13,2mm, arma equivalente à uma Browning cal. 50BMG. Posteriormente as Bredas de 7mm foram substituídas pelas Madsen, no mesmo calibre. As metralhadoras Breda sempre apresentaram sérios problemas de funcionamento. Nos Ansaldo, duas Madsen eram montadas lado a lado, apenas com as alavancas de engatilhamento e disparo montadas ou à esquerda ou à direita, dependendo da posição da arma.

Metralhadora modelo 1938 com mecanismo especialmente adaptado para uso nos carros de combate Ansaldo (coleção particular)

Detalhe da caixa de culatra da modelo 1938 adaptada para uso nos carros de combate Ansaldo (coleção particular)

Outro detalhe da Madsen 1938, mostrando o lado esquerdo da arma.

Após a II Guerra, em 1945, o Exército Brasileiro decidiu implementar um plano para a fabricação local dessas armas, baseadas nos modelos de 1932 a 1935, porém passando a utilizar o calibre norte americano .30-06 Springfield, que a partir dessa época começou a substituir o cartucho 7mmX57 Mauser, com o intuito de modernizar e padronizar a munição de armas leves, de acordo com as utilizadas pelo Exército dos Estados Unidos.
Não se pode esquecer que, desde 1942 e depois com a participação do Brasil na II Guerra, praticamente todo o armamento utilizado pela FEB foi fornecido pelos Estados Unidos, e todo esse arsenal foi doado ao Governo Brasileiro após a guerra. Foi também por esse motivo que a partir de 1949, a Fábrica de Itajubá, hoje Imbel, iniciou a produção da carabina Itajubá em calibre .30-06, conhecida por mosquetão modelo 1949, posteriormente modificado numa versão posterior, de 1954, que na verdade era uma cópia das carabinas de cavalaria Mauser do modelo 1898,  já anteriormente adotadas por aqui, mas em calibre 7mm Mauser.
Inicialmente a Fábrica de Itajubá foi incumbida de dar a partida no desenvolvimento do projeto e, consequentemente, passar à produção em série. Consta em documentação da época que houveram vários empecilhos para que isso ocorresse, principalmente pela avaliação técnica feita na época, afirmando que a F.I. não dispunha de mão de obra qualificada, equipamentos e tecnologia de precisão adequada para a produção das armas.
Decidiu-se então procurar junto à iniciativa privada, condições de levar a cabo o projeto. Em São Paulo, contatou-se então a Laminação Nacional de Metais S/A,  que aceitou a missão, criando uma subsidiária para essa finalidade, denominada de FARMA S/A, ou Fábrica de Armas Automáticas S/A. Foi então, nessa nova empresa, que nasceram as primeiras metralhadoras Madsen nacionais, baseadas nos modelos de 1932 a 1935, e que foram denominadas aqui de modelo 1945.


Acima a metralhadora Madsen modelo 1945, produzida pela Farma S/A, com reparo tipo Bowden, visor periscópico, e demais acesssórios que normalmente acompanhavam a arma (Coleção Particular)

Acima a metralhadora Madsen modelo 1945, produzida pela Farma S/A

Uma Madsen originalmente produzida em calibre .30-06, posteriormente modificada para uso do 7,52mmX51 NATO

Metralhadora Madsen com a marca de fabricação da Farma S/A

Acima, caixa de peças sobressalentes, que eram fornecidas às unidades do Exército, para reparos (Coleção Particular)

As primeiras unidades foram produzidas ainda em calibre 7mm Mauser e logo após, no calibre .30-06 Springfield. As armas já produzidas em .30-06 foram denominadas de modelo 1949. Não houve posterior transformação das Madsen cal. 7mm para o calibre .30-06, mudança essa que era impraticável, devido à grande diferença no comprimento dos estojos.  No entanto, as Madsen originais dinamarquesas, bem como as primeiras produzidas pela Farma em 7mmX57 Mauser, e posteriormente as fabricadas em calibre .30-06, foram transformadas para utilizarem os cartuchos 7,62mmX51 NATO, até caírem totalmente fora de uso no Exército, que se deu em 1987.
Enfim, embora nunca chegaram a possuir um status de importância e de respeito como as Browning norte-americanas, as BREN britânicas e as alemãs MG-38 e MG-42, as metralhadoras Madsen conseguiram um patamar muito respeitável no cenário bélico mundial, marcando presença em diversos conflitos armados, com boa receptividade e fama de alta confiabilidade, bem como conseguiu traçar aqui em nosso país uma trajetória de sucesso durante quase todo o século XX, propiciando bons serviços às nossas Forças Armadas.

Fonte:

Nenhum comentário