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ARMATA: REVOLUÇÃO OU EVOLUÇÃO?

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Após quase 50 anos de pragmatismo na adoção de novos conceitos para função MBT-Main Battle Tank (tanque principal de batalha ou carro de combate principal), com diversos projetos inovadores tendo sido sucessivamente arquivados enquanto os vários conflitos ocorridos após a década de 80 demonstravam as vulnerabilidades dos carros de combate soviéticos, finalmente em 2015 os russos revelaram seu novo T14 Armata, alardeado como revolucionário e superior aos MBTs ocidentais.
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Primeiras aparições do Armata em público.
   Tem sido divulgado pela mídia especializada que o Armata apresenta uma configuração completamente diferente de qualquer outro MBT já projetado, onde a tripulação de 3 homens fica situada em uma cápsula blindada na parte frontal do chassis separado da torre, enquanto a torre não tripulada fica no centro do veículo com um autoloader (carregador automático) logo abaixo dela, ficando o motor na posição tradicional na traseira do chassis.
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É possível ver por essa projeção que a tripulação do Armata fica na parte da frente separada da torre, ao centro fica a torre com o autoloader abaixo dela e na parte traseira o motor.
      Este layout rompe com os tradicionais MBTs da era soviética como também é o primeiro do tipo à entrar em produção seriada, entretanto, a verdade é que esta configuração revolucionária não é uma inovação do Armata nem tampouco dos russos, pois em meados da década de 80 os EUA já haviam testado essa configuração em um protótipo baseado no chassis do M1 Abrams, chamado M1TTB ( Tank Test Bed).
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Protótipo M1TTB em meados da década de 80.
     O M1TTB surge no auge da guerra fria, quando a Europa vivia sob a ameaça de uma invasão de hordas de tanques soviéticos e buscavam opções mais eficientes para lidar com esse cenário desfavorável numericamente para o ocidente, mas para entender como as coisas evoluíram até essas circunstâncias é preciso voltar no tempo para visualizar a cronologia que culminou no desenvolvimento desse conceito inovador.
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Hordas de tanques soviéticos.
     Até o início da década de 60 havia certa paridade tecnológica e principalmente numérica entre EUA e URSS, no entanto os esforços da corrida armamentista continuavam à buscar desenvolver equipamentos inovadores para superar o inimigo. Nesse aspecto os soviéticos saíram na frente já em meados da década de 60, com seu T64 equipado com um pioneiro sistema autoloader e implantando melhorias adicionais gradualmente como o novo canhão 125mm, além de paralelamente estar desenvolvendo um conceito de MBT lança míssil “object 775” e, embora mais tarde tenha sido cancelado, a idé ia de lançar mísseis pelo tudo da arma principal foi incorporada ao canhão 125mm dos CCs convencionais.
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Object 775.
      Por seu lado os EUA e a Alemanha buscavam um desenvolvimento conjunto para um novo carro de combate muito mais potente e capaz do que seus rivais, que ficou conhecido como MBT 70, dotado de um canhão 152mm capaz de lançar mísseis e equipado também com um autoloader para facilitar a recarga do pesado calibre e diminuir a silhueta do veículo, já que o principal tanque americano da época é considerado o mais alto MBT já operacional. A complexidade das inovações do MBT70, como suspensão hidropneumática e cabine do motorista na torre, como a baixa eficiência do canhão e sistemas de mísseis, além do aumento demasiado de custos do projeto levou ao seu cancelamento total em 1971, deixando uma grande lacuna tecnológica entre a OTAN e o pacto de Varsóvia que, enquanto os EUA estavam atolados na guerra do Vietnã, avançou também numericamente.
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Contemporâneos: M60 americano vs T62 soviético.
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MBT70 e a solução hidropneumática para resolver o problema de suas grandes dimensões.
     Na década de 70 a URSS não apenas lançava modernos MBTs T72 e T80, como também sobrepujavam muito o ocidente em quantidade de carros de combate, enquanto EUA e Alemanha continuavam até o fim dessa década tendo como principais carros de combate os M60 e leopard 1 respectivamente e que, apesar de novas versões, eram basicamente layouts do início da década de 60.
     Outra circunstância preponderante durante a década de 70 foi a guerra do Yom Kippur, que deixou evidente que os layouts tradicionais dos carros de combate existentes não eram mais eficientes diante das novas ameaças do campo de batalha. Novas munições mais poderosas perfuravam as blindagens homogêneas mais facilmente e exigiram novos desenvolvimentos que resultaram em dois caminhos: desenvolvimento de blindagens compostas ou adição de kits de blindagem reativa como paliativo em MBTs mais antigos. Outro ponto significativo desta guerra foi o uso eficiente e em larga escala de ATGM (Anti Tank Guied Missile) e RPGs (granada propelida por foguete) pelas infantarias em combates de alta intensidade, que expuseram principalmente as fracas blindagens laterias dos carros de combate da época. Nesse conflito, no entanto, o fator mais alarmante para os EUA foi a dificuldade de Israel em reparar e repor em combate os veículos danificados, o que era vital para um país que precisava se defender de uma invasão e encontravam-se em inferioridade numérica perante seus inimigos, situação parecida à que a OTAN poderia enfrentar na Europa em escala muito maior. Essa incapacidade de Israel em reparar seus carros de combate se dava pelo fato da maioria dos veículos atingidos resultarem em “Catastrophic Kill” (destruição catastrófica), ficando o veículo totalmente inutilizado. Essa destruição catastrófica ocorria, em geral, quando a blindagem do MBT era perfurada e o calor resultante da penetração como os estilhaços atingiam as munições, que ficavam armazenadas dentro da torre junto a tripulação, detonando-as e implodindo o veículo de dentro para fora, causando o efeito conhecido como “Jack-In-The-Box” (ejeção da torre), que matava a tripulação instantaneamente e impossibilitando qualquer reparo no veículo, efeito visto nesse conflito tanto em MBTs ocidentais como soviéticos.
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M60 israelense vítima do efeito “Jack-In-The-Box” e o consequente “Catastrophic Kill” durante a guerra do Yom Kippur.
     A doutrina soviética para guerra na Europa era prevista como uma gigantesca Blitzkrieg (ataques relâmpagos, de alta mobilidade e profundidade realizados pelos nazistas no início da segunda guerra mundial), com hordas de carros de combate de ataque( ágeis, de perfil baixo e com forte blindagem no arco frontal), cruzando as vastas estepes do leste europeu rapidamente, provavelmente precedidos de ataques nucleares.
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Acima um corte na blindagem frontal de um T72 demonstrando a blindagem homogênea, que é feita de uma composição de aço único. Abaixo uma ilustração da torre do T72, onde é possível observar a espeça blindagem frontal dos MBTs soviéticos baseados na doutrina de ataque, embora seja perceptível sua fraca blindagem lateral.

     Diante dessa ameaça iminente os EUA, no início da década de 70, investiu em 3 elementos para lidar com tais ameaças, sendo o principal baseado em uma doutrina de defesa da Europa com tanques pesados muito blindados (ironicamente algo que também remonta à era nazista,mas do fim da segunda guerra, quando a Alemanha se defendia de hordas soviéticas), sendo esse MBT focado em pesada blindagem (os outros dois elementos eram o A10 e o Apache, mas que não são temas dessa matéria), mesmo ao custo de limitações logísticas e de terrenos onde poderia operar ( como solos sensíveis, pontes não preparadas, etc…), que resistisse bastante ás diversas ameaças apresentadas no campo de batalha, principalmente após o yom kippur, assim como desenvolver um novo layout para que, mesmo após sofrer pesadas avarias, pudesse ser reparados rapidamente e recolocando em combate para compensar a inferioridade numérica, resultando no XM1, mais tarde chamado M1Abrams.
     O XM1 possuía moderna blindagem composta para resistir melhor ás novas munições de energia cinética (APFSDS) e de energia química (HEAT), como também aumentou a proteção nas laterais da torre para resistir ao novo cenário de infantarias equipadas com ATGM e RPGs.
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Acima uma ilustração demonstrando a blindagem lateral do M1 e abaixo é possível observar como é espeça blindagem lateral do M1Abrams.
     No entanto o mais relevante sobre o XM1 foi a adoção de uma torre com layout inovador, onde as munições ficam armazenadas em um compartimento com proteção blindada na parte traseira da torre separada da tripulação, projetado para detonar para fora e para cima em caso de perfuração do compartimento, evitando assim o efeito Jack-In-The-Box e consequentemente reduzindo a probabilidade de destruição catastrófica, permitindo reparos dos veículos de modo mais simples e aumentando as chances de sobrevivência da tripulação.
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Comparação entre o armazenamento de munições no M60 (acima) junto à tripulação e no M1Abrams (abaixo) que fica em um compartimento com proteção blindada.
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M1 golpeado diversas vezes por RPGs: embora o M1Abrams não pode provar sua eficiência contra a doutrina soviética, após a invasão do Iraque em 2003 finalmente provou sua capacidade de sobrevivência e reparo, mesmo em um tipo de conflito para o qual não foi projetado e contra ameaças mais modernas, quando mais de 530 Abrams danificados foram enviados de volta para os EUA e reparados.
     Pelo fato dos soviéticos terem se antecipado na corrida armamentista na década de 70, seus MBTs T72 e T80 já encontravam em estágio avançado de desenvolvimento para poder incorporar soluções estruturais que pudessem resistir às novas ameaças do campo de batalha vistas principalmente no Yom Kippur, de modo que, principalmente após a aparição do M1 Abrams, passaram à buscar soluções para contrapor essas ameaças. De imediato, a partir de 1982, adotaram soluções paleativas como kits de blindagem reativa (ERA) adaptáveis para aumentar a sobrevivência de seus MBTs (já vistas em uso por Israel desde 1978) e passaram à pesquisar novos layouts com mudanças radicais em relação aos seus tradicionais carros de combate, além de desenvolver uma arma maior e mais poderosa para vencer a espeça blindagem composta dos novos MBTs ocidentais com mais facilidade.
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T72 foi perfurado de um lado ao outro do chassis por munição APFSDS-T durante a guerra do golfo em 1991, tendo resultado no efeito Jack-In-The-Box e o consequente Catastrophic Kill.
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“A Muralha do Ocidente”, da esquerda para a direita: Chieftain, Challenger, Abrams, Vickers MK7 e leopard 2. A blindagem composta é constituída por camadas de diferentes materiais, como metais, cerâmica, plástico, entre outros, aumentando muito a proteção do veículo.
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As dimensões revelam doutrinas diferentes: M1Abrams vs T72.
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Object 292, um t80 equipado com um canhão 152mm, que os soviéticos usaram para testar a arma em 1990.
     O principal desenvolvimento soviético durante a década de 80 foi o “object 477 Hammer”, que possuía um autoloader horizontal para acomodar munições mais compridas montado em um compartimento externo na parte superior da torre, com artilheiro e comandante situados abaixo da torre e o motorista na posição tradicional, dando atenção especial à capacidade de sobrevivência do veículo e da tripulação, em detrimento do menor peso e menor silhueta que eram características principais dos MBTs soviéticos tradicionais, com considerável aumento da blindagem principalmente na parte superior do veículo (uma clara resposta à ameaça representada pelos dois outros elementos desenvolvidos pelos EUA para, junto com os Abrams, combater as hordas soviéticas: o A10 Thunderbolt II e o AH64 apache, embora esse tema ficará para outra matéria), tendo adotado ainda um canhão 152mm para combater as novas blindagens compostas e reativas.
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Object 477 Hammer que teve dois protótipos, hoje abandonados, acima o primeiro datando de 1992 e abaixo o segundo de 1993, que apresentava um acabamento mais refinado e, embora esteja com a torre virada para trás, é possível observar a espeça escotilha do motorista, que revela a preocupação com a blindagem da parte superior dos veículos.
      Na década de 80 os soviéticos ainda desenvolveram o “object 292” para testar o canhão 152mm sobre o chassis do T80, já na década de 90, após o fim da guerra fria, surgiu outro protótipo com configuração semelhante ao Hammer, o “Object 640 Black Eagle”, projetado para ser montado no chassi do T80 e usar o canhão 125mm( ao menos inicialmente), o que levou à especulações não confirmadas de que seria oferecido como um kit de modernização para o exercício russo.
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Object 640 Black Eagle, teve um protótipo construído em 1995, embora muitos aleguem ser apenas um mock up.
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Protótipo do Leclerc, teve desenvolvimento contemporâneo ao Hammer, com início do projeto em 1983 e se tornando operacional em 1993.
     O Hammer foi um desenvolvimento contemporâneos do MBT francês “Leclerc” e, tanto o Hammer quanto o posterior Black Eagle, possuem uma configuração semelhante ao Leclerc seguindo a solução básica do M1 Abrams de adotar um compartimento externo para as munições de modo à proteger a tripulação e evitar o efeito Jack-In-The-Box, embora usando um autoloader. Devido à recessão na URSS e o fim da guerra fria esses desenvolvimentos foram cancelados e posteriormente absorvidos pela uralvagonzavod, que posteriormente viria à projetar o T14 Armata, embora esses projetos das décadas de 80 e 90 pouco ou nada tenham em comum com o Armata.
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Tanto o Hammer quanto o Black Eagle possuem um layout similar ao do Leclerc, com comandante e artilheiro abaixo da torre, e motorista na posição convencional na parte da frente do chassis, como um autoloader horizontal em compartimento externo na parte traseira da torre, como visto nessa ilustração.
      A adoção de blindagens reativas pelos soviéticos em seus MBTs logo exigiram dos EUA a adoção de uma arma mais poderosa para seu M1, substituindo os canhões 105mm pelos 120mm, entretanto verificaram que o layout da Abrams limitaria um futuro novo aumento significativo do calibre para enfrentar o MBT soviético Hammer, que encontrava-se em desenvolvimento naquela época, pois seria necessário um autoloader para lidar com munições maiores e mais pesadas sem aumentar o tamanho da torre e peso do veículo, pois devido à ameaça da nova arma de 152mm soviética também seria necessário aumentar a blindagem do veículo.
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Blindado soviético com kit ERA: a blindagem reativa explosiva é composta de uma carga explosiva ensanduichada entre duas placas de metal que reagem ao impacto detonando o explosivo e expandindo as placas de modo à desviar o jato de carga moldada(HEAT) e as mais modernas conseguem até mesmo desviar e partir um penetrador de energia cinética (APFSDS).
    Diante disso os EUA desenvolveu um protótipo de testes designado M1TTB para explorar a funcionalidade de uma nova configuração que aproveitasse o chassi do próprio M1 Abrams. O TTB possuía, no lugar da torre convencional do M1, uma torre remotamente operada e acoplada à um autoloader vertical logo abaixo da torre, além de um compartimento blindado isolado na parte frontal do chassis para os 3 tripulantes lado-a-lado. Este conceito da tripulação separado da torre em uma cápsula blindada permite a adoção de uma arma principal bem maior e mais poderosa com facilidade sem a necessidade de aumentar o anel da torre e as consequentes dimensões do veículo, pois os membros da tripulação e a maior culatra de recuo não precisa competir por espaço dentro da torre,liberando bastante espaço na torre para adição de outros sistemas complementares, além de simplificar sistemas e controle NBC apenas em torno da cápsula reduzindo bastante o peso final do veículo. Outro fato relevante é a cápsula blindada e o armazenamento das munições no autoloader ficarem no chassis do veículo, separados um do outro por proteção blindada, permitindo a concentração da blindagem apenas em torno do chassis, sem aumentar o peso total do veículo e ainda diminuindo a silhueta geral do carro de combate que o torna um alvo mais difícil de acertar. Entretanto, os problemas principais nesse layout está relacionado justamente com o fato do autoloader ficar dentro do chassis  pois, ao contrário dos canhões operados manualmente, esse mecanismo de partes móveis podem emperrar devido à menor manutenção ou por dano causado resultante de forte impacto contra o veículo refletido no mecanismo, de modo que, por ficar abaixo da torre apresenta uma manutenção muito mais complexa, principalmente pela diminuição de 1 tripulante nesse tipo de veículo em relação aos com carregadores manuais que possuem o municiador ao invés do autoloader, sobrecarregando a tripulação nas manutenções rotineiras no veículo e compromete a qualidade ao longo dos conflitos com acúmulo maior de resíduos de propelentes, além de óleo viscoso, água, poeira, etc… e no caso de emperrar em combate devido à forte impacto contra o veículo ou à acúmulo de sujeira, estando a tripulação separada do autoloader e ser demasiadamente complexo e arriscado sair da cápsula blindada e alcançar o autoloader abaixo da torre para poder reparar(diferente de layouts com autoloader na parte traseira da torre, como no Leclerc/ Hammer/Black Eagle, onde tem um acesso à ele para manutenção muito mais facilitado), ficando a arma principal do veículo inútil para o combate, sendo necessário uma estrutura maior na retaguarda para poder realizar a complexa manutenção e reparos. Por fim, apesar das munições ficarem alojadas dentro do chassis com uma blindagem muito mais espeça do que na torre e ser uma posição muito mais difícil de se tornar alvo do que armazenagem na torre, no caso da blindagem ser perfurada por disparo inimigo ou minas anti tanque e o autoloader for atingido também resultaria no efeito Jack-In-The-Box e, apesar da probabilidade da tripulação sobreviver na cápsula blindada ser muito maior, destruiria o chassis de modo irreparável.
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Vista frontal do protótipo M1TTB, hoje abandonado.
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Vista das laterais do M1TTB.
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Detalhes da torre do M1TTB, parte frontal e traseira.
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Detalhe da culatra e do autoloader do M1TTB, mostrando a complexidade para realizar a manutenção rotineira.
       Tanto as pesquisas americanas quanto soviéticas da década de 80 não evoluíram ao estágio de desenvolvimento de um novo MBT, principalmente devido a queda da união soviética e posteriormente, diante de novos conflitos para os quais não foram projetados, as relíquias da guerra fria evidenciaram suas limitações e, enquanto o M1Abrams sobreviveu relativamente bem à essa novo realidade, os russos e outros países que usavam equipamentos soviéticos pagaram um alto preço em conflitos simétricos e assimétricos, o que pode justificar a escolha dos russos pelo layout do M1TTB para seu T14 Armata, priorizando a proteção da tripulação mesmo em detrimento da tradicional doutrina soviética, de perfil baixo e limitações de peso,e mantendo a alta probabilidade de danos irreparáveis dos veículos atingidos que os projetos soviéticos da década de 80 buscavam solucionar.
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Blindados da era soviética vítimas do efeito Jack-In-The-Box em conflitos após o fim da guerra fria.
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Comparação das dimensões do Armata, à esquerda, com o tradicional layout soviético no t90, à direita.
    Incógnitas em torno do Armata ainda permanecem: será que vão adotar um canhão maior futuramente, como era o object 195, um protótipo anterior ao Armata, ou vão enterrar de vez suas pesquisas de mais de 30 anos em torno do canhão 152mm? Qual será a solução para a limitação do uso de munições APFSDS mais compridas e eficientes no autoloader carrocel, embora imagens da internet deem conta do uso de um novo autoloader vertical como do M1TTB? O espaço livre muito maior na torre possibilita uso de equipamentos mais complexos e algumas fontes alegam que ele terá um radar AESA para rastrear alvos aéreos, apesar de ainda não possuir armamento anti aéreo aparente, ao contrário do que era visto nas projeções da internet com 1 ou 2 canhões de 20 ou 30mm, montados exatamente como nos T72M2 ou usará MANPADs como visto em blindados chineses recentemente? Finalmente adotaram uma blindagem composta ou mantiveram sua tradicional e já pouco eficaz blindagem homogênea?
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Protótipo do object 195, projeto anterior ao Armata que foi cancelado em 2009. Possuía um layout similar à ele mas com um canhão 152mm.
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Autoloader tradicional soviético, “carrocel”, que limita o comprimento de munições APFSDS, acima, e projeção da internet mostrando o Armata com autoloader vertical exatamente como o usado no M1TTB, abaixo.
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Projeções da internet e como realmente o T14 Armata ficou.
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Possíveis opções de armamento anti aéreo para o Armata, de cima para baixo: T72M2 com 2 canhões anti aéreos 20mm; T72M2 com 1 canhão anti aéreo 30mm; MBT chinês com um par de MANPADs instalados ao lado da torre.
     O que sabemos é que sem dúvida o Armata é muito superior aos seus antecessores soviéticos, sendo um dos poucos carros de combate de quarta geração no mundo e como tal adotando as úteis blindagens modulares desde a origem que são extremamente eficazes em evitar danos à blindagem principal por ameaças mais simples e aumentar o volume total da blindagem, sem falar que mesmo sendo mais volumoso e pesado que seus antecessores suas partes vitais estão todas protegidas por espeça blindagem concentrada em torno do chassis o que também o torna um alvo difícil de acertar e por fora de combate, especialmente no arco frontal,embora tenha surgido numa época em que o próprio conceito MBT pesado está em xeque.
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Na foto de cima é possível ver uma das primeiras imagens do protótipo do Armata ainda sem a blindagem modular lateral, no meio já com a blindagem modular adicional e abaixo o detalhe da blindagem modular na parte superior do Armata. A blindagem modular é muito útil para evitar danos causados por armas leves na blindagem principal, podendo ser facilmente substituído o bloco danificado, além de aumentar a espessura geral da blindagem do veículo contra munições mais poderosas.
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Projeção comparativa entre as dimensões do Armata e do Abrams, tendo o Armata um casco mais alto e mais comprido, e embora sua torre seja menos volumosa, é tão alto quanto o Abrams. O que cabe ressaltar é que, embora muito mais volumoso e alto que os tradicionais layouts soviéticos, suas partes vitais à serem protegidas estão todas concentradas no casco, sendo um alvo mais difícil de acertar, enquanto no Abrams munições e tripulação estão principalmente concentrados na parte mais alta do veículo, a torre.
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Vista frontal do T14 Armata, demonstrando sua alta silhueta e um volume consideravelmente maior que seus antecessores soviéticos, sendo um alvo mais fácil de ser identificado em terrenos como as vastas planícies das estepes do leste europeu.

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