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Crime organizado no Brasil; origem e modo de operação

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Narcotráfico é o sustentáculo das facções



Há estudiosos que afirmam que a história do crime organizado no Brasil nasceu ainda na época de colônia, quando Portugal baixou um decreto que punia as pessoas que cometiam infrações no país com uma passagem só de vinda para a Terra de Vera Cruz, como era chamado o Brasil.

Mas concluir que essa criminalidade era organizada naquela época não é real. A sistematização passou a acontecer somente durante a ditadura militar, quando presos políticos passaram a conviver com criminosos comuns dentro das cadeias e compartilharem técnicas de guerrilha.

Foi nessa época que teve início uma das maiores facções criminosas do Brasil, o Comando Vermelho, que homenageia à cor dos guerrilheiros. Com o passar do tempo, surgiram outras organizações e especialistas afirmam que existem hoje, aproximadamente, 80 facções criminosas.

Crime organizado no Brasil e seus fatores facilitadores

O crime organizado no Brasil é algo difícil de controlar há muito tempo
O crime organizado no Brasil vai muito além do que você imagina (Foto: Reprodução | Record TV)
Um dos fatores que favorecem a existência do crime organizado no Brasil é o livre comércio e a globalização da economia. Um artigo por Luiz Alcione Gonçalves, no site Âmbito Jurídico, afirma que “esses fatores facilitam a formatação dessas organizações pelas boas condições de manipulação financeira e de comunicação, bem como a lavagem de dinheiro através de empresas com fachada legal, como instituições de caridade, fundações sem fins lucrativos, escritórios imobiliários, agências de turismo e viagens, escritórios jurídicos e de assessoria”.

Atualmente, o crime organizado funciona como um poder paralelo cujo tráfico de drogas é a mais importante fonte de sobrevivência financeira dessas facções. Estima-se que o narcotráfico movimente por ano mais de 300 bilhões de dólares em todo o mundo.

Gonçalves aponta 15 características do crime organizado descritas na tese de doutorado do pesquisador Guaracy Mingardi, em 1996. Sendo elas: práticas de atividades ilícitas; atividade clandestina; hierarquia organizacional; previsão de lucros; divisão do trabalho; uso da violência; simbiose com o estado; mercadorias ilícitas; planejamento empresarial; uso da intimidação; venda de serviços ilícitos; relações clientelistas; presença da lei do silêncio; monopólio da violência e controle territorial.

Outro agravante para o desenvolvimento do crime organizado no Brasil é a certeza da impunidade. As brechas da legislação permitem que os líderes mais poderosos não sejam punidos ou escapem com facilidade das condenações.

Outros motivos para a disseminação do crime

Crime organizado no Brasil tem com uma de suas origens o tráfico de drogas
Tráfico de drogas é um dos grandes causadores do crime organizado no Brasil (Foto: Marcello Casal Jr. | Agência Brasil)
Há ainda outras razões que fazem do Brasil um franco território para o desenvolvimento do crime organizado. Um deles é que o nosso país está estrategicamente localizado entre os maiores países produtores de drogas e o continente Europeu.

Isso faz com que o Brasil seja rota para o transporte de parte da droga produzida no Peru e na Bolívia cujo destino é o velho continente. Para isso, os entorpecentes cruzam o nosso território por meio da ar, da água e por terra.

Essa  facilidade também ocorre por conta do tamanho das fronteiras territoriais do Brasil. Ao todo, o país faz fronteira com 9 nações, estando entre elas os maiores produtores de drogas do mundo. São quase 17 mil km de fronteiras que dificultam a fiscalização por parte dos homens da Polícia Federal. Isso bonifica o negócio de drogas que é o sustentáculo do crime organizado.

Crime organizado em guerra

Guerra entre criminosos e polícia é algo frequente onde o crime organizado impera
Em lugares onde o crime organizado é mais forte, como no RJ, guerra entre criminosos e polícia é algo frequente (Foto: Akemi Nitahara | Agência Brasil)
Apesar de o crime organizado funcionar como verdadeiros impérios e empresas altamente lucrativas. Há um estado de guerra constante entre as facções que formam esse universo.

Por aqui, é comum os conflitos entre o PCC, o Primeiro Comando da Capital, e o CV, o Comando Vermelho. Eles guerreiam entre si pela conquista de territórios para a venda de drogas.

Os constantes conflitos entre as facções acabam tomando proporções gigantescas, com massacres em presídios, tiroteios em comunidades, mortes de pessoas inocentes, depredação de patrimônios públicos e privados, entre outros problemas urbanos e sociais causados pela guerra interna do crime organizado.

O conflito entre as facções que formam o crime organizado envolvem muito dinheiro. Somente o PCC possui cerca de 10 mil homens e movimenta anualmente 200 milhões por ano.

Outro agravante dessa guerra é a existência da corrupção dentro de alguns órgãos que deveriam reprimir as ações do crime organizado. Chama a atenção a atuação de milícias de grupos paramilitares, formados por policiais, agentes penitenciários e vigilantes. Eles cobram taxas da população para oferecer uma suposta proteção dentro das comunidades dominadas pelo tráfico.

Um estudo recente revelou que das mais de 90 favelas existentes no Rio de Janeiro, 18% delas possuem milícias ilegais, coordenadas até mesmo por políticos e líderes comunitários.

Mas o crime não se limita ao estado carioca, apesar de ser ele o epicentro do crime organizado no Brasil. Já há focos das organizações praticamente em todos os estados brasileiros, principalmente dentro dos presídios. Estados com o Ceará, localizado no Nordeste brasileiro, está se tornando um importante braço das organizações pela sua localização privilegiada, mais próximo da Europa.

O mesmo acontece no estado do Amazonas, pela sua proximidade com países na América do Norte, como Estados Unidos, o maior consumidor de entorpecentes do mundo.


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