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Guerra Total

Guerra total é um conceito dito moderno de um conflito, de alcance ilimitado; no qual as partes beligerantes entram numa fase de mobilização total de todos os seus recursos— humanos, industriais, agrícolas, militares, naturais e tecnológicos para o esforço de guerra, para destruir completamente a capacidade da outra nação empreender. A prática da guerra total tem sido usada há séculos, mas não foi até meados do século XIX, foi reconhecido que a guerra total foi de uma maneira diferente de fazer a guerra.



Apesar de ter sido usado por séculos, a maior e mais conhecida guerra total foi a Segunda Guerra Mundial, onde dúzias de nações devotaram boa parte de sua capacidade econômica, industrial e científica para lutar o conflito.




Cartaz da Segunda Guerra Mundial com a convocação de Franklin Roosevelt pela participação de todos os americanos na guerra.



Na guerra total não existe muita diferença entre combatentes e não-combatentes, já que cada cidadão de um país em particular, soldados e civis, pode ser considerado como parte de seu esforço de guerra. Também não há diferenciação entre recursos militares e civis.



Carl von Clausewitz
foi um militar do Reino da Prússia que ocupou o posto de general e é considerado um grande estrategista militar e teórico da guerra por sua obra "Da Guerra" (Vom Kriege).


O conceito de guerra total é geralmente atribuída a Carl von Clausewitz, mas na verdade Clausewitz estava interessado no conceito filosófico relacionadas guerra absoluta, uma guerra livre de qualquer restrição política, que Clausewitz considerando impossível. Os dois termos, a guerra absoluta e guerra total, são frequentemente confundidos. Christopher Bassford, professor de estratégia da Escola Superior de Guerra, descreve a diferença desta forma: "É também importante notar que o conceito de guerra absoluta Clausewitz é bastante diferente do conceito posterior de" guerra total ". A guerra total era uma prescrição de como fazer a guerra tipificado pelas ideias do general Erich Ludendorff, que assumiu o controle do esforço de guerra alemão durante a II Guerra Mundial. Neste sentido, a guerra total significou a completa subordinação da política para a uma ideia de guerra, Clausewitz enfaticamente rejeitadas e na suposição de que a vitória total ou a derrota total foram as únicas opções. A guerra total não implica a suspensão dos efeitos do tempo e do espaço, assim como o conceito de guerra absoluta de Clausewitz ".




Para entender melhor essa definição de Clausewitz, é necessário compreender o contexto no qual ele a desenvolveu (levando-se em consideração o fato de que ele era um militar experiente e, além disso, um estrategista) e as outras definições que estão distribuídas ao longo do primeiro capítulo da obra referida, como esta: “A guerra é pois um ato de violência destinado a forçar o adversário a submeter-se à nossa vontade”.

Um dos acontecimentos mais impressionantes da história das guerras modernas foi a Batalha de Valmy, ocorrida em 1792, na qual, pela primeira vez, o exército revolucionário francês conseguiu vencer de forma extraordinária. Esse fato impressionou grandes personalidades da época, como o escritor alemão Johann Goethe.

O próprio advento de um exército revolucionário constituído por cidadãos, e não por mercenários e aristocratas guerreiros, era demasiadamente impressionante. Esse modelo de exército foi a máquina de guerra do império de Napoleão Bonaparte nas duas décadas seguintes. Foi nesse contexto que se sitou Clausewitz, que passou a integrar o exército prussiano no momento em que este lutava contra a expansão de Napoleão. A violência total e as proporções estratégicas que as guerras napoleônicas exigiam produziram uma verdadeira obsessão em Clausewitz. A integração entre política e guerra, tal como expressou em sua famosa definição, cuja diferença única para ele estava apenas nos meios usados, veio da compreensão que ele teve da transformação do conceito de guerra a partir da formação do exército nacional francês.

Toda a extensão que as guerras posteriores tomaram, como a Guerra Franco-Prussiana, da década de 1870, e a Primeira Guerra Mundial, iniciada em 1914, as chamadas guerras nacionalistas, cuja abrangência e potencial de destruição eram enormes, de certa forma foi intuída por Clausewitz em sua obra. Sua compreensão da essência violenta da guerra, da falácia da honra aristocrática que permeava o conceito de guerra até então, é fundamental para entender a definição que ele próprio deu. Abaixo segue, nas palavras do próprio estrategista prussiano, um parágrafo onde foi lapidada sua definição de guerra:

“A guerra, então, é apenas um verdadeiro camaleão, que modifica um pouco a sua natureza em cada caso concreto, mas é também, como fenômeno de conjunto e relativamente às tendências que nela predominam, uma surpreendente trindade em que se encontra, antes de mais nada, a violência original de seu elemento, o ódio e a animosidade, que é preciso considerar como um cego impulso natural, depois, o jogo das probabilidades e do acaso, que fazem dela uma livre atividade da alma, e, finalmente, a sua natureza subordinada de instrumento da política por via da qual ela pertence à razão pura.” (CLAUSEWITZ, Carl Von. Da Guerra. São Paulo: Editora WMF Martins Fontes, 2010, p.30).


Essa trindade, “violência, ódio e animosidade”, apontada pelo autor, que se estende da guerra pura a outros meios, como a política, e vice-versa, é o que é de mais complexo e mais realista em termos de compreensão do que seja guerra entre os autores ocidentais e figura entre os grandes tratados de guerra da história, tal como os estratagemas chineses e a “Arte da Guerra”, de Sun Tzu.




Eric Hobsbawm
Foi um historiador marxista britânico reconhecido como um importante nome da intelectualidade do século XX.




O conceito de Guerra Total – Eric Hobsbawm


A primeira Guerra mundial, segundo Hobsbawm inaugura um período de Guerra Total, o autor considera a primeira e a segunda guerra com um único conflito. Embasado por esse conceito o autor na obra “A era dos Extremos”, ressalta o que esse confronto se diferencia dos anteriores e o porquê pode ser considerado uma guerra total.

Hobsbawn destaca que não há como compreender o século XX, sem compreender a Guerra mundial. O conflito de 1914 foi tão marcante que para aqueles que nasceram antes desse período, “a paz” só existia antes desse ano. A primeira guerra entrará na memória dos europeus, sobretudo dos Ingleses e dos Franceses, maiores envolvidos no conflito, como a grande guerra.

O confronto iniciado em 1914 se diferencia dos anteriores. As guerras antes de 14 eram confrontos curtos, em que o número de mortes era baixo, não havia invasão territorial e a quantidade de nações envolvidas era baixo, o contrário de tudo isso é a Guerra total.

Na primeira Guerra Mundial, os confrontos foram longos, muito maiores, do que os países esperavam e se prepararam economicamente. Um ponto que destaca o autor sobre a guerra total é como a questão econômica influencia na vitória. As economias dos países após 1914 se voltavam para Guerra, a indústria, os investimentos do Estado, a mão de obra, tudo se voltava para a economia de guerra.

A Guerra é total, também devido ao envolvimento da população, tanto no alistamento voluntário, como na expectativa positiva desse conflito. Esse envolvimento também pode ser entendido, pelos nacionalismos exarcerbados desse período que levavam ao ódio entre as nações.

Conforme já exposto, quase toda a Europa se envolveu no conflito, o que levou a uma destruição desse continente. Um ponto que descreve Hobsbawm, é que essa guerra tem com único objetivo a destruição total do inimigo, o que será ruim para os dois lados, para o derrotado e o ganhador, Hobsbawm destaca a extremidade com que se é levado às batalhas e o quanto isso é prejudicial à Europa.

As perdas são as maiores ate então, a utilização de novas armas com grande potencial de destruição, a guerra de trincheiras, cujos soldados eram expostos as piores condições possíveis e prolongavam muito o conflito, marcam essa Guerra e é por isso que ela entra para memória como a grande guerra.


Enfim, a primeira Guerra conforme destaca Hobsbawm, foi um episódio de extrema carnificina que acabou por não resolver nada e ainda criou as bases para o surgimento de uma ultra-direita e de uma segunda guerra mundial.




Fontes:







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