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Abalroamento

No contexto militar, o abalroamento é uma técnica que consiste em atingir um alvo colidindo com ele, usada tanto no combate aéreo como no terrestre e no naval.


Já em 750 a.C. a principal força de ataque do exército assírio eram as bigas, cuja missão era forçar o seu caminho através das fileiras da infantaria inimiga. Como armas de cerco, os assírios usavam aríetes. Os chineses usavam o esporão nos seus navios de guerra desde o Período das Primaveras e Outonos (722 a.C.-481 a.C.), e os gregos também usavam as suas trirremes para abalroar os navios inimigos.



Esporão do Olympias, uma reconstrução de uma trirreme ateniana.







No combate aéreo, o abalroamento é uma táctica de último recurso, que foi usada no passado quando tudo o resto falhava. O piloto utilizava o seu avião como um aríete, ou podia tentar destruir os controlos do avião inimigo usando a hélice ou as asas para cortar a sua cauda ou asas. O abalroamento ocorria quando um piloto ficava sem munição mas ainda queria destruir um inimigo, ou quando o seu avião havia sido danificado para além do recuperável. A maioria dos abalroamentos ocorria quando o avião do atacante era econômico, estratégico ou taticamente menos valioso que o do inimigo, como no caso de pilotos pilotando aviões obsoletos contra outros superiores, ou por aviões monomotores contra bombardeiros com vários motores. Defensores usavam esta táctica mais vezes que invasores.




Os primórdios do abalroamento em combate


O abalroamento não era um simples ato suicida, com a finalidade de se sacrificar para garantir a morte do inimigo. Existia toda uma gama de técnicas. Uma delas era utilizar as próprias hélices por trás do inimigo para danificar as superfícies de comando. Esta era a técnica mais difícil de ser executada, mas era a única que garantia melhores chances de sobrevivência.

As ideias de colisões durante um combate se apresentam antes mesmo do homem realizar seu primeiro voo com aeronaves mais pesadas que o ar. No século XX, as ações de guerra aérea foram imaginadas por Jules Verne, dramaturgo, romancista e poeta. Em uma de suas obras de ficção científica – Robur the Conqueror, publicado em 1886 – apresentou uma máquina voadora mais pesada que o ar, voando até colidir contra uma indefesa aeronave mais leve que o ar, durante um combate.

No romance The Sleeper Awakes, Verne criou um personagem principal chamado Graham, que participava de um combate aéreo. Com seu aparelho, Graham colide de forma defensiva contra um dos aviões inimigos, fazendo-o cair. Em resposta, a segunda aeronave cessa seu ataque, com medo de ser abalroada em seguida.

Em 1909, o dirigível foi imaginado como um “navio de combate aéreo” por vários observadores, que escreveram sobre a possibilidade de se utilizar algo resistente, estendido no bordo de ataque, para atacar outros dirigíveis. Também aventaram a possibilidade de se lançar algo pesado, como uma âncora, a partir de um dirigível contra alvos terrestres, como edificações ou até mesmo navios.

Durante a Primeira Guerra Mundial, o primeiro exemplo conhecido de um ataque desse tipo foi feito em Zhovkva, pelo piloto russo Pyotr Nesterov, contra um avião austríaco em 1914. Esse incidente foi fatal para ambas as partes. O segundo abalroamento pode ser considerado um sucesso, já que não foi fatal para o atacante. Foi realizado em 1915 pelo russo Alexander Kazakov, um ás da aviação e piloto de caça russo de maior sucesso da Primeira Guerra.


Os abalroamentos durante a 2ª Guerra Mundial


Dentre as técnicas de abalroamento empregadas em combate, a asa pode ser utilizada como uma boa arma na questão de danificar a aeronave do inimigo, e até mesmo fazer com que ele perca o controle. Alguns aviões soviéticos, como o Polikarpov I-16, tinham as asas com a estrutura reforçada, justamente para ser usada para essa finalidade.

No período da Segunda Guerra, houve muitos abalroamentos. Tratando-se de pilotos soviéticos, então, há diversos relatos de ataques desse gênero contra os pilotos da Luftwaffe, principalmente nos primeiros dias de hostilidades na guerra. No primeiro ano do conflito, a maioria das aeronaves soviéticas era considerada inferior às alemãs. Esse foi um dos motivos pelos quais as colisões forçadas eram as únicas formas de garantir a destruição do inimigo.

Mesmo com as aeronaves soviéticas sendo menos potentes, as táticas aéreas alemãs no início da guerra criavam condições favoráveis para esses ataques forçados. Com o tempo, as táticas foram mudando. Para se ter uma ideia, no primeiro dia da invasão alemã da União Soviética, ocorreram nove ataques desse tipo, uma em menos de uma hora. A piloto Yekaterina Zalenko, por exemplo, fez um mergulho fatal com seu Su-2 contra um Bf 109. Ambos os pilotos morreram, e ela foi a única mulher conhecida por ter realizado um abalroamento aéreo. No total, a Força Aérea Soviética fez mais de 580 ataques desse tipo.

A RAF também teve sua oportunidade, o primeiro contra um Heinkel He.111P foi em 1940, naquele mesmo ano, eles destruíram um Dornier Do-17 sobre Londres, um Messerschmitt Bf 109, um Fiat CR.42 perto de Harwich, Inglaterra e até mesmo utilizando a asa para desviar a trajetória de uma bomba voadora V-1, todos realizados com aeronaves Hawker Hurricane.

Também em 1940, a Grécia abateu um Savoia Marchetti SM.79, após detonar o leme de direção dele com um PZL P.24, o Reino da Ioguslávia conseguiu derrubar três Bf 109’s dessa forma em uma única resposta a um ataque alemão que contava com cerca de 30 aeronaves. Os japoneses não tem nem o que falar, a lista seria bem grande, por parte da Alemanha, temos alguns textos que falam dos ataques desse gênero.


Um piloto francês também realizou tal ataque, mas não foi contra uma aeronave, o piloto Jean Maridor usou seu Supermarine Spitfire para detonar uma bomba voadora V-1, onde ele se morreu na hora com a detonação da ogiva. Maridor já havia danificado o V-1 quando havia disparado com seus canhões, mas tomou a decisão de jogar seu avião contra a bomba enquanto ela mergulhava em direção a um hospital de campanha militar em Kent, Inglaterra.





Fontes:





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