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Movimento de Pinça


movimento de pinça ou duplo envolvimento é uma manobra militar na qual os flancos do exército oponente são atacados simultaneamente por duas alas defensivas se movimentando como braços de uma pinça como reação ao ataque inimigo contra o centro do exército e cujo objetivo é cercar o atacante. O movimento completo inclui ainda partes da força defensiva circundado completamente a atacante por trás, evitando o envio de reforços.


Um duplo envolvimento, por definição, resulta no exército atacante tendo que enfrentar o inimigo pela frente, nos dois flancos e na retaguarda. Se os braços da pinça se juntarem na traseira, o inimigo se verá completamente cercado. Batalhas deste tipo geralmente terminam na rendição ou na destruição completa das forças inimigas, embora as forças cercadas ainda possam tentar uma escapada, atacando o cerco por dentro numa tentativa de rompê-lo, ou uma força amiga pode também atacar por fora tentando abrir uma rota de fuga para os cercados.




Um movimento de pinça no qual a força vermelha envolve a força azul que avança. É importante notar, contudo, que um movimento de pinça é, em geral, impraticável contra uma força que avança.




Um pouco de História

Sun Tzu em seu livro "Arte da Guerra" especulou sobre esta manobra, mas recomendou contra a sua aplicação, entendendo que o mais provável de acontecer era a fuga do exército atacante antes do cerco se completar. Ele argumentou que o melhor seria abrir ao inimigo uma rota de fuga, pois um exército completamente cercado lutaria muito mais ferozmente.
A manobra foi provavelmente utilizada pela primeira vez na Batalha de Maratona em 490 a.C. O historiador Heródoto relata como o general ateniense Milcíades organizou suas forças de 10 000 hoplitas atenienses e 900 plateienses numa formação em U, com as alas muito mais profundas que o centro (na quantidade de filas de soldados). Seus inimigos lhe superavam em número enormemente e Milcíades preferiu enfrentar a profundidade das forças persas afinando seu centro e reforçando as alas. No decurso da batalha, as formações centrais, mais fracas, recuaram ordenadamente, o que abriu espaço para as alas convergirem por detrás da linha frontal persa, provocando pânico nas mais numerosas - e menos armadas - forças inimigas.
Aníbal executou esta manobra na Batalha de Cannae em 216 a.C., naquela que é considerada pelos historiadores militares como uma das maiores manobras de combate da história, citada como o primeiro movimento de pinça de sucesso a ter sido registrado em detalhes pelo historiador grego Políbio.
A manobra foi também utilizada com sucesso por Khalid ibn al-Walid na Batalha de Walaja em 633, por Alp Arslan na Batalha de Manziquerta em 1071 (chamada de "tática do Crescente"), na Batalha de Mohács de Solimão, o Magnífico, em 1526, e pelo marechal de campo Carl Gustav Rehnskiöld na Batalha de Fraustadt em 1706.
O plano de Daniel Morgan na Batalha de Cowpens (Carolina do Sul) em 1781 durante a Guerra da Independência Americana é amplamente considerada uma obra-prima tática da época.


Curiosidades

Uma versão desta manobra era a tática padrão dos impis zulus, que a chamavam de formação "chifre de búfalo".
Uma forma rudimentar desta manobra também foi empregada por Gêngis Khan, conhecida coloquialmente como tática dos "chifres". Neste caso, dois flancos de cavalaria cercavam o inimigo, embora eles raramente se encontrassem na retaguarda, deixando ao inimigo uma rota de fuga.
O movimento de pinça alcançou a perfeição na blitzkrieg da Alemanha Nazista durante a Segunda Guerra Mundial. No caso, além de uma mera manobra de infantaria, a manobra evoluiu para uma complexa empreitada multi-disciplinar envolvendo o avanço rápido da infantaria mecanizada, o uso de barragens de artilharia, bombardeios aéreos e o uso efetivo de comunicações por rádio, culminando na destruição das hierarquias de comando e controle inimigas, minando o moral das tropas, e na desorganização das linhas de suprimentos.



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