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Teoria da Intimidação


teoria da intimidação ou deterrência é uma estratégia militar desenvolvida e utilizada durante a Guerra Fria até os tempos atuais. Ela é especialmente relevante no que diz respeito ao uso de armas nucleares, e figura proeminentemente na atual política externa dos Estados Unidos, no tocante ao desenvolvimento da tecnologia nuclear no Irã e na Coreia do Norte.


Existem duas formas de intimidação: intimidação por punição ou intimidação por proibição.
A intimidação por punição é uma estratégia onde um governo ameaça uma forte retaliação caso seja atacado. Os agressores são intimidados se eles não querem sofrer os danos causados por tal ação agressiva. A Destruição Mútua Assegurada é uma forma desta estratégia, utilizada para caracterizar as relações entre os Estados Unidos e a União Soviética.
A intimidação por proibição é uma estratégia onde um governo constrói ou mantém sistemas de defesa e inteligência com o propósito de neutralizar ou coibir ataques. Os agressores são intimidados se eles optam por não agir, prevendo o alto custo da ação em relação ao seu sucesso.
A teoria da intimidação é vista por alguns como o oposto da política de apaziguamento, onde é permitido a um governo expansionista absorver território para alcançar um acordo negociado (por exemplo, o Acordo de Munique que antecedeu a Segunda Guerra Mundial). A intimidação pode ser baseada tanto em armas de destruição em massa como em armas convencionais, sanções econômicas ou ambos.

Guerra Fria

Política de intimidação dos Estados Unidos durante a Guerra Fria se manifestou de várias formas. Nos primeiros estágios da Guerra Fria, era geralmente caracterizada pela ideologia da Contenção — uma forma agressiva de desenvolvimento das nações sob a esfera de sua influência. Este período foi caracterizado por inúmeras guerras proxy ao redor do mundo, particularmente na África, Ásia,América Central e América do Sul. Um conflito notável foi a Guerra da Coreia. Em contraste com a opinião geral, George F. Kennan, que é tido como o fundador desta ideologia no famoso Artigo X, afirmou que suas ideias foram mal-interpretadas e que ele nunca propôs intervenção militar, meramente suporte econômico.
Com a retirada dos Estados Unidos da Guerra do Vietnã, a normalização das relações norte-americanas com a China e a Ruptura Sino-Soviética, a política de contenção foi abandonada e uma nova política de détente foi estabelecida, onde se viu a coexistência pacífica entre a União Soviética e os Estados Unidos. Embora todos os fatores já listados tenham contribuido para esta mudança, o fator mais importante provavelmente foi a áspera paridade conseguida pelo empilhamento de armas nucleares com a clara possibilidade de Destruição Mútua Assegurada. Por essa razão, o período de détente foi caracterizado por uma redução generalizada das tensões entre os Estados Unidos e a União Soviética e a amenização da Guerra Fria, do final da década de 1960 até o início da década de 1980. A doutrina da destruição nuclear mútua caracterizou as relações entre a União Soviética e os Estados Unidos durante esse período, e as relações atuais com a Rússia.
Uma terceira mudança ocorreu com o armamento promovido pelo presidente Ronald Reagan nos anos 80. Reagan tentou justificar tal política em parte pelo crescimento da influência soviética na América do Sul e na nova república do Irã, estabelecida após a Revolução Iraniana em 1979. Similar à antiga política de contenção, os Estados Unidos deram início da várias guerras proxy, incluindo o apoio a Saddam Hussein no Iraque durante a Guerra Irã-Iraque, apoio aos mujahidin no Afeganistão (que lutavam pela independência da União Soviética) e vários movimentos anticomunistas na América Latina, como a tomada do poder do governo sandinista na Nicarágua, eleito democraticamente. O fundamento ilegal do Contras na Nicarágua originou o escândalo Irã-Contras, que deu base a um processo no Tribunal Internacional de Justiça contra os Estados Unidos. Os Estados Unidos, recusando-se a obedecer ao Tribunal Internacional, não pagou a indenização à Nicarágua.
Enquanto o exército estava lidando com o desmantelamento da União Soviética e espalhando a tecnologia nuclear para outras nações além dos Estados Unidos e da Rússia, o conceito de intimidação tomou uma dimensão global. A política norte-americana pós-Guerra Fria foi abandonada em 1995 num documento chamado Essentials of Post-Cold War Deterrence (Essência da Intimidação Pós-Guerra Fria). Este documento explica que, enquanto as relações com a Rússia continuam a seguir as características tradicionais da destruição nuclear mútua, já que ambas as nações continuam sob a Destruição Mútua Assegurada, a política de intimidação dos Estados Unidos em relação a nações com menor poder nuclear deveria assegurar — através da sinalização de uma possível forte retaliação ou guerra preemptiva — que tais nações não atravessariam o caminho dos Estados Unidos ou de seus interesses, ou de seus aliados. O documento explica que tais tratados devem também ser usados para assegurar que nações sem tecnologia nuclear não a desenvolvam e que haja um banimento universal de qualquer nação que mantenha armas químicas ou biológicas. Em 2007, as tensões com o Irã e a Coreia do Norte sobre seus programas nucleares são uma continuação de tal política de intimidação.



Crítica
A teoria da intimidação pode ser criticada pelas suposições do pensamento inimigo. Primeiramente, oponentes suicidas ou psicopatas não serão intimidados por uma possível agressão. Segundo, mal-entendidos diplomáticos e ideologias políticas opostas podem levar a uma escalada na percepção da ofensa, ocasionando uma corrida armamentista que elevaria os riscos de uma guerra — um cenário ilustrado pelos filmes WarGames e Dr. Strangelove. A corrida armamentista é ineficiente em termos de recursos: todos os países envolvidos têm de gastar em armamentos que não têm utilização prática.
Finalmente, os massivos gastos militares poderiam levar a um déficit comercial, restrições das liberdades civis, a criação de um complexo militar-industrial e outras medidas repressivas, muitas vezes resultado de uma guerra sem fim.
Os proponentes insistem que a teoria é flexível a diferentes situações e permite mudanças de estratégia.



FONTES

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